quinta-feira, 20 de abril de 2017

Morando sozinha




Esqueça aquelas bobagens de... andar pelado pela casa, qual é a importância cósmica disso? Desejo infantil, né? O desejo de morar sozinho está ligado a assumir-se. Não tem a ver com comer porcarias, qualquer criança de, hoje em dia, faz isso... Quantos Fandangos se vendem em um supermercado?! Comer porcarias é prejudicial à saúde e uma escolha, uns optam por saúde outros por suicídio lento. Morar sozinha é mais do que isso, é assumir-se e seu lugar no mundo, tornando-se adulto e dono de um discurso de que o nariz é seu.
Dominar o controle remoto? Sério! Você quer sair de casa por isso? Nos dias de hoje, também, cada um tem sua própria televisão e se não, seu próprio computador, existe uma geração inteira que não assiste mais TV e plugga no Youtube.
Cantar alto sem passar vergonha, mais uma falácia do ideal de ter seu espaço... Queremos nossa casa porque queremos nos sentir realizados é sermos capazes de construir uma vida. E não para arrumar a casa quando quisermos, se a pessoa for adepta da bagunça, do chiqueiro (para pegar pesado) é com ela, nada disso é pré-requisito para morar sozinho.
Desmistificando o senso comum, morar sozinha não é sentir falta da comida da mamãe, principalmente quando você cozinha bem! Ser mais vítima de assalto. Para! Tá feio! Todos são potenciais vítimas de assalto, é só procurar um local seguro (nenhum é, claro, mas tente o melhor possível), amizade com os vizinhos e todas as dicas de segurança que qualquer um segue. O medo de pagar todas as contas? Pagar contas é amadurecimento, todos terão que fazer isso! Só se a intenção for imortalizar a mãe, à semelhança de Norman Bates. Cozinhar só para você é a coisa mais sensual que você faz quando se gosta! E aí tem-se momentos de cozinhar para os amigos e, também, o parceiro... Lavar a louça sozinha? Com certeza, é uma das coisas mais chatas, porém em compensação, você tem sua casa, sua vida e as regras são ditadas por você! Posso afirmar que compensa!
Margareth Sales

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Tessituras

Texto feito em aula

 
      A partir da língua constrói-se um imensurável objeto significativo. E esse universo dá sentido ao todo em que estamos imersos, portanto, tudo começa e, tal como o big bang, se amplia via palavra. Cada micro-universo inserido, semanticamente, em um único substantivo irradia questões e conceitos que vão sendo experienciados pelo portador da fala e seus interlocutores.
            Haja vista que ao enunciar uma primeira palavra como, por exemplo, língua, desdobra-se para um substantivo correlato como nação; de nação chega-se ao indígena ou índio. No entanto, poder-se-ia seguir outro caminho, como, por exemplo, língua: parte do corpo com que se articular sons; de sons puxar para música, de música para arte. Isto porque o texto começa na palavra. E texto é teia que se entrelaça para todos os lados e todos os lados lembram os pontos cardeais. E veja? O texto tecido, entrelaçado, mudou o rumo novamente, mas ao mesmo tempo confirma a primeira premissa de que o falar tem em si um caráter polissêmico.
            Nesse sentido, pode-se concluir que ao tecer um texto, partindo de uma pequena palavra o enunciador pode corroborar um discurso primeiro. Ou... o mais maravilhoso da palavra: criar novos mundos, vivos, pulsantes, cheios de significado de uma única e simples palavra, como língua, por exemplo.

Margareth Sales



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Profissão Escritor


A vida que eu escolhi é muito difícil. Se a primeira frase já não bastasse, ainda tem os agravantes, ser minoria em algumas situações. Ser mulher não me impede de ser escritora, mas ser mulher e escritora me faz mais sensível do que a maioria! Claro que em uma sociedade de espetáculo, só compram a minha força, não sou tão forte assim! Aliás, sou exemplo da sensibilidade e, por ser mulher, abusam disso: mandam eu segurar o choro e eu choro, choro muito: choro na faculdade, choro nos empregos que tive, choro no cinema, no teatro, na minha casa, na casa dos meus amigos, nos restaurantes! Resumindo: Eu choro! E mandam eu travar o choro. Minha última empregadora disse que para eu sobreviver nesse mundo masculino eu tinha que travar o choro. Mandou literalmente, numa discussão eu parar de chorar! É medíocre essa posição. 

É difícil e é doloroso! Não quero competir em um mundo de homens, estou competindo em um mundo de gente. Gente que chora muito, gente que chora pouco, gente que parece não chorar (mas chora, todos choram!). Ter chorado nos cantos da faculdade não me define, não sou essa pessoa, tenho esse traço, mas o traço não me define. Quero chorar (quando necessário) e ninguém para dizer que não posso ou não devo. Porque não só posso, quanto devo! 

Outra minoria que me incomoda: eu ralo pra caramba, trabalho muito, sempre. E, sempre, também ouço dizer que não faço nada. Dizem isso menos, hoje em dia... as pessoas tem medo de me confrontar, pela força citada anteriormente e quando choram alguns abusam. 

Eu quero ganhar dinheiro sendo escritora, eu quero ganhar dinheiro, porque dou minha alma nisso todos os dias. E não considero demérito ganhar dinheiro porque é arte. É arte e trabalho, trabalho que eu me dedico, suo, pesquiso, crio argumentos. Trabalho trabalhoso e que dá prazer. A sociedade inveja ter prazer no trabalho porque a lei que inventaram (que precisa ser questionada diariamente) é que todo trabalho pressupõe desprazer. 

Como é maior a massa de manobra do que quem chega lá! A inveja para os que chegam é maior e por isso tanto bolsomito no mundo demonizando a lei Rouanet! Opto por não comprar o estigma de poeta marginal, sou marginal sim, pois me encontro nas margens, na "periferia", na realidade, região metropolitana profundamente rechaçada (mais uma minoria). No entanto, não compro e não vendo o título de marginal, quero para mim tanto quanto para os meus companheiros de margem o mesmo privilegio do centro. 

Quero dinheiro para comer e quero comer bem. Quero dinheiro para pagar minha luz, meu telefone, minha água e meu IPTU, mas não quero só isso! Quero mais, muito mais e me coloco sim junto com os que podem porque luto por uma sociedade onde todos possam! E quando eu não posso, ainda, defendo os meus direitos, porque vivemos sim em uma sociedade profundamente desigual e que se fosse real que todo trabalhar chegasse lá. Eu já estaria lá, com certeza! São no mínimo, uns 33 anos de profissão de escritor, contando 1983 como primeira inserção oficial.

Margareth Sales

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Então... é quase Natal!

Texto inédito, só para não perderem o gostinho! hehe


            Sou uma eterna otimista, impactada, sem dúvida, pelas grandes, ENORMES... crises de 2016! O ano em que ficamos pasmos! Mas a vida permeada de crises, chafurdada na dor, não é vida, é sobrevida, é sobreviver!
            Portanto, estamos à porta de Dezembro, o mês das confraternizações, o mês do balanço e quando, ainda, estamos encerrando uma graduação é um novo balanço a ser efetuado. No entanto, não é momento de falar do medo do mercado de trabalho, do que será das nossas vidas daqui por diante! É hora de falar de amigos, pois vamos iniciando o mês das confraternizações. Amigo é, realmente, coisa para se guardar debaixo de sete chaves. E o amigo de graduação? Aquele que chorou com você quando você foi para final, quando bombou ou, mesmo, quando seu CR desceu, porque, claro, para uns, isso não significa nada, focam no diploma, para outros o que importa é a nota, cada um é cada um em suas especificidades e dores.
            Como diz a música: “Nesse ano quero paz no meu coração, quem quiser ter um amigo que me dê à mão”. Amigos de corredor, amigos para chorar no banheiro, amigos para bater um papo cabeça no bar da frente. Amigo para desejar, ardentemente, a segunda-feira para contar que, finalmente, tirou a teia de aranha! Ou que aquele Mané do seu noivo pediu em casamento! Ufa! Amigos para comemorar mesmo com um sorriso amarelo que você está grávida aos 21, mas era isso que você queria!
            E mesmo com todas as adversidades acredite, não deixe morrer a criança, não deixe morrer o papo no restaurante, no boteco, na interrupção do filme, no cinema. Não deixe morrer o sol, fora e dentro. O mês das luzes chega, ilumine! Crie, dance, abrace muito!!! Finalize o ciclo com fé, com esperança, esses adjetivos são criadores de vida, não é para sobreviver, é para viver o melhor, hoje, dezembro e sempre!


Margareth Sales

sábado, 29 de outubro de 2016

Fluctuat nec mergit





Deu trabalho, o texto estava truncado demais. No entanto, era isso que eu queria dizer quando o postei, pela primeira vez. 
 
          A verdade é que se você consegue manter-se sobre as ondas, você não é engolido por elas. Mas também essa é uma frase perigosa que pode conter em seu cerne uma acomodação com a dor e desdobra-se em uma cisão.
             Vamos à explicação, se lhe foi arrancado as escolhas e agora em um momento de maturidade percebe que são exatamente essas escolhas cerceadas que deve-se optar: o caminho que se faz é sim o caminho de se manter sobre as ondas. Mas aí entra a cisão, pois ao estabelecer a escolha possível dentro da sua realidade, você acaba por incorrer no outro lado de uma mesma moeda. É outra forma de se deixar calar, pois antes era a supressão do direito de ser, agora também o é, somente com outra roupagem. Porque o que eu quero é a minha realidade interior, mas está opõe-se ao dito real.
            O crivo é paz, onde está a paz? Sentir-se bem é, totalmente, diferente de sentir-se bem e mal, diferente também de só sentir-se mal ou não sentir. Há que ter muito cuidado, pois quando se pensa que está rompendo uma situação você está, exatamente, repetindo os mesmos processos que te levaram ao atual estado, muda-se só o lado.    Não se percebe isso porque há uma divisão mental, e atente que mentes extremamente habilitadas são capazes de criar uma realidade imaginando que esta iria romper com a realidade angustiante existente. De verdade, apenas, cumpre-se o destino traçado na ponta de um chicote do dominador de sua individualidade.
            A solução é romper com as escolhas que a alma tem por elemento fastiante, desfazer a cisão. Sim há uma diferença bem clara na questão, opor-se a uma escolha para manter a solidão e afastar as vozes ou fazer-se respeitar com a única forma possível de ser quem se é.
            Transformar impossibilidade em, suposta, possibilidade para referenciar-se como aquela que rompeu barreiras é muito diferente de deixar possibilidades reais entrarem, essas que sempre tiveram ali, mas que se tem como anormal ou impossíveis. Por isso, quando a vida está dando caixotes, a água é salgada para engolir e os momentos em cima das ondas são mais raros, é preciso repensar. Olhe direito, veja se é isso mesmo. Se a solução dada foi optar pela escolha real é preciso entender, de início, a necessidade de manter-se sobre as ondas sem ser engolido por elas.
            Concluindo, unir as partes saudáveis é descobrir se você quer está ai mesmo? Se o caminho que vem traçando é, apenas, porque não pretende estabelecer resistências, pois resistir é cansativo? Observe se o que parece certo porque não oferece perigo contém o erro, exatamente, nessa premissa. Viver, ter o melhor da vida pressupõe riscos. Haja vista, que gostar de brincar com o perigo e tentar não correr risco algum são dois lados da mesma moeda. Para unir as partes conflitantes é preciso, só, assumir-se para não manter-se, somente, sobre as ondas, mas abrir o mar vermelho!
Margareth Sales

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O verbo




Devo admitir que nunca me preocupei muito com o verbo. Essa história de fazer perguntas para ele me parece muito íntimo, sempre quis é usar o verbo com tudo o que ele poderia me oferecer. Sem me preocupar com as ações que pratica, ele tinha, somente, que me servir.
         Nunca pedi o telefone do verbo, depois que o usava. Sempre usava o verbo sem nenhum respeito, nenhuma emoção. Para mim o que estava contando era a diversão: EU ME DIVERTIA! Nem passava pela minha cabeça que o verbo queria estabelecer uma comunicação comigo, que ele queria que eu soubesse quem era o seu sujeito, qual a ação que praticava e para quem praticava essa ação ou o que essa ação interna desdobrava.
         Nunca imaginei que o verbo tinha argumentos internos que o acompanhavam e dependendo do verbo eram um ou mais argumentos. Quer dizer que o verbo queria se comunicar comigo e eu só queria uma boa noite de prazer? Usar o verbo indiscriminadamente sem me preocupar com toda sua lógica interna, só diversão, sem compromisso e sem seriedade?
         É muito bom quando somos adultos o suficiente para encarar as próprias questões: eu precisava ouvir o verbo, entender o seu objeto, mesmo que fosse direta ou indiretamente. Não podia mais deixar que o verbo fosse como o Latim, indecifrável para mim. Precisava entender esse latim e passar a amar o verbo. Não poderia mais deixar o verbo ser um objeto zero na minha vida, tinha que deixar ele me mostrar sua inferência, tudo o que estava implicado em seu objeto.
         Mesmo que em determinados momentos o que queria falar era tão complicado que, às vezes, poderia chamar de teoria X-Barra. Mas era mister deixá-lo apresentar seus argumentos internos.
        Esse foi meu grande insight: o que me tirou do meu mundinho abusador de verbos indefesos. Como sujeito eu precisava estabelecer uma relação de concordância com o verbo. Apostei nesse desafio mental, a partir do momento que perceber que o verbo tinha muita ação e reflexão para me oferecer. Alguns abrem o verbo, eu decidi desvendar o verbo para meu crescimento pessoal!
Margareth Sales

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Historinha para boi dormir



Depois desse título a vaca foi, definitivamente, para o brejo. Não que a vaca quisesse caminhar por caminhos tão ermos, mas quando se está fadado a ir para o brejo, para o brejo se irá. Na realidade, nossa querida vaquinha sonhou com coisas melhores, mas a vida é isso ai: uma sucessão de respostas para perguntas que não fizemos.
         Bom seria que a vaca pudesse escolher determinar se o brejo era o local mais apropriado à sua cútis tão delicada. Vê lá se brejo é o local apropriado para uma vaca de família, marcada no melhor estilo do ferro quente. Afinal, vaca que mamãe beijou sapo qualquer do brejo não põe a mão.
         Mas lá se foi, solitária, fazendo o melhor que podia de sua triste sina. Mas eu hein? Tadinha da pobre vaca, sempre lutadora, buscando seu lugar ao sol e foi lhe sobrevir destino tão trágico. No entanto, resignada caminhou a passos firmes para o seu brejo, ciente de que algo lhe tiraria dessa solidão desumana ou desvaca?
         Na cidadezinha brejeira onde a vaca morava ninguém acreditou que tal ocorrido fosse verdade. Até porque, todos acreditavam que dentro daquela cidade a única com possibilidades de ascensão seria a vaca. Mas destino traçado é destino cumprido e a vaca foi e, provavelmente, não voltaria mais... Deixando para trás corações suspirantes que nem ela mesma percebera em algum momento.
         Por isso que se diz que não podemos perder tempo e devemos dizer para que no futuro o que deveria ter sido dito, não fique sem ser dito para que não se transforme o dito pelo não-dito e dizendo em outras palavras... FERROU!  Caminhante solitária dessas grandes teias que envolvem a vida de todos, não percebeu que podia ser menos solitária porque tinha muitos boizinhos querendo enlaçar a pobre vaquinha desavisada. É muito amor na veia!
         Bem, eu acho mesmo que não tem jeito, a vaca não tem sorte e já passa das 4 da manhã, tá na hora de naninha, ir para cama que a noite não é criança nada, é só a classe dominante mais uma vez te enganando. E claro, amanhã é domingo e se ele pede cachimbo vou é tomar Nescau ou Toddy (comercial não pago, claro) para na mesma veia do amor que os boizinhos cultivaram pela vaca eu possa ter energia circulando nestas e na massa cinzenta para não enrolar meu público com historinhas para boi dormir.
Margareth Sales