sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz 2011



Bem, atravessamos a primeira década do novo milênio. Foi ontem, sabemos disso. O mundo não acabou na virada, agora inventam que ele acabará em 2012. Sabemos que a realidade é outra! Mas não estou escrevendo esse texto para falar de escatologia. Escrevo-o para falar mais uma vez do que vi ao sair a rua.

Então, eu não tinha atentado mas o Ano Novo é muito mais curtido pelos solteiros, né? Quer dizer: o paqueródomo rola solto e as pessoas saem, especificamente, com essa intenção. Os compromissados observem fazem a festa em casa! 

Então aqui vai algumas dicas para os que se encontram “na pista”. Para as moças é permitido ousar, mas lembre-se só para deslumbrar alguém que já te conhece a bastante tempo. Se pretende conquistar um desconhecido, fique bonita, mas recuse o visual vestida para matar. Você poderá conseguir o que quer: por uma noite! E depois perder seu objeto de desejo.

Rapazes, visual clean sempre. Isso significa: unhas aparadas. A única pessoa no mundo que tem o direito a unha grande é o personagem Sayid, do Lost, ainda assim, porque compõe o personagem e porque não tem como dizer não para ele. Mas bastou um pouquinho de unha aparecendo para qualquer mulher sentir nojo do rapaz.

Maquiagem, cuidado com a cara de palhaço mas pode abusar. Você vai conquistar o carinha por causa disso? Nunca!!! Homem realmente odeia maquiagem, mas eles não irão reparar na noitada, eles irão olhar é para seu corpo. Agora não se atreva a colocar a mesma maquiagem de Ano Novo de dia, você corre o risco de vê-lo sentindo por você o mesmo que sentimos com um homem de unhas grandes.

O papo para os carinhas tem que fugir do senso comum e das cantadas batidas. Gaste um tempo e esforce-se para demonstrar que de toda aquela multidão de gente, você escolheu, especialmente, ela! Se não der certo, verifique as amigas, busque alguém longe do contato dela e faça a mesma coisa. Se você for convincente, com certeza, você ganha a mulher! Então, não esqueça: ela precisa sentir-se especial. Sentindo-se que é especial, você já está tocando o órgão da mulher: o cérebro. Depois, ela dá outros!

Moças, não importam o que vocês falam, geralmente, o homem vai olhar é corpo. Para conquistá-lo você precisa ter a dose certa de peito e bunda. Não quer dizer que quem não tem, ficará sozinha no Ano Novo. Mas no momento, estou escrevendo um artigo: receitas prontas e é Ano Novo para mim também, então, a seriedade volta ano que vem. Voltemos as que tem peito e bunda, rsrsrs. Combine a roupa que valorize os dois, sem decotes demais e saias de menos, isso para, supostamente, manter vivo o interesse. Se quiser só zoar: shortinho, decotão e salto alto, não passará sozinha, com certeza!

Receitas à parte, o que foi escrito é verdadeiro, só não foi colocado a excessão. São regras, funcionam. Não são receitas, receitas não funcionam, regras funcionam porque nós serem humanos somos condicionados. Então peguei um pouquinho desse condicionamento feminino e masculino e lancei aqui. Mas quero finalizar dizendo: é Ano Novo, curta! Não se preocupe com regras nem com impressionar, viva o melhor para você e não para o outro. Descontraída, cabeça leve, garanto que também é uma regra para abandonar a solteirisse! Tchim.Tchim. Feliz 2011.
Margareth Sales

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Adultério


Palavra derivada da expressão latina ad alterum torum que é na cama de outro. Com o tempo a palavra ganhou o concepção de fraudar ou falsificar, esse significado veio da palavra adulterar.

Então pretendo ir além do senso comum e declarar: não se enganem! Adúltero é aquele que mantém uma mulher em casa e vive pensando na outra, mesmo que nunca tenha a coragem de tomá-la para si.

O que pretendo falar com isso: que casamentos acabam e precisa de uma dose muito grande de coragem para asssumir que algo que tanto a sociedade quanto nossos próprios desejos pessoais desejam que dê certo: acabou!

E quem não assume isso? Covarde! Porque as pessoas não possuem a maturidade e a decência de assumir quando algo não está dando certo? Quando não mais funciona? Porque parece ser mais decente, mais santo, ficar com a mulher ou o homem se corroendo por dentro do que liberar, seguir em frente?

Quando eu falo liberar, não uso o termo moderno liberar geral. Liberar aqui, é se permitir ser quem você é e ir em busca de seus desejos. O mesmo para a mulher, liberá-la para buscar a felicidade, ter o direito de sentir-se amada, sem a sufocação de segurar uma situação que já não possui mais condições de acontecer. Ou seja: não acontece há muito tempo.

Nesse contexto, porque chamam ter um casamento e uma outra mulher de pecado? Talvez porque seja pecado? Ou não? Há várias bases e vários comportamentos. Às vezes, um casamento nem está mal, mas surge outra pessoa e mesmo sem intenção: rola. Ficar com as duas? Quem pode julgar? Quem pode prender o comportamento humano em curvas de normalidade? Os padrões religiosos, claro, que definem comportamento. E porque padrões religiosos definem comportamentos? Porque são santos, certos e conduzem só ao bem? Não! Os mais coerentes sabem, perceberam que os padrões religiosos existem apenas para moldar a massa, isto é, deixar cada coisa no seu lugar: quem têm poder continua com o poder e quem não tem (maioria) serve a minoria.

A questão do adultério, então, se encontra muito mais ligada a fraudar, adulterar, do que propriamente a ocupar a cama do outro. Porque digo isso? Porque quando se está em um casamento onde não restou mais nada, nem mesmo a dignidade, provavelmente o amor também já voou pela janela. Porque fraudar alguém, prendendo, tentando prender ou mesmo soltando. Deixando ela fazer o que quer, mas não permitindo que essa encontre um outro. Porque fraudar em você mesmo um sentimento, um orgulho de ser casado que você já não possui. Ao contrário, você sente vergonha daquela pessoa. Porque procurar sexo na rua quando não há mais sexo em casa. Óbvio é que em um relacionamento desgastado a primeira coisa a desaparecer é a relação sexual. Ninguém quer se tocado por quem odeia. E quando a relação sexual não desaparece? Já sabemos que é condicionamento sexual, faz todo o movimento, goza (talvez só o homem) e resta o vazio de se virar para o lado!

Duro? Demais, mas tem casamentos que tornaram-se apenas a vergonha de um dia ter ido ao altar, ao púpito, ao juiz com aquela pessoa. E você é obrigado a continuar nisso, né? Quem obrigou? Você se obrigou, não venha com a historinha para boi dormir de que foi a igreja, a família dela, sua família. Você se acostumou tanto a falsificar sentimentos, falsificar verdades que nem conhece mais outra vida. Quer coisa pior que isso? Aí você pensa: “Poxa, queria ter 16 anos de novo, curtir Legião Urbana com minha garota gostosa!” Sabendo-se que a garota gostosa não é sua esposa, essa pode até ser gostosa para outro homem, ser valorizada. Mas o casamento de vocês já era! Porém, é sinal de incompetência deixar que os outros saibam disso, né? Claro que não! Mas você não amadureceu para perceber essa verdade.

Por último, e pior, é a mulher que fica em maus lençóis quando vive uma situação da outra. Primeiro, existe uma pesquisa antropológica onde demonstra que as mulheres acima de 30 que não se casaram competem com outras 50 por um homem solteiro. Essa pesquisa demonstrou que existe um determinismo geográfico no estado do Rio de Janeiro. Ou seja, a mulher que desejar um homem e todas elas desejam, depois de maduras, terão que optar por um casado. Ou então, mudem-se para Minas Gerais!

Segundo, a outra não é puta e odeia o estigma. Como visto, ela tornou-se outra porque optou entre a solidão ou um relacionamento oculto. E diga-se de passagem, relacionamentos são relacionamentos, mesmo que não sigam a convenção social: quarta, sexta, sábado e domingo aqui em casa, senão: término!         Para se fazer um relacionamento é necessário, apenas, duas pessoas atuando, trocando, se falando, se vendo, esporadicamente? Talvez! Mas é um relacionamento!

E por último, o mito do tabu, tão defendido por Freud. Nesse tabu é um termo polinésico onde significa: sagrado, consagrado, misterioso, perigoso, proibido ou impuro. Olha a mistura semântica em uma só palavra. A outra vira a mulher tabú e que mulher é essa? A mulher que se tocada contamina as outras. Não se enganem, só em novela adultério é bem aceito, em nossa sociedade a Outra vira tabu. Como virou tabu ela costuma enfrentar o preconceito e tentam tocá-la ou vitimá-la pelo desvario inconsequente de homens que acham que podem. E existe muitos assim!

Concluindo, o poder masculino se estabelece na força bruta e vitima. O poder feminino se estabelece no medo que a mulher provoca na sociedade masculina. Esse medo é revertido em violência contra ela. Nem todo homem que escolhe a outra, necessariamente, é violento ou canalha, talvez covarde. Os homens que têm suas outras estão tentando ser felizes, as mulheres que estão com o cara casado estão tentando ser felizes. Nem sempre terminar um casamento tão rápido é o aconselhável, mas se se descobrirem que há sentimentos que vale a pena. Que é um relacionamento que refresca, refrigera, dá novo alento. Deixemos de ser covardes vamos assumir o outro, a outra como nosso(a) e liberar quem, supostamente, ainda se encontra em nossa cama.

REFERÊNCIAS

FREUD, Sigmund. Edição Eletrônica de Obras Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, [s.d.]

GOLDENBERG, Miriam. A Outra: um estudo antropológico sobre a identidade da amante do homem casado. Rio de Janeiro: Record, 1997.
Margareth Sales

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Feliz Aniversário amiga!


Minha homenagem nessa data muito especial vai para a minha melhor amiga! A gente é tão amiga que pega para capar o tempo todo! Igual duas crianças: fica de mal, depois faz beicinho e pede desculpa, quantos anos a gente tem: 10? Não, muito mais de 20. Mas eu acabei descobrindo que somos duas personalidades indomáveis. Quando não queremos fazer algo, nada nos demove.

Viviane Vicente Nascimento, acho que está certo. Porque o Viviane Vicente Barreto eu lembrava mais, agora ela é casada e advinha? Muito bem casada. Com direitos a bilhetinhos: “estou morrendo de saudade, a cama não é a mesma sem você”. Não acreditam em casamento? Mudem de opinião: o deles funcionam e querem viver até o final juntos, velhinho e de bengala (se é que todo velho usa bengala, bem desenho de Maurício de Souza).

Conheci Viviane com doze, se perguntar a minha idade mando um fantasma puxar a perna de vocês rsrsrs. Ela jogava bola de gude, futebol, quem foi o idiota que disse que menina precisa de boneca? Fala sério solta cafifa (pipa - para outras regiões fica melhor).

Entrou na igreja com 13, porque eu frequentava. Mas ficava questionando: será que aquilo que dizem é verdadeiro? De certa forma até acreditava, mas compartilhava com as dúvidas dela. Fazia parte do louvor, adorava cantar, se cantava bem. Não tenho ideia, não sei nada de cantar: uma coisa posso afirmar: bem melhor que eu, com certeza. Se batizou mais ou menos aos 13, errada? Nada! Ela amou! Até hoje se sente feliz pelo fato. Batismo é muito bom, esse simbolismo de passar pelas águas e deixar para trás todo o lixo que não serve para mais nada. Se você é liberto de pecados pelo batismo? Deixo a resposta para os teólogos, só cito: tem um ladrão na cruz que não foi batizado e foi salvo!

Bem, minha amiga Viviane, inferiu, pensou, curtiu, os tempos de igreja e... foi embora! Quando ela foi embora era uma mulher linda, pensei em fazer um mosaico com as fases dela. Iriam ver o que eu falo, ela é perfeita. Saímos na rua, não sobrava um para mim... Snif. Olha, quanto homem babava quando passava. Mas ela nunca ficava sozinha, sempre tinha um namoradinho. Aliás, ficava anos com o mesmo namorado.
Quando o último namorado deu sinais de que já não era tão legal, um outro já a cercava, ela dizia: “Não vai dar certo, o cara não gosta de mim”. Eu mais velha, sabia que o cara não era ponto de ônibus, mas estava parada na dela! Mesmo sabendo que ela ainda não havia terminado o namoro, ele insistiu.

O que deu? Casamento! Estão casando há anos e felizes. Não acredita que casamento dê certo: visite-os!

Viviane galgou seu emprego, primeiro em um kiosque mínimo não dava nem ela e nem material. Pouco tempo passou para o shopping da cidade em, seguida, para o shopping da cidade vizinha, Virou gerente! Comprou seu primeiro carro, refez a casa: está linda! Chama a galera para churrascão final de semana e os dois, marido e esposa, são os melhores anfitriões que temos conhecimento. Quando vai rolar o próximo churrasco? hehe

Viviane é inquieta, até demais, o médico disse isso, ela respondeu: “prazer, meu sobrenome é ansiedade”. Queriam tacar Rivotril nela. Resposta: tá doido? Minha ansiedade é que vende os tubos. Sem entregar: ela vende pirulito para criança, ou seja, kit completo do Iphone, capinha, Bluetooth que não vem junto, quem sabe um wireless também? E o menino só foi procurar um fone de ouvido, pois o dele estava ruim.

Sua equipe, debandou quando ela pediu demissão em dezembro/janeiro. Não ficou pedra sobre pedra. Tenho pena do novo gerente. Mas ele é brasileiro, não desiste nunca! Kkkkkk.

Viviane, depois de curtir Natal, a cidade. Gastou todo o dinheiro que ralou para ganhar e conseguiu ficou dura. A empresa não deixou ela em paz. Está de volta, com alguns privilégios. Gerente competente é isso!

Atualmente, sente falta das nossas partidas de video-game que arrasamos durante as férias dela e minhas fugidas do trabalho. Um porém: ela é ótima funcionária, mas uma menina num corpo e comportamento adulto. Adora se divertir e... divertir. Meu aniversário, agora 05 de Dezembro de 2010, ela é outros amigos, com certeza, desbancariam pseudo- comediantes (tenho o filme gravado) não paramos de rir a noite toda.

Viviane é de um cinismo mordaz e nunca ofende ninguém, morremos de rir, ela, inclusive, tira risos de minha mãe sisuda! Voltando ao videogame, gosta tanto, mais tanto que é capaz de me ligar, burlando trabalho, para saber como cheguei em 97% do Shrek, se passei por muita fase legal.

Poderia escrever um livro dela, não dá, né? Mas finalizo com Parabéns, muitos 26 anos ao longo da vida (ops! entreguei a idade haha). Te amo amiga, mesmo que a gente possa ainda quebrar o pau um dia dessas. Segundo sua cantora favorita: dois bicudos não se bicam. Ainda bem que seu marido não se entromete: nem para te defender!!! huahuahuahua. Ele diz que depois a gente fica se cheirando!!! Verdade! Muitos beijos, muito “sei o que você vai fazer hoje, pois a loja só vai te liberar depois das 22h”!

Te amo, como mãe que fui (não sou mais, graças a Deus). Te amo pela mãe que você também me foi (não é mais, graças a Deus).Te amo porque somos amigas para sempre!
Margareth Sales

domingo, 19 de dezembro de 2010

Fazer 40 anos

Quando você chega aos 40 você já sabe muito bem quem você é e quem você não é! Ou seja, não adianta pseudo-conselhos dizendo: está acontecendo isso porque você fez aquilo. Relação de causalidade em comportamentos humanos até existe, mas conta com uma indecifrável incógnita chamada: contingências!
 
Isso pressupõe que aos 40 você sabe que em termos comportamentais condicionantes, determinadas atitudes levam a comportamentos pré-fixadas. Mas não sempre! 
 
Não cai a ficha exatamente, no momento, que você faz 40. Na realidade, como você se gosta sabe que fez 40, mas continua sentindo-se muito jovem, ao mesmo tempo que é uma mulher madura!
 
Aos 40 você joga muita coisa fora. Coisas que já não fazem mais parte da sua vida, não te pertencem mais. Usando a matemática, porque até nisso você melhora, percebe que na soma dos seus ganhos menos a perda de suas desilusões, o saldo foi positivo. Há poucas semanas eu joguei o meu walkman fora. Estava na hora, né? Até por uma questão bastante simples: não estava mais funcionando, se funcionasse, como ainda existem CDs ele continuaria aqui. Então, quando você chega ao auge da maturidade, você percebe bem a diferença, que muita coisa deve ser jogada fora. Mas que você não joga aquilo que é bom, o que mesmo parecendo acumulado tem um lugar especial, sempre guardado para ele, no canto de uma estante ou no canto do coração. Significa que as coisas boas não ocupam espaço e para sempre terão lugar reservado.
 
Hoje sou uma mulher muito mais camaleão que antes. Isso não quer dizer que mudo com as circunstâncias. Não aos 40 sua personalidade está formada, há crescimentos, não mudanças radicais. Mas se é camaleão para grande capacidade de adaptar-se as circunstâncias, ou seja, se é para brigar, mesmo que outros não concordem, você briga. Porém, se a briga não te levará a lugar nenhum, então, você adota a camaleoa. Ser camaleão é saber a diferença entre ter partes de sua personalidade que é frustrante, defeito mesmo, mas convive... Porque a parte que mais aparece são as cores verão do camaleão, as invernos estão ali, convivem, se manifestam, mas não desbotam o brilho das cores verão.
 
E com certeza, você é muito mais verão que inverno. Muito mais tempo aberto, mente aberta do que posturas ranzinzas com a vida. E as pessoas te perguntam, pelo herói e você já entendeu que qualquer luta você faz sozinha, nos momentos cruciais você passará sozinha, mesmo que com pessoas de qualidade ao seu lado. No entanto, há travessias que só há como ir, sem bagagem, sem lenço nem documento. Talvez, só uma coisa poderá levar: fé, em você e em seus processos que te fizeram crescer até aqui e em Deus que te sustenta.
 
Depois de se passarem 4 décadas, com certeza passam também alguns loucos pela sua vida. Então, percebe que já pode perdoar a todos. Afinal, o que seria de mim se não fosse a que se encontra aberta a loucura alheia, que deixa entrar, porque releva, isso é tolerância, mas até ela têm limites. Porque, na realidade, você aprende que quando deixa o louco entrar, ele não te acrescentou nada mesmo, tirou, é a palavra certa. Mas em nome da tolerância, da falta de preconceitos e da oportunidade, você permite: vieram para tirar? Vieram! Roubaram? Roubaram! Mas como boa camaleoa cresce de novo, o pedacinho de você que tentaram tirar.
 
Com 40 não sendo mais adolescente você se acha linda! Ainda que tenha que passar photoshop na barriga para não fazer feio! Mas você sabe que ser linda não depende de perfeição, porque até os lindos de verdade, não são perfeitos. Ser linda é estilo, combinação de saber se vestir, se portar, se gostar, se olhar todos os dias, com ou sem espelho. Porque se vê de dois ângulos: de dentro e de fora.
 
Você que já não mentia se livra até daquelas pequenas, bobas que são as emocionais, aquelas que muitas vezes você nem se deu conta. Inteira você encara que às vezes o inferno te atraiu ou te arrastou porque você não sabia dizer não. E segue em frente! Levando sua bagagem, mais vazia porque você jogou muita coisa fora. Mais leve porque você se tornou mais forte. Mais coerente porque você já aprendeu 4 décadas, já leu elas, já leu o mundo delas. E agora? Restam os outros anos reservados para mim, para eu tornar-me melhor e, cada vez, mais feliz!
Margareth Sales

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Quando a morte chega

Bem, a morte é sempre um mistério, porque segundo o dito popular, ninguém voltou ainda para contar. Porém, alguns acham que há pessoas que voltam... Não estou aqui para derrubar a crença de ninguém, muito menos fazer apologia de religião dentro do meu blog, mas minha opinião pessoal é: ninguém volta! Cada um que fique com sua opinião ou então se querem ser formadores de opinião que usem das modernas tecnologias de informação e comunicação para fazê-lo, isto significa: façam seu próprio blog!

Dito isso, a discussão aqui iniciada é sobre aqueles que se vão e, realmente, não voltam mais. Como realmente lidar quando alguém vai embora para sempre? Quando de maneira nenhuma essa pessoa voltará? É isso que é o mais doloroso na morte, a ida!

Não somos acostumados a lidar com a perda, faz parte de nossa sociedade globalizada a acumulação, queremos acumular tudo: bens, amigos, relacionamentos entre tantas outras coisas. Deixar ir... é muito difícil! Porque há muitas idas, com diversos níveis de complexidade, mas a mais difícil sem dúvida é a morte! Não há palavra que preenche aquele vazio, aquela dor!

Como lidar então com essa dor? Em minha opinião de quem já viu alguns irem e que soube lidar com isso, uma ajuda, já que nada do que eu vou falar aqui vai resolver, seria: sobriedade. Já vi muitas coisas sobre a morte e comportamentos bem descompensadas, gente que observa o túmulo e a foto deste imaginando que o morto está vigiando o corpo. Sombrio? É pouco! Bastante doentio. O medo da morte existe, da nossa e dos outros, mas ela vem, de que adianta viver sobre essa premissa? Por isso, a sobriedade é meu primeiro pré-requisito, se diante de todas as pancadas da vida, envergo, mas não quebro. Sim, sou sóbrio! Se não sou sóbrio, ou seja, se me apavoro, descompenso, descabelo, grito, meu segundo pré-requisito seria: procure ajuda profissional! Digo isso com compaixão, porque tenho visto pessoas vivendo sob a premissa da morte e não da vida e não são pessoas sóbrias.

Não há como negar que a morte para o sentimento de quem fica é algo banal e sem razão. Não há sentimentos de felicidade naquele momento, mas o pior é que, via de regra, a morte não fecha um ciclo na vida de quem fica. Então, aliada a dor fica a inconclusão, a interrogação, muitas perguntas e nenhuma resposta mais. É como se de uma hora para a outra fomos obrigados a jogar fora parte fundamental da nossa vida.

O filme que vira e revira a cada minuto em nossa mente e a pergunta: o que estava errado? Nada estava errado, mas como convencer disso? A resposta está em você continuar, sozinha ou não, filhos para criar ou não. Irmãos que ainda contam com você ou não! A vida é sua, é para ser vivida por você. A morte é dura, fecha-se numa sepultura, mas a sua vida é preciosa, esse é o diferencial entre a morte como ponto final e a morte como recomeço pessoal de quem fica.

Você perdeu alguém importante e não sente isso? Claro que não! Mas não quer dizer que não seja verdade, a morte é recomeço para quem fica. Seja sóbrio, seja feliz com quem ainda não foi, jogue fora o que não presta e fique com o melhor da pessoa, quando ela for lhe restará as lembranças para continuar e criar outras, no mesmo espaço, em outro espaço. Mas a felicidade não se foi junto com a pessoa, houve dor sim, mas ainda nascerá, todos os dias o sol, para seu renascimento!

Margareth Sales

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O Rio de Janeiro, de novo


Fomos assaltados novamente por acontecimentos que mudam o cenário do Rio de Janeiro e a história do mesmo. Historicamente, o Estado é palco de grandes eventos, isso quer dizer que até então não se perdeu essa característica. Hoje, especificamente, o RJ é um barril de pólvora.

De uma forma geral, na pós-modernidade de muitas vozes, vemos “pipocando” em cada canto, opiniões pessoais, baseadas no senso comum e, também, reflexões sociológicas baseadas em proposições científicas.

Nesse viés, coloca-se quem é o verdadeiro inimigo? Então, faço a minha voz juntar-se a voz de outros e perguntar? Quem é o inimigo? Talvez não exista, se baseado na definição que devemos privilegiar uma atuação histórica multiculturalista, então, todos deverão conviver harmoniosamente, será isso possível?


Se a luta no Rio é pelo domínio hegemônico da milícia, o inimigo, é então, a polícia militar. Não é uma novidade, o poder das forças armadas é antigo em nosso país e continua existindo! E, se existe uma troca de poder, das mãos do tráfico para as mãos da milícia, isso não exclui o fato de que o movimento, mesmo que desarticulado do tráfico cerceia o direito de ir e vir.


Explicando: o movimento que o tráfico faz, em pontos diversos do Rio de Janeiro, com pouquíssimas vítimas atua direto no inconsciente coletivo, ou seja, no medo que a maioria dominada tem da própria vida que sempre foi massacrada pelas elites.


Isso significa, que como maioria, é a massa que determina se irá haver ônibus ou se as pessoas irão trabalhar ou não! Como? Essa mesma massa é a que espalha o medo. Espalhando o medo a cidade pára, quando a cidade pára, quem deseja se locomover é cerceado por um grupo, grande, que não permite isso.


Então, impede-se o direito de ir e vir porque a população sente-se ameaçada pelo inimigo oculto. Além do fato de que mesmo com pouquíssimas vitimas, um só ônibus queimado faz com que os empresários do transporte segurem os ônibus. Não pelas vítimas, mas pelos ônibus. Mais uma vez, o direito de ir e vir é impedido!


Isto é: o que adianta dizer a verdade se eles (a massa) não ouvem. A mudança não é dizer, hoje, pela mídias sociais a verdade, ainda, claro que se deva dizer. Mas a mudança só vai ocorrer, quando a escola tiver acesso as verdades. Sonho, então, com o dia em que esta verdade seja dita nas escolas, para que a população saiba escolher, por enquanto, como sempre, o real está invertido!


Então, se é uma escolha de mentiras, exemplificando, se fosse isso, quem você prefere que seja o poder dominante: a ditadura ou o Collor de Mello? Peguei com o pior que tivemos para exemplicar, mas se tivesse que optar, porque não haveria outra escolha, ficaria na opção dois! Ou quem sabe um movimento para uma opção três? Mas a opção três é utopia, só virá com profundas mudanças sociais.


Então, essa falsa segurança que a polícia exibe, acaba por ser segurança verdadeira, porque não impulsiona a maioria (massa) a impedir o nosso ir e vir! Se a hegemonia vier dos militares, obviamente, eles não farão pressão queimando ônibus, não pedirão a fechada do comércio, porque dependem desses para sua própria sobrevivência.


Explicando, melhor, quando o poder dominante vem da polícia, mesmo que a contragosto, eles precisam cumprir alguns parâmetros éticos para a própria sobrevivência. Do contrário, são substituídos. Em contrapartida, quando a segurança vem do poder paralelo, não há seguranças! Nunca. Porque o poder paralelo é psicologicamente condicionado a ver o outro como nada. A partir do momento que não vejo a alteridade em sua subjetividade. No momento, em que não o sinto como parte daquilo que sou, não há limites para o que eu posso fazer com ele.


Se com a polícia dominando, vemos ônibus queimados em diversos pontos, com o tráfico dominando veríamos corpos estendidos no chão, a qualquer momento. Dependendo apenas da virada do vento, ou seja, do humor daquele que está armado até os dentes. A ação de bandidos não possui ética, talvez a ética interna. Eles sempre virão com força, só poderão ser impedidos pela mesma força com que atuam. A força deles é arma? Sim, só! O poder deles não baseia-se no discurso, não saberiam nem entender o seu próprio discurso interno. São condicionados pelo meio onde vivem e atuam, tornam-se animais, não são, que o digam os direitos humanos, mas atuam como tais e, condicionamento psicológico, dizimou milhares de judeus.


Condicionamento psicológico é perigoso, os bandidos são perigosos. Meu único grito: eles precisam ser detidos, são humanos, como disse: são! Mas estão dominados, se tornam os inimigos porque foram condicionados pelo nosso maior inimigo. Que sendo minoria só se tornam maioria pelo poder do discurso. Se tornam inimigos porque foram condicionados a não ver o outro porque são massacrados pelo poder dominante que os condicionando, os despersonificando, transforma-os em animais. Conversamos com animais, não! O diálogo perdeu-se porque não ouvem mais. Só quem pode pará-los, infelizmente, é a polícia, para retomar o poder da sociedade constituída, INFELIZMENTE!

Margareth Sales

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Culpado ou Inocente?


Nasceu bonito, terceiro filho de dois natimortos. Cresceu se amaldiçoando por esse fato tão terrível! Será? Amor incondicional pela mãe sofrida por ter perdido essas crianças e ódio pelo pai, primo da mãe, um grosso. Claro, primos: filhos mortos! Freud explica essa relação?

Cresceu, tornou-se homem, seu bairro, subúrbio, nunca contribuiu para seus sonhos: aprender inglês, informática e fazer uma faculdade. Não permaneceu em empregos, não tinha formação, ficou pipocando pela vida. Seu pai, louco, demonstrando que ele deveria ser homem, arrumar emprego decente, como ele, grande homem!

É cobrado pela mãe para dar netos, arruma uma na esquina e faz um filho. Sustentá-lo? Não tinha condições, mas fala com o peito cheio que nunca nada faltou para a filha, como? O pai a sustenta! Peraíiiiiiiii! Aquele mesmo pai louco? Insensato?

Uma oportunidade na vida, um emprego tipo Chandler Bing: não sabemos o que faz, sabemos que trabalha (do seriado Friends). Comprou seu carro, ganhava bem. Achou que o futuro de sua vida estava nesse emprego, baseado em comércio flutuante, foi a deriva. Ficou desempregado!

Casou perto dos 40, sua esposa? Quase metade de sua idade, fez o filho 2! Dois filhos e uma esposa, casa para morar? Nunca! Casa dos pais, quando não os dele, os dela. Frustrado com a cobrança da mulher por uma casa, apontava a falta de misericórdia dela com sua vida tão sofrida! Decidiu-se separar, culpa da esposa, claro, não dele, que não fornecia a casa do casal. E também ela começou a trocar sexo por estabilidade: “só dou se sair a casa!”

Voltou para a casa dos pais, solitário, sem sexo que gostava muito, por sinal.! Começou a viver de mimimi (traduzindo: chorando amargurado pela vida que não se realizava). Continuava bonito, aliás muito mais bonito: chegou aos 40, suas filhas, lindas, né? Segundo ele: NÃO! Como?

Se concluirmos que até então ele vagava pela vida, agora estava a deriva. Perguntava a todos onde se encontrava a tal da felicidade? Será que um dia poderia conseguí-la? Resposta: tem resposta? Vocês querem resposta? Me respondam vocês...

A deriva, na marca do penálti, decidiu ter vida. Depois de mais de um ano sozinho, encontrou alguém: bonita, decidida, inteligente, sexy demais! Pensou: vou me fazer, vou aprender, vou crescer e vou desfrutar! “Você é a mulher da minha vida, dizia ele!” “Quero te levar para casa”.

Pouco tempo de namoro, a pressão que fazia puxou o namoro para cima, ou para baixo? Surgiu a pressão de um compromisso mais sério. Ele ligou para ex: “estou namorando”. A ex gostava dele. Ex volta!

Ele resolve acreditar que casado uma vez, casado para sempre. Diz para a namorada: sou adúltero! Me perdoa, nunca deveria ter feito isso. Mas manteve a namorada em standy by: “Estou vendo que você não está bem, me ligue sempre, serei ombro eterno”...

E, todos os dias, eram três horas no telefone com a ex-namorada. Até que ela informa que já está com outro. Transando? Surge logo a pergunta! Sim. Resposta: “Você está vivendo em prostituição, não sabe esperar até casar?” Ela: “Mas você forçou a maior barra para eu dar para você!” Ele: “Você se acha certa? Você teria que se segurar, eu estava fazendo o meu papel!” Ele: “Não vou orar mais por você, você está seguindo um caminho tortuoso”.

Resultado: o homem é Santo? Louco? Merece o perdão que tanto clama, por ter ido buscar uma namorada quando era pecado o que fez?

Perguntas: Será que essa pessoa se dissociou completamente e não retorna mais? Será que os 40 anos foi o tempo final de sua vida, a chance era agora? Será que há chances para alguém que nunca quis se ver. E, a pergunta principal... Será que porque não entendia o caminho percorrido, vamos usar Freud, inconscientemente traçado. O torna inocente ou ele é culpado de quase estragar a vida de três mulheres porque usou o inconsciente como auto-sabotagem aos próprios delírios de poder. Não alimentados numa vida real, mas numa vida paralela. As respostas? Você decide caro leitor!
Margareth Sales

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

11 de Setembro


Desde novinha, Kate sonhava em ser escritora. Fazia vários livros e desenhava... E escrevia e desenhava. Sua mãe sempre lhe opôs o sonho: “Escritor morre de fome, menina, mesmo aqui na América, o país da liberdade!”.

A menina continuava sonhando... Porque é isso o que as crianças fazem: sonham! Cresceu assim na felicidade de tentar seu dom e na negação das palavras de sua família que incessantemente deixava claro que era uma fantasia que não levaria a lugar nenhum.

No período escolar ganhava inúmeros prêmios e a atenção total dos professores que sempre a incentivaram. Muito determinada, sonhava com seu sucesso como escritora, sabia que o que escrevia modificava vidas, fazia repensar. Mesmo novinha, suas estorinhas infantis já possuíam essa característica.


Chegou a adolescência e já tinha uma coleção interminável de escritos, romances, contos, histórias infantis. Passava o tempo entre os poucos amigos que tinha e sua paixão pela leitura e escrita. Enquanto crescia sua forma de escrita também crescia porque treinava, porque praticava, porque lia para o seu aperfeiçoamento.

Não se importava muito com as coisas que os outros se importavam, então se tornou adulta, culivando sua grande paixão: a palavra escrita. No dia do seu aniversário de 25 anos terminou um grande romance, lindo! Seu professor da faculdade leu e disse que aquele romance revolucionaria a arte, a pós-modernidade. Saiu da faculdade feliz, chegou em casa sorridente. Mostrou o livro a mãe, disse tudo o que o professor lhe informou, sua mãe deu-lhe um basta! Falou que ela já estava velha para sustentar uma vagabunda de 25 anos e a filha já estava velha para ficar vivendo de fantasias.


Foi no quarto da filha, pegou todo o seu acervo, inclusive os livros da faculdade. Tudo! Tudo que era leitura, tudo que ela podia destruir, destruiu. Pegou o futuro famoso romance das mãos de Kate, a jovem não fez nada, não sabia lutar no mundo “real”, apenas no mundo da escrita. Então, atônita viu todas as suas obras no fogo, sua vida não havia terminado, porque tinha certeza que conseguiria refazer tudo, batalharia cada dia de sua vida para isso. Mas aquele dia foi o dia mais triste de sua existência, sentiu morrer o seu grande amor, só não desistiu de reconstruí-lo e recomeçaria no dia seguinte.

Só que no dia seguinte a mãe estava feliz, como nunca estivera. Kate espantou-se, depois descobriu porque. Iria começar naquele dia, 11 de Setembro de 2001, seu primeiro emprego, no World Trade Center. Seria secretária de um escritório de advocacia. Sua mãe estava feliz, via na filha a realização do seu sonho, sabia que tudo agora daria certo!


O final dessa história, não preciso contar, nós já sabemos. Mas acho que a mãe de Kate enterrou feliz a filha. Porque com seu grande amor queria o melhor e o melhor para a jovem não era ser escritora, então estava feliz porque o último dia da vida de Kate ela foi o melhor que poderia ser: secretária! E aquela tralha toda de escrita, estava destruída, nunca iria influenciar mentes inocentes a viver aquela fantasia! Ser escritora, ora, onde já se viu!
Margareth Sales

domingo, 31 de outubro de 2010

Tolerância

Tenho conhecido muita gente que crê que está acima do bem e do mal, gente que não quer ser confrontada, desafiada, gente que não consegue ouvir o outro. Gente sem tolerância, parece sentir-se deuses, pensar ser Deus é achar que sua ignorância e seu bloqueio pessoal ao outro, causará a este um profundo abalo emocional. Allôoooo, se você excluiu o outro por um simples ato de “Gerência Divina” com certeza não é a outra pessoa que precisa ser revista, mas você mesmo!

Na realidade os sentimentos, parecem amigos íntimos, eles se unem com os mais parecidos e andam de mãos dadas por ai. Então junto com a intolerância você sempre vai encontrar a prepotência. Para mim a característica mais marcante da prepotência é acreditar que nunca esteve errado; o outro errou, eu? Nunca! A prepotência incorpora também a noção da suprema importância da sua pessoa. Pois nada anda, nada será realizado sem sua mão divina para intervir nas circunstâncias. Essa superioridade é falsa, como se essa auto-afirmação de que é uma pessoa tão especial consiga fazer com que o universo conspire para que você tenha superado os demais, na sua cabeça, com certeza! Na realidade: vai sonhando...

Capacidade de tolerar pressupõe maturidade, essa correria e essa falta de paciência, traduzida por intolerância com o outro é imaturidade pessoal.
Intolerância é falta de maturidade, porque conheço a bastante tempo o tema, haja vista que estou cercada por ele, igual a um náufrado cercado de águas por todos os lados, em uma ilha. Diante disso não é um tema que me é difícil desenvolver, o mais difícil talvez seria parar de escrevê-lo.

Observe-se que é muito mesquinho, depois de tantas promessas de tanta força para provar um sentimento, que pode ser verdadeiro ou não. Optar pela vingança fria e cruel, o que demonstra o mais profundo grau de imaturidade.

Tolerar então é o oposto da mesquinhez. Porque pressupõe admitir outras formas de pensar que não seja a sua. Isto é, aceitar o outro em sua totalidade. Haja vista, que isso é muito difícil porque quando esse outro faz algo que não gostamos, usamos logo a palavra: “vergonha alheia” tão difundida nas mídias sociais.


Vergonha alheia? Que conceituação mais perniciosa. Porque devo sentir vergonha do outro? Porque não me olho e sinto vergonha de mim mesma? Não, mas eu, o supremo ser da perfeição, não cometi tal erro, não me envergonho, tenho sim é vergonha desses pobres mortais que se comportam de maneira tão embaraçosa! E eu com minha famosa varinha mágica: A Gerência Divina, posso impedir, por quaisquer meios baixos que eu dispor, de que aquela pessoa me envergonhe!


De certo, isso é um traço bastante infantil, ou melhor, adolescente, pois são esses que se envergonham de qualquer gesto daqueles que os amam, os pais. E esses pais, em função do amor, nunca fizeram de verdade nada para envergonhá-los, mas esses acham que sim.


Particularmente não verão intolerância em meu caráter, apesar que vez ou outra, erro, porque não sou perfeita. Mas assim, que verifico o erro procure me redimir, faço isso com técnicas femininas de persuação e sedução, porque é muito chocante tanto para mim quanto para a alteridade: “desembuchar”, há um certo desconforto nessa posição, então ao poucos vou demonstrando o meu erro e se sou confrontada admito de imediato!

Quando não sou adepta da tolerância, quando faz mais parte de meu referencial simbólico, julgar, ajudar a derrubar quem já está no chão. Então, outra priminha da palavra intolerância e prepotência se une, a famosa: intransigência! Essa veio fechar o ciclo ou circo?

A intransigência é se despir da tolerância é não transigir, ou seja, chegar a um acordo. E essas pessoas são austeras, muitas vezes mascaradas por uma película de bondade, mas arranque a película. O que sobra?


São pessoas severas com o outro, com seus erros e suas falhas, de novo: não confunda sorriso tolerante com tolerância, sorrisos podem ser forjados, o mercado de trabalho ensina como. Mas a severidade está em não aceitar que o outro seja diferente de você, não assuma suas posturas, ou mesmo, não compre as suas brigas quando sabe que são brigas sem sentido.


Não posso deixar de pontuar que amigos verdadeiros compram a briga dos outros, mas não compram a partir do momento que sabe que é uma briga de umbigo e que não é por justiça, apenas por competição.


Por fim, a rigidez pessoal em não ser tolerante em não aceitar os erros dos que te circundam. Principalmente, não aceitar o PRIMIERO e ÚNICO erro daquele que está sempre ao seu lado é caso sério de intolerância. E a receita: olhos mais benignos, amar o outro como a si mesmo, lembrar que você já chapou e causou tristeza aos que te amam, não intolerância! Então, se é época de eleição primamos por democracia e que essa comece, em casa, pela tolerância, nosso slogan: Mais tolerância para o mundo!

Margareth Sales

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Minha inferência final de Lost

Na cena final de Lost e na cena de entrada vê-se um tênis, referenciando o tempo corrido. Bem, a primeira resposta para o primeiro episódio: Lostzilla não podia pegar os candidatos e nem os que lhe poderiam ser úteis no futuro. Vicent passou a ser o espírito da ilha, ele sempre esteve lá nos grandes acontecimentos, levado pelo Walt que possuía poderes telecinéticos e governava os animais.

Eu vejo que para melhorar a relação com Lost depois do péssimo último capítulo é ver que as respostas vieram, não todas mas as mais importantes durante todos os episódios.

Se a conversa de Locke com o Jack no dia em que ele achou a caverna é verdadeira, então a razão de Jack está na ilha é banal. Ver Jack perder a vida para proteger a ilha, ou seja, as pessoas que voltaram para casa no Ajira ou os que ainda restaram na ilha, como as crianças e a Cindy que estão vivos lá, mas como telespectador preferia muito mais.

As cenas de Locke parecem, realmente que ele morreu ao cair na ilha, a segurança ou talvez ele, de certa forma, foi possuído. E realmente, há margem para várias interpretações pois ficou provado no final que os produtores não sabiam o que estavam fazendo. Ou então, não sabiam como conduzir o final.

Os olhos branco e preto de Locke demonstram a predilação do Lostzilla por ele, desde a época do sonho de Claire. Vê uma coisa borrada junto a Claire tem sentido, provavelmente, já é o Flocke que a influenciará, parece então que o fato da claire criar o Aaron tem mais a ver com o Aaron afastá-la do Flocke, quando ela entrega-o para ser criado por outra pessoa, fica suscetível ao domínio do Lostzilla. Então, nessa parte “parece” que eles sabiam o que estavam fazendo. Você vai assistindo e a sensação de que o final ficou desfocado, nada tendo a ver com o todo, é imensa.

Percebi uma nova situação ao rever Lost, não era o Walt que estava no msn anos 80, mas sim Os Outros. Walt realmente não tinha acesso ao computador, a intenção do Ben Linus, já era manipular Michael para chegar a Jack, por causa da operação.

O que não me deixa é a ideia de que Locke caiu morto na ilha, ou “algo parecido”, no episódio que é necessário que se batizasse o Aaron. Locke faz oposição veemente à isso se colocando contra o próprio Ecko, que obviamente passou por tudo que passou e servia a Deus. Locke não, ele não chegou a ilha recuperado de suas questões, mas preso ao conceito do coitadinho, vítima do pai cafajeste. Um mistério nunca resolvido é: como Sun usa branco na horta dela e não se suja? rsrsrs.

Ben Linus foi atrás do Jack quando capturado por Rousseau. Então ao ver em Locke seu desespero para ser alguém, se sentir alguém, acabou por dizer que veio em busca dele, mais uma mentira de Ben.

A história de Libby é bem tranquila: ela amava o marido, marido morre, ela se interna voluntariamente por depressão, only... o resto sabemos!

Bem, como escrevi isso revendo as 6 temporadas o pensamento foi clareando... Lostzilla influencia a todos da ilha e mais ainda ao Locke, porque ele é fraco e suscetível. Então, Locke caiu na ilha Locke mesmo, mas totalmente influenciado por forças maiores que ele.

Obviamente, a mãe de Faraday é uma viajante no tempo, ainda que não tenham desenvolvido “direito” o final dela. Mas alguém que sabe muito sobre Desmond, só poderia realmente, ter vindo do futuro por tal conhecimento.

Segundo a tatuagem de Jack: “Ele anda como nós, mas não é um de nós”, só significa que ele seria o novo Jacob porque deixar ele morrer e passar o cargo para o Hurley? Sucks, os produtores cagaram tudo!

Mikcail Bakunin conhecia o Jacob, por isso que não morria tão fácil, ele foi levado para a ilha por algo maior que o Ben: Jacob. Não foi a ilha que curou Locke, mas sim Jacob que não deixou ele morrer e ao cair na ilha ele se cura, pelo toque que já havia recebido do Jacob. O Ben foi o único problema da ilha, o que gerou toda a confusão e mortes. Ele agiu desde o começo como psicopata, mas ele se arrependeu.

Obviamente, a viagem no tempo influenciou o agora, se não fosse dessa forma, não haveria porque Daniel Faraday chorar tão compulsivamente com a queda do avião. Haja vista, que a assertiva é verdadeira porque a própria Eloise Hawkings é viajante do tempo. O que “parece” é que eles se perderam e não souberam desenvolver isso.

Não há nenhum mistério em cima da garotinha loira do Ben, ela só foi colocada lá para demonstrar a insanidade desse ao se apaixonar por Juliet. Bem, a garotinha loira foi a úncia pessoa que gostou do Ben, naturalmente, que deve ter deixado a ilha quando a bomba explodiria e o Ben tendo um comportamento psicótico é natural que ele quisesse trazer de volta. Por isso essa substituição e loucura com a Juliet.

Enquanto isso, Flocke por odiar o homem viu em Ben, o grande arquitetador de seus intentos que culminaria na morte do Jacob. A obcessão do Ben com relação as grávidas da ilha é uma forma de reviver a mãe, morta na concepção. Obviamente, então, ele não iria descansar até ver uma grávida dar a luz. Nesse caso, mais um ponto para Juliete e o amor louco dele por ela. Além de se parecer com sua amiga de infância ainda é pesquisadora na área que ele precisa de mais cura: fertilização e concepção!

O sonho do Locke com o Horace quer dizer que o tempo gira e, quando ele diz que Jacob, espera há muito tempo por Locke, já sabemos que não é o Jacob que espera, mas o Flocke. Parece que o Widmore lembra-se do encontro com Locke quando era jovem e parece providenciar tudo para quando Locke “cair na ilha” novamente. O Walkabout é uma prova disso, como o funcionário dele dando o caminho das pedras para o Locke.

Então, fechando o raciocínio, a turma do vôo 815 estava num loop temporal até conseguir romper com ele com essa última explosão da bomba. Onde a Juliet já do outro lado da vida diz que funcionou e o Jacob diz que as coisas se repentem até o momento que cessa. Quer dizer, eles viveram várias vezes essa situação e a última eles conseguiram romper com o ciclo temporal da ilha e culminou na morte do Flocke, definitivamente.

Ao assistir o episódio final de Lost percebi o quanto a mensagem final foi filosófica sim, mas niilista, onde descrê de Deus como supremo arquiteto e coloca nas mãos de homens frágeis o ônus de segurar as pontos diante de um mistério espiritual que nem se dão conta... Bem, contemporaneiamente apreendemos Deus dessa forma, um Deus maniqueísta, apontando ai ainda para a própria visão de Lost que coloca na mão de Jacob um humano frágil como todos, mas milenar que tinha esse dom, o de viver muito tempo no espaço contínuo.

A referência do Lost é que não existe um Deus que cuida, mas pessoas que errando acabam por acertar. Humamente bem colocada a questão, filosoficamente, nos tira da nossa caverna a exemplo da Alegoria de Platão. Mas não creio na inferência humana desconcertada do homem sobre a vida, por isso, creio sim que a um soberano olhar sobre o homem sempre. Um olhar de pai mesmo, o mesmo olhar que o Jacob com a maturidade passou a ter, mas que nunca o caracterizou como divino, ele não era. Portanto, creio na divindade de um só Deus criador e controlador dos céus e da Terra, não maniqueísta, não mesquinho, mas amoroso.

De qualquer forma, todas essas verdades só serão conhecidas quando nós mesmos encontrarmos nosso loophole ou a brecha que quebra a função terrena para nos levar para outra dimensão. Céu? Na minha concepção. Ou o limbo? Na concepção de Lost? Vamos esperar.

Margareth Sales

domingo, 17 de outubro de 2010

O débitos e os créditos da amizade: sobre os que se oferecem como amigos quem paga a conta?

Quando eu era criança li um livro intitulado: “pai, me compra um amigo”, era um livro da série vagalume, o conteúdo não lembro, mas o título ecoa de vez em quando em minha mente... Quem são estes que compram um amigo, e, principalmente, quem são estes que se vendem como amigo?

Se são mercadorias, há que se, então, agregar valor a estas e que valor tem uma pessoa que se anuncia em um outdoor e se vende?: “Aí freguesa! Na minha mão é mais barato!” Ouvi de uma dessas que se vendem: “Mas como? Fulano é seu amigo? E ciclano?” A resposta esperada era: “Obrigado, grande salvador! Você me abriu os olhos... Então chego a conclusão de que não tenho amigos, só me resta então te incluir na minha lista e te aceitar como tal, pois do contrário como poderei viver?!”

O que quero pontuar é o quanto o outro se encontra tão superior, tão ciente do funcionamento sistêmico do planeta que ao primeiro deslize seu intervêm de modo abrupto e coercitivo, como se tivesse esse direito. O que acontece é uma confusão emocional de crer-se numa posição que nunca lhe foi dada, obviamente, tenho visto amizades do tipo compartilhar, dividir o espaço, entregar a chave e pedir para o outro ir lá e buscar algo. Mas isso não concede o direito de cecear comportamentos ou, mesmo escolhê-los, bem, hoje você poderá ser comportar com seu melhor comportamento x, amanhã a família Mané se encontrará aqui, então, não me envergonhe e só use o comportamento y. Reflexivo? Com certeza.

Há que se entender que comprar amigos pressupõe uma obrigação inerente a toda compra. Como possuidor da mercadoria tenho a obrigação de seguir tais e tais regras de contrato, a generosidade inerente a toda amizade não mais existe, e em seu lugar fica o débito da cobrança.

Convém salientar que os que cobram pela amizade que devotam possuem um grande saldo devedor muito maior que qualquer dívida externa, ou mesmo maior que qualquer preço poderia pagar. O que quero dizer que é sempre uma cobrança injusta que não conta, nunca, com a possibilidade do outro ver liquidadas suas dívidas, mas conta, apenas, com o fato de saber que o outro será sempre um devedor eterno.

Isto pressupõe, sem dúvida, uma capacidade inerente de manipulação do outro, assim como de qualquer evento, circunstâncias que possam ocorrer em qualquer momento da vida do sofrido devedor. E o credor é tirano, opressor, pois se coloca na posição de farei tudo pelo outro para receber em troca a própria alma, e paz, do amigo. Fica a pergunta: ainda que do lado de fora pareça ser uma amizade devotada é esta uma amizade real?

E quando não conseguem o que querem formam conluio, primeiro usando a premissa mais mesquinha e incapacitante que o senso comum criou: “Todo mundo está falando!”. Se essa cartada não funcionou ainda resta a aliança com aquele que você sabe tem sido parte dos maiores problemas da vida do seu “suposto” amigo. E ainda joga mais pesado, escondendo essa pessoa ao seu lado e quando a buscam com a cara mais deslavada responde: “ela não está aqui!”

Além do que, como não se valorizam como pessoa, supervalorizam essa amizade, o que cria mais uma vez um tipo de obrigação, que se encontra muito longe da generosidade. Estes ficam “passados” quando um outro alguém toma atitudes consideradas inaceitáveis, não sabendo que os mesmos já tomaram a mesma atitude em inúmeras outras situações. Para estes a amizade se constituem no quanto se pode dar!

Todas essas colocações acabam por criar um relacionamento doentio e neurotizando, haveria saída para o crescimento deste? Talvez, porque a partir de uma perspectiva humana em um momento ou outro todos possam se vendem como amigos. Porém o grande diferencial é a quantidade e o desespero inerente a esta venda, se em nenhuma das duas partes há uma profunda consciência de valor pessoal ou mesmo o nascimento, ainda tímido dessa, não há solução a amizade definha...

Do contrário, a tolerância com o outro, admitir minhas próprias falhas e, principalmente, de uma vez por todas encarar que não sou perfeito e que erro sim. Assim, poderá haver uma luz no fim do túnel, cuidado para que não seja um trem! Pois há que se esclarecer que diante de várias circunstâncias inusitadas que a vida impõe, o atordoamento gera comportamentos confusos, mas restabelecido o equilíbrio a disposição a seguir em frente prevalece. Resta saber se esse seguir em frente será sozinho ou poderá ser ao lado de um amigo de verdade.
Margareth Sales

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dia dos Professores


O que é o dia dos professores? É o momento que se lembram de dar presentes porque gostam daquele pessoa, a professora. Frio? Sim, na totalidade. Obviamente, que todo professor gosta dos presentes e de ser lembrado, mas... ser professor é muito mais amplo.

Ser professor não é montar continhas que você já usa há duas décadas de profissão, mas é ensinar que aquelas continhas servem para a superação dos que te dominam. E tanto faz se você decorar ou não a tabuada, porque primeiro em todo lugar para onde você olhar terá uma calculadora, mas e na hora da prova? É só provar que entendeu a matemática, perca alguns segundos e coloque com o lápis a tabuada para consultar, é só somar o número de vezes que você pretende descobrir do valor dado, afinal de contas, cobrar, principalmente do adulto que ele decore quando já há milhões de coisas a serem decoradas no dia-à-dia é contraproducente!

Ser professor, na verdade, é amar o conhecimento, é amar tanto o conhecimento, tanto o saber que você deseja transmitir esse para todos os que te cercam, você começa a querer ensinar e procura, sempre quem queira aprender. Além disso, ao procurar quem queira aprender procura também que essa mesma pessoa lhe ensine porque todos ensinam e todos aprendem. Nessa inter-relação o professor se torna educador.

Educador porque acima de tudo ama a leitura, porque aprendeu desde cedo que é a leitura que elucida questões a serem dirimidas. É o olhar interrogador para fora, para além de si mesmos que fornecem respostas para questões profundamente ontológicas. Esse processo de ler não se finda somente com esse movimento para fora, mas se fecha com o mesmo movimento para dentro, ou seja, a introspecção lendo o que seus próprios processos interiores dizem.

Lendo mais uma vez o professor educada, educa para a compreensão da leitura, para a paixão pela leitura que se faz condição sine qua non de mudanças. Mudanças forjadas na leitura do todo, do mundo, na apreensão cognitiva de pressupostos enraizados na reflexão, na crítica e na construção.

Leitura, conhecimento, professor, educador andam juntos, sempre, desbravando novos horizontes, curiosos de novidades, devorando tudo por meio da práxis da leitura. Desse modo, não deixando que o conhecimento passe despercebido, mas sempre vigiado, buscado, sentido o professor-educador passa seu dom de crescimento, de viver sempre nesse permanente devir em busca de um horizonte maior; para seu aluno, alvo de sua devoção, amor, paixão, solidariedade, companheirismo e alegria. Por isso, vamos aproveitar o hoje, 15 de Outubro, feriado para professores e alunos para esticar as pernas num local gostoso em frente a praia para bater um papo animado e estimulante, sobre conhecimento, leitura e escrita! Quem topa? Eu já estou dentro!
Margareth Sales

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Classificados


Vende-se um coração: - 1 Quarto, habitado quase 40 anos pela mesma dona, a única vez em que o coração não dormiu sozinho naquele quarto solitário, o príncipe que dormiu de conchinha ali, virou abóbora e desapareceu correndo sem deixar o último beijo de despedida. Mas como essa crônica é as avessas, de trás para frente ou de dentro para fora é bem capaz de que se houvesse o beijo de despedida ao invés da princesa acordar, ela poderia acabar é dormindo para sempre nos braços gélidos do amigo, não muito íntimo de Morpheu: a morte!


- 1 Sala, não muito espaçosa, mas como o coração que habita nessa sala é enorme: sempre cabe mais um! A sala também tem uma história, eu acho que esse coração se encontra triste?! Será?! Mas como vender um coração triste? Coração é lugar de aconchego, de doação, de compartilhar. O coração falou no meu ouvido agora: essa sala também foi ocupada a bem pouco tempo e sabe quem fazia companhia, nessa sala, naquela poltrona azul à dona do coração? Era a esperança! A esperança veio feliz, vestida dela mesma e namorou naquela poltrona e foi feliz ali com beijinhos, abraços e carinhos impublicáveis nesse horário e nessa sala, ops: olha as crianças ai assistindo a TV!

- 1 cozinha, uma cozinha minúscula que mal cabem duas pessoas ao mesmo tempo nas cadeiras da mesa da cozinha! Eita! Que estou achando que esse coração é dos Sete Anões, tudo tão pequeninho. Não! De repente o coração é da Branca de Neve, afinal ela é mais bonita do que o bando de marmanjão anão. Mas vamos voltar aos classificados: nessa cozinha o coração alimentava a esperança, aquela que estava na sala e que depois de dormir no quarto de conchinha acabou virando abóbora e desapareceu na vida. Ali o coração tentou alimentar a esperança de amor para que ficasse bem forte e pudesse crescer saudável. Não funcionou! Acho que o coração estava duro e não forneceu os alimentos certo, ou não?! Vai saber, mistérios da vida.

- 1 banheiro: Shiii... O coração me sussurou algo novo. Ué? Quer vender-se e não quer vender o banheiro, como? Uma casa não se vende sem banheiros? Porque coração? Ah! Tá, entendi. Deixa eu explicar para os leitores: o coração disse que foi no banheiro, que ele foi agarrado de surpresa, pela esperança e recebeu seu primeiro beijo! Mas coração que coisa mais tosca, o primeiro beijo ser no banheiro. Ah! tá, entendi, deixa eu, de novo, explicar para os leitores, o coração disse que é assim mesmo, que a esperança aparece de surpresa, beija nos lugares mais inusitados, se nutre, fica forte e se transforma em amor...

Póooiiimmm (barulho de coração murchando), bem para esse coração aqui não funcionou e ele se encontra à venda, o preço é a fé, se alguém tiver fé para dar, o coração se vende para a fé. Dentro ou misturada com a fé, o coração vai atrás da esperança para que essa, finalmente, se transforme em amor... É tudo uma questão de TEMPO! Aliás o tempo acabou de se colocar a venda também, esse espera ganhar mais tempo, para ter tempo de fazer o tempo sobrar!!!!
FUI!!!!
Margareth Sales

domingo, 26 de setembro de 2010

Cego guiando cego


Vamos nos reportar a História, mesmo sendo Cristã, me autodenomino assim porque minha crença fundante é Cristo e tudo o que Ele fez quando veio para a História. Diante disso, toda vez que o cristianismo se proliferou, como praga, nunca trouxe boa coisa, quando o fazer de Cristo, torna-se cristianismo, como prática religiosa, muitos morrem ou talvez muitos perdem, que não deixa de ser uma morte emocional também.

O cristianismo que vejo e o que critico é aquele que leva ao céu, ainda que eu creia nesse, o que não creio é em vários atos de altruísmo, a custa mesmo da própria liberdade pessoal para se conseguir um fim: salvação! Exemplificando: me divorciei há anos, namorei e de repente minha ex-esposa MALA-SEM-ALÇA-E-SEM-RODINHA aparece: “Cheguei?!” Me sinto na obrigação cristã de ficar com ela e expurgar a minha maldade humana. Alôoooo!!! Isso não é cristianismo, procure um psicanalista e descobrirá o mal que sofre.

Uma coisa que tenho aprendido ao longo da vida e, principalmente, nos últimos anos: é muito difícil apreender Deus, eu pensei que o conhecia, mas ao longo do tempo e ao longo da minha caminhada eu acabei descobrindo que muito pouco sei Dele. Conhecemos mais baseados na filosofia ou mesmo na religião, porém Deus mesmo se apresentou muito pouco a humanidade e, para alguns, isso só seria conto da carochinha...

Para mim, a Bíblia tem razão e principalmente quando ela diz a respeito de Deus: que é mais profundo que tudo o que tenha de grande, quem pode entendê-lo de verdade? Quem foi seu conselheiro para que Ele se tornasse em função dessa pessoa?

Dessa forma, a primeira questão está levantada, será que é tão fácil assim saber quem Deus é de verdade? E junto a essa questão pontuo: porque “todos” acham que já entenderam Deus? Aliás, esses fizeram pós-graduação, mestrado e doutorado de Deus, ai de você se questionar, vai direito para o inferno sem passagem de volta. E com certeza a mão do Senhor pesará sobre você!

A grande questão que pretendo levantar aqui é o fato bíblico de que cego guiando cego, só tem um final: os dois vão para o buraco! E quem é cego? O ser humano em si é cego ou, para não ser tão dura, vê apenas as sombras, já dizia Platão em sua Alegoria da Caverna. Mais contemporaneamente, livros e filmes mostram essa mesma cegueira, temos O Ensaio sobre a Cegueira do Saramago e o filme Matrix demonstrando que algo acima do nosso conhecimento nos é velado. A Bíblia corrobora isso: “Agora vemos em espelho, de maneira obscura; então veremos face a face. Agora conheço em parte; então conhecerei como também sou conhecido” - I Cor. 13:12 e “Deixai-os: são condutores cegos. Se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova” - Mat. 15:14.

Eu não sei quem é Deus, aprendi isso a bem pouco tempo, sei de mim, sei de situações que me fizeram sair da caverna, sei de momentos em que vejo todos cegos e eu posso ver, a exemplo do Ensaio sobre a Cegueira e sei que em diversas situações me despluguei da Matrix. Mas não sei muito de Deus, do pouco que entendi foi que Deus fala por signos, por meio da semiologia, ou seja, a palavra é o princípio de Deus e palavra é signo, é representação de um pensamento, uma ideia. Uma outra coisa que aprendi é que no fundo de nossa alma, lá no fundo mesmo, somos muito sozinhos e nessa solidão eu peço a Deus que me faça companhia.

Hoje, depois de tentar tirar as traves do meu olho, como também diz a Bíblia, eu vejo um evangelho de culpa, uma igreja de ascensão financeira. Vou falar na prática, vou citar exemplos reais, de gente que se acha real, mas é cego, tomado por culpas psicológicas e vivendo em cima do imaginário, pensando fazer a obra de Deus, mas lutando para salvar o próprio umbigo do fogo do inferno.

Tenho amigos que viveram estórias diferentes: ela filha de uma casa com 4 irmãos, 2 meninos e duas meninas. Um dos irmãos, completamente louco era o xodó da mãe que largava todos os outros filhos ao seu bel prazer. Ele, seu marido, alguém que por si mesmo, sem motivos se sentia mal em seu próprio corpo que ao pegar um pouco de idade foi para uma academia malhar e depois ao se ver “bonito” saiu curtindo todas: mulheres, bebidas e etc. Nenhum dos dois se encontraram e pararam de paraquédas dentro da igreja, foram doutrinados a achar que cumprindo todas as pré-etapas bíblicas suas vidas mudariam. Quando os visito aindo sinto a dor deles, a angústia ainda é profunda, mas cegos, olham para mim e pensam: “Se ela não voltar o mais rápido para a igreja, tadinha, inferno na certa!”

Uma conhecida, ela, lar evangélico, ele, lar evangélico, se casam depois de uma idade avançada, ela: não realiza seu sonho: ser mãe, ele resolve sair do pais e trabalhar em seu pais de origem. Ela: manda e-mail e fala para ter cuidado que a morena aqui está solta. Ele: não dá a mínima. Ela: batalha para ir ao encontro dele em outro país, minha pergunta: eles ainda estão casados? Não tenho resposta, sou cega. Quanto a mim ela pensa: “Se ela não voltar o mais rápido para a igreja, tadinha, inferno na certa!”

Minha vizinha, fofocas da vizinhança: sempre odiou a mãe de criação, mulher rica, morreu não faz muito tempo, durante toda a vida, sempre angustiada, sempre parecendo estar no meio do caminho. Tive uma conversa um dia desses, ela bateu no meu portão e dentre a sua fala, pensou: “Se ela não voltar o mais rápido para a igreja, tadinha, inferno na certa!”

Vamos parar por aqui, porque poderia ficar páginas tecendo angústias, dores e conflitos de pessoas que dizem estar acima das angústias, dores e conflitos. Depois, dependendo da lua claro, dizem que tem sim: angústias, dores e conflitos mas o Senhor vela por elas e tudo está nas mãos Dele. Eu creio que existe um Deus e que governa o universo, mas não creio na verdade dessas pessoas, muitas vezes essas até acham que estão sendo sinceras, mas eu vejo pessoas mentindo para si mesmas.

Numa sociedade como a nossa, massacrada por uma distribuição injusta de renda, não tendo voz não seria fácil que um evangelho que pregasse prosperidade entrasse com tanta força em nosso meio, até mesmo dentro da política, para recuperar a voz perdida nas senzalas da vida.

O que eu mais vejo são pessoas no último grau de culpa, totalmente fragilizadas, mas que se regozijam ao ver o seu próximo vacilante, porque quando esse cai, é a única possibilidade que eles tem de se sentirem, de imaginarem estar acima de algo, das circunstâncias. Em Apoc. 3:17: “Dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta. Mas não sabes que é um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”.

Uma dessas pessoas citadas anteriormente me disse: “Você quer que Deus pense de acordo com seus pensamentos!” Fiquei sem fala, quem disse que talvez eu não queira, realmente, isso. De repente estou eu lá, tentando ser melhor que Deus e tentando salvar quem Ele vai mandar para o fogo do inferno. Não sei o suficiente para responder isso. Mas já tirei mais uma trave do meu olho e sei que se um dia, lá no juízo final, aquele irmãozinho homossexual for salvo por Deus, mesmo sem nunca ter se arrependido... Posso ter certeza, a minha amiga, vai levantar o dedo colocar na cara de Deus e dizer: “Você me traiu, você prometeu que ele iria para o inferno e ele não foi!”

Ou seja, essas pessoas que se acham salvas e citam a Bíblia e o quanto estamos aquém do que a Bíblia prega, nunca em nenhum momento tem misericórdia dos que sofrem. Mas estão tão impregnados do que a letra da Bíblia diz que, de forma nenhuma, aceitarão a misericórdia de Deus, pois confiaram muito mais no juízo de Deus do que em sua justiça amorosa!

Sei lá, não sei realmente o que dizer... Só sei que “misericórdia quero e não sacrifícios” - Os. 6:6a - falam mais ao meu coração do que a lista dos infelizes do apocalipse que vão para o inferno. As bem-aventuranças para mim são música e me traz paz porque desde muito nova guardei no meu coração que “Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados” - Mat.5:4, e sei no fundo da minha alma, no fundo do meu espírito que, um dia, tudo o que chorei será consolado e não tenho dúvidas, nenhuma dúvida, nenhuma culpa, nenhum peso por pensar do jeito que eu penso, por acreditar no que eu acredito e por ser TODA da forma que eu sou.

Mas há cegos querendo me guiar, há cegos que até postam versículos biblicos no meu blog me pedindo para escolher, há cegos que se angustiam comigo porque como aprendi no meu primeiro período de psicologia, não me encontro na curva da normalidade, nunca aceitei em 21 anos que passei dentro da igreja evangélica 30% do que eles pregam. Já se surpreenderam comigo, porque depois que eu sai da igreja mudei muito, sinto dizer: nada mudei, apenas fiquei 21 anos escondendo minhas crenças e minhas verdades. E dentro dessas crenças, nunca me deixei ser guiada por cego, já me deixei ser abatida por eles, mas “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados, perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos” - II Cor.4:8-9.

E para finalizar eu ouvi esses dias de alguém que não dá para servir a Jesus estando fora da igreja, tipo: ela falou com tanta certeza que vejo que é mais uma que se descobri que está errada, rasga a Bíblia! Eu não rasgo a Bíblia, mas já fui cega tantas vezes, errada muitas outras e não rasguei a Bíblia, nesse iterím fui acusada de que não adiantava nada conhecer a Bíblia se não estava mais dentro da igreja... Discordo: se acham que conheço a Bíblia apenas de conhecimento teórico, vocês ficariam angustiado ao perceber que todos os versículos citados brotaram naturalmente e que não precisei fazer esforço de busca para que esses fossem se encaixando no texto, eles foram aparecendo e eu fui escrevendo!

Sobre Deus, mais uma coisa sei: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juizos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele e para ele são todas as coisas. Glória, pois, a ele eternamente. Amém”. - Rom. 11: 33-36.
Margareth Sales

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Caia na real

Cair na real é um termo moderno para dizer que você deveria é enfrentar a vida com mais maturidade. O interessente é que cair na real é um termo jovem ou mesmo adolescente e de uma profundidade impressionante. Porque digo isto, porque conheço bem poucos que cairam na real, conheço milhões que se auto-iludem até mesmo dentro da igreja e dizem: “Encontrei Cristo, estou salvo, não tenho mais problemas!”. Olhe bem no fundo dos olhos dessa pessoa, olhe de verdade, você não tem coragem, né? Claro que não! A maioria não tem, mas você, como eu, sabe que é tudo auto-engano, que ninguém conseguiu nada e que ninguém mudou nada, talvez só números, pois os números de pessoas que se dizem “salvas” crescem tanto!


Bem, então posso dizer com convicção que os acima citados não cairam na real e quem caiu? Como já disse, tem tão pouco... Então, qual seria o primeiro passo para cair na real? É parar de apontar o dedo para os outros e esse outro pode ser sua mãe, seu pai, seu namorado ou quem sabe mesmo até dizendo que é algo maligno (acredito que esse Maligno se não fez, ficará muito feliz de receber o crédito).


Obviamente sei que meus textos tem sido uma verdadeira caça contra o sexo masculino, vide o texto: A caçadora. Mas vamos cair na real, isso não é verdade, porque sempre foi do meu conhecimento que não existem OS canalhas. Homens que se encontram ai somente para ofender a pureza de uma virgem e as destratarem, tanto homens quanto mulheres são capazes dos mais vis sentimentos em contrapartida também dos mais nobres.


Isso significa que não há uma diferença de genêros, homens = canalhas, mulheres = vítimas injustiçadas da vida. Cada um é o que é de acordo com as circunstâncias vividas e uma certa dose de pré-determinação pessoal, nunca uma folha em branco criado somente pela sociedade, mas um misto de conhecimento do que vive e conhecimento inato.

Diante disso, digo que culturalmente sim, as mulheres vivem uma espécie de síndrome de Cinderella, não sempre, e não todas. Mas essas tem esperado durante muito tempo um príncipe encantado que as tire do marasmo que vivem e ainda pensam: “Nada fará sentido até o momento, que tivê-lo ao meu lado”!

Essas realmente são verdadeiras Cinderellas esperando sempre que algo, alguém de fora tome decisões sobre suas próprias vidas sem conseguir fazê-lo sozinhas. Big Mistake e cai na real!


Porque cair na real senhoritas moiçolas injustiçadas pelos infames 171 que apareceram na sua vida? Porque se tem mulheres que caem no conto do vigário ou então compram o Pão de Acúcar, cai na real, não é o seu caso, você sabe que é bem mais madura do que isso! Senhorita, o que você precisa não é de um Princípe Encantado para te defender do mundo mal, você faz isso e muito bem... O que você precisa, bem, repitam comigo agora: CAIR NA REAL!


Bem, senhorita Cinderella realmente você que tem feito de sua vida um conto de fadas e testá pensando que eu não sei? Que não estou de olho em você há um tempão, você reclama da miséria da sua vida, mas não quer ninguém, vive dessa ilusão, esperar que o príncipe ou o Senhor Perfeito surja. Quando alguém real aparece pira, atribui defeitos onde nem mesmo se fez um defeito. Se assusta facilmente com qualquer menção de intimidade, afinal de contas esperar sempre por alguém irreal é muito fácil, né?


Ai, claro, você diz para o seu prometido: “Mas você não constrói nada no real, nem emprego você tem!” e você grande Gata Borralheira tem a tecnologia de ponta e já se acha a MULHER MADURA! Alllôooo! Você não cresceu também... Lembra do último relacionamento? Aquele em que você apostou tudo porque sabia do grande amor que ele teria por você e com certeza ele mudaria por sua causa... Mas... sempre ficaria no ideal, nunca passando para o real. E como eu posso afirmar com tanta clareza essa premissa? Onde vocês tinham o relacionamento? Ah! tá! No msn, então... cai na real!


Agora, chegou esse imperfeitinho, meio histérico ele, né? Quer que eu defina histeria? Direto do Aurélio para você:



“Psicopatia cujos sintomas se baseiam em conversão, e caracterizada por falta de controle sobre atos e emoções, ansiedade, sentido mórbido de autoconsciência, exagero do efeito de impressões sensoriais, e por simulação de diversas doenças”.
Traduzindo: o ser histérico vive no mundo do desejo e não da vontade. Como assim? O desejo deseja... suspira... espera... A vontade tem braços e pernas e faz, ou seja, constrói.

E você atribui a ele viver no mundo do ideal ao invés do real, já se olhou? Já caiu na real? Quem é você para apontar o dedo para o pobre do meliante se você mesma quando começa a perceber que ele chegou perto demais, que talvez ele foi ombro demais... O que você faz? Inventa um sonho maluco e delirante, onde sabe que pode atingí-lo porque ele é supersticioso e esquece-se completamente que do outro lado também tem uma pessoa que tal como você está morrendo de medo e que quer muito ser feliz, mas que também não foi ensinado como.

Finalizando, não é só os homens do meu texto que são os sem-senso, nós também somos (e aí eu me incluo) e o que precisamos? Uma boa dose de conhecimento pessoal, obstinação para ir em direção ao real e parar com o ideal. E, principalmente, levar uns tapas da vida, só para cair na real e responsabilizar-se pela própria vida sem atribuir ao outro qualquer falta, tendo carinho e cuidando do coração do outro.

Margareth Sales
Ode à rebeldia

Querido diário, ou poderia ser Twitter também: Só queria falar nessas parcas folhas que tenho todos o direito à embriaguez... Já vi gente se envenenando de maconha, cigarro, cerveja e eu sempre na minha... Sem uma gota de álcool e nenhuma outra substância!

Porque na verdade há comportamentos responsáveis e os
irresponsáveis, os segundos estão por aí fazendo o que querem e perturbando a quem está ao lado deles. Os responsáveis não, sempre engessados em seus comportamentos, sempre previsíveis. Por isso, declaro a libertação dos comportados. Uma viva à rebeldia \o/ Hip hip hurra!

Então hoje eu queimo o meu sutiã, ou seja, vou tomar quantos rivotril eu quiser, não para me matar, quantos de vocês tomaram, usaram, cheiraram a substância que quiseram. Era para se matar?! Então, quero o mesmo direito, quero ficar grogue, quero o direito de esquecer esse dia no dia seguinte, porque fica tão bonitinho quando a Carrie Bradshaw e amigas fazem o mesmo? Na vida real parece que os “certinhos” se tornaram o exemplo da bomba relógio pronto para estourarem... Nada! Os bonzinhos só estão se dando o direito... O direito de terem o direito, de não serem incomodados de fazerem!


Porque quando Brian, do Queer as Folk usa substâncias ilegais é louvado? Porque esses exemplos são de séries de TV? Não! Porque a vida imita a arte, então se cada um teve o seu dia de chapadão, exijo o meu direito!

Assinado: James Jean & Janis Joplin em 2010 hehehe.
Margareth Sales

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A ida em vão



Sabendo-se que tudo vai, nada fica e que as situações estão em constante mudança, há que se perceber que ir, na realidade, não é nenhum bicho de sete cabeças, diria que até natural. Mas o que choca, dói, no fundo de nossa alma é a ida em vão e o que seria a ida em vão? Eu tenho um sinônimo para ida em vão = abandono!

O ser humano é a presa mais eficaz do auto-engano, se encontra sempre nesse misto de conhecimento e cegueira. Para alguns essa posição não incomoda porque não refletem sobre ela, porque não a ressiginificam, para outros é o inferno na Terra porque aprenderam que querem e merecem mais do que tem e por isso mergulham em um nível mais fundo de conhecimento.

Embarcar nessa viagem interior não é fácil, requer coragem, requer tempo para se ouvir, espaço para se sentir e chorar quando necessário! E esse terreno socrático, conheça-te a ti mesmo, não vem sozinha, mas pressupõe um movimento em direção ao outro para troca; para compartilhar.

E esse outro muitas vezes é a figura da sua paixão, o seu desejo que precisa ser realizado. Lembrando-se que esse desejo é ideal, não real, é o contato, os embates, os sustos e, principalmente, o tempo que torna esse desejo real.

O real constrói-se a partir da inserção da palavra dentro da natureza, que em si é hostil e essa hostilidade causa estranhamento, a partir desse estranhamento é que as pessoas não formam laços, deixam-se levar, deixam os outros irem, para não se comprometerem. A diferença entre o real e o ideal é a palavra dada, a palavra falada, o comprometimento de quem assume primeiro na palavra tornando o ideal em real. A palavra dada mesmo que insegura, trôpega, torna-se real porque pronunciada, porque mesmo diante dos medos, veste-se de coragem para manter o que foi primeiro dito.

A palavra é, então, um contrato. Sim, claro, é e sempre foi, ainda que alguns a queiram falsificar... Vão receber sua consequência, a vida cobrará a palavra dada, de um jeito ou de outro.

A ida sem razão é quando não se intenta ir, mas vai, cria-se uma dor, um buraco sem precedentes que torna todo o resto vazio. Em um sentido mais estrito, alguns relacionamentos são tão confortáveis que não causam mais estranhamento, mas também nem ao menos conduzem ao crescimento, vira uma espécie de show de horrores porque não queremos mexer com nossa acomodação.

Essa relação é em vão e torna tudo sempre tão neurotizante, tão frustrante, como se fóssemos Dom Quixote, sempre correndo atrás de nossos moinhos de vento. Para que banalizar tanto a vida e as situações, porque se assustar tanto? Quer dizer, porque não apostar no novo, no estranhamento?

Movimento, libertar-se, parar de impedir as situações. Não deixar a dor embotar o querer... Assim vai se realizar e não se vai!
Margareth Sales