quinta-feira, 30 de abril de 2015

Fugindo dos ogros


Capítulo 4: O ogro pão-duro!

        Marcella era a terceira amiga que batalharia para que Amanda conhecesse o par ideal. Ela era bancária durante o dia e as noites fazia dança de salão. Sua paixão era a dança, mas como tinha que se sustentar trabalhava com o financeiro há muitos anos. No entanto, durante a noite buscava os melhores ambientes de dança de salão da cidade. E sempre estava acompanhada, pois era uma mulher que esbanjava sensualidade e ciente de seu poder de atração. Não era das típicas “casadouras”, gostava do encontro, da novidade. Namorava sério sim, mas nunca por um tempo excessivo. Ao término de seus relacionamentos deixava os parceiros arrasados e apaixonados. Porém, não era de propósito que fazia isso, não era intencional magoar o outro. E compensava tornando-se grande amiga do ex e eles sentiam-se agradecidos.
       Começou a amizade com Amanda no segundo grau, pois no primeiro, no primeiro ano do Ensino Médio, Amanda acabou irritando a classe porque fazia muitas perguntas ao professor, gostava de um bom debate teórico e a turma se estressava. Nesse ínterim quem ficou estressada com a falta de motivação de seus colegas adolescentes foi Marcella que se levantou, deu uma chamada aos amigos blasés e uma lição de moral sobre a importância da aprendizagem. Ficaram amigas! E sempre que precisava ser defendida, Marcella vinha ao embate pela amiga.
        Assim, nessa terceira saída, as duas iriam sem lenço e sem documento à Lapa a um desses barzinhos com samba de gafieira para dançar. Claro que Amanda ficou preocupada em procurar um parceiro em um local específico de dançar, afinal, não dançava nada e estava envergonhada, porém, para que servem os amigos? Forçar que as amigas façam coisas nas quais elas se arrependerão, amargamente, e aos 80 anos, será mais um motivo para que, nas reuniões sociais, todos possam rir muito, da desgraça alheia!
        Diante dessa argumentação tão clara do papel da amizade, Amanda teve que ceder e foi procurar o amado na gafieira. Ao chegar ao ambiente, Marcella já recebeu o germe da dança e seu corpo todo balançava, mas não saiu do lado da amiga, estava ali por uma missão pedagógica e, claro, não iria largar nunca uma amiga em um terreno hostil à ela. O que Amanda não conseguia perceber, é que ela, também, atraía o outro, não era somente a amiga, a diferença é que Marcella reconhecia esse potencial e dispensava aqueles que não interessavam. Já Amanda agarrava-se ao primeiro que aparecesse por se considerar indigna de um relacionamento saudável. Além de tudo, acabava por esnobar os interessantes, pois intuía que eles não a queriam. Gerava-se o ciclo vicioso, no qual os interessantes pensavam que ela não estava interessada. Então, sobravam os ogros e pensava que se não os aceitasse, não conseguiria nada de melhor!
        Só que chegou o momento das revelações, das aprendizagens em que seus amigos já não deixariam mais que ela cometesse erros tão tolos, porque como dito: era o momento intervenção!
        Aí surgiu um dançarino, Miguel Ângelo e a puxou para a pista. Amanda ficou, extremamente, sem graça, mas como a condução é sempre do cavalheiro, ele a fez sentir-se nas nuvens. Claro, que tinha consciência de que não havia se tornado uma exímia dançarina da noite para o dia. No entanto, a sensação de dançar bem, ser conduzida era magnífica. Amanda sentiu-se apaixonada por aquele excelente pé de valsa e no decorrer da noite pode perder alguns quilinhos, pois ficaram horas na pista de dança e como estava de salto o esforço físico era maior, pelo jeito economizou uma semana de academia. Ao final da noite o perfeito cavalheiro disse:
        - Que tal perder o sapatinho?
        Primeiro, a protagonista não entendeu, mas logo em seguida linkou o conto de fadas à realidade atual e entregou seu telefone, respondendo:
        - Aqui está meu sapatinho de cristal!
        No sábado, o cavalheiro, prontamente, liga e a convida para uma casa do pastel super-fantástica que ela iria adorar! Na hora marcada, Amanda desce, linda, no seu mais novo salto alto comprado para a ocasião, pois pressentiu: “Agora vai dar certo e a ocasião merece um sapato novo”. Sentiu o coração pular, porque a noite passada foi tão incrível, provavelmente, esta seria indescritível. Trocaram beijos sociais e ela encaminhou-se para o ponto do táxi, quando o perfeito cavalheiro a interpela:
        - Ah! É perto, vamos curtir essa bela noite, caminhando...
        Amanda achou ultra-romântico o convite e ficou mais maravilhada. Ao chegar ao trailer uma ficha começou a cair e ela achou esquisito, mas não deu muito tempo de pensar, pois o salto doía, não era tão perto assim como quis fazer parecer o acompanhante.
        Miguel Ângelo escolhe um cantinho bem aconchegante, disse que reservou essa mesa para os dois. Pediu o cardápio. Bem, não havia muito o que escolher, afinal, era uma casa de pastel, então... Entretanto, o protagonista escolheu um que parecia bem apetitoso e expressão dele pareceu mudar, em seguida, disse:
        - Bem, estou com um incômodo no estômago, vou pedir só o refrigerante! - Pediu um de dois litros e passou a noite inteira com aquele refrigerante. A ficha agora balançava as demais e parecia que iam cair todas! E Amanda entendeu aquele homem depois da ficha cair completamente, disse:
        - Estou muito cansada, onde tem um ponto de táxi para eu ir embora?
        - Daqui? Só ônibus! Eu te levo caminhando! Não foi tão gostoso a nossa vinda?
        - Claroooo que não!!! - Pensou, mas não respondeu.
        Em seguida, planejou como iria livrar-se do ogro pão-duro. Quem poderia chamar para resgatá-la, afinal, em um sábado a noite todos os seus amigos estavam ocupados. Lembrou do amigo nerd que, de novo, tinha ficado em casa estudando. Ligou para ele.
        Dez minutos depois, prontamente, ele viria resgatá-la e terminariam a noite no apartamento dele zoando a ingenuidade e predisposição de Amanda em se dar tão mal para arrumar um par. Ela devolveu a zoação e disse:
        - Ah! Tá bom, sábado à noite em casa, até parece que você é o pegador! - E fez careta para ele!
        - Bem, pegador, nunca fui, porque não acredito que as pessoas são descartáveis, mas, também, nunca tive problemas para entrar e sair dos relacionamentos, me considero satisfeito nessa área!

        Logo em seguida, despediu-se, já estava tarde. Deixando, assim, Amanda atônita, pois em seu pré-julgamento o amigo era tão virgem que seria até um BV, vulgo boca virgem. Claro que isso seria, praticamente, impossível em nossa sociedade, mas imaginar uma pessoa que só pensa em estudar tendo vida social era, até então, inconcebível na concepção dela, guardou a curiosidade. Precisava ligar para Marcella, contar o fiasco da noite e preparar-se para a nova investida, no próximo final de semana, e no próximo capítulo...
Margareth Sales

segunda-feira, 30 de março de 2015

Fugindo dos ogros





Capítulo 3: A caça continua!

            Bruno foi o próximo amigo a ajudar Amanda encontrar o par perfeito. Ele era homossexual, fez a graduação junto com Amanda, onde se tornaram amigos. Mais tarde, veio a se tornar o diretor de arte na empresa que a amiga trabalha. E isso aconteceu por indicação de Amanda que viu essa vaga como muito mais vantajosa do que a que ele ocupava no trabalho em que estava.
            Então, esse era o segundo final de semana separado pelos amigos para ajudar a protagonista a desencalhar. O primeiro serviu de aprendizado, mas de concreto nada rolou. A proposta para esse final de semana seria ir às compras, ou seja, unir o útil ao agradável, pois Amanda precisava de alguns objetos para a casa a qual havia retornado.
            E, segundo Bruno, um bom local para paquerar solteiros são essas famosas lojas que vendem móveis e utensílios fashion para casas. Na visão do amigo aqueles que estão se preparando para casar vão acompanhados e os solteiros, que são muitos, vão sozinhos, o que os torna, facilmente, identificáveis.
            Seu amigo, então, preparou-lhe um script. Ela iria, como toda boa caçadora, reconhecer o local, procurando pela presa. Assim, que a presa fosse identificada faria uma aproximação casual, para não assustar o pequeno animalzinho acuado, claro. E aí era ganhar confiança e dar o golpe fatal. E esse golpe viria com uma frase casual daquele tipo mulher indefesa procura macho alfa para ser salva!
            A frase usada então foi: “Essa madeira para a prateleira de mogno é confiável? Sabe como é, né? Meu ex-marido que fazia tudo... E não quero colocar meus maravilhosos livros nesse suporte e deixá-los cair todos!”
            Funcionou... No dia seguinte, sábado, Amanda tinha seu primeiro encontro com Leonardo. Ele era amável e educado, nunca se excedia, porém ligou bem tarde para confirmar o encontro, como a jovem já estava no shopping mesmo, apenas localizou o encontro para o local. Eles iriam pegar um cineminha.
            O primeiro beijo foi durante o filme, claro! Foi asséptico, mas de pegação Amanda entendia muito bem, sabia que era só um momento de contenção. Percebia que o jovem tinha potencial para melhorar e não ficou desiludida. Depois do cinema um lanche e ele a levou em casa.
            Marcaram, novamente, para o Domingo, mas uma chuva torrencial cancelou os planos. O novo encontro, então, foi remarcado para o próximo fim de semana. Durante a semana a jovem esperou que ele ligasse, mas nada! Ligou para os amigos, pilhada, dizendo que Leonardo não estava interessado nela. A resposta dos amigos? Calma, mandaram-na esperar até o encontro já agendado.
            Então, o resto da semana fluiu bem. Na quarta-feira Rodrigo, o vizinho, foi ajudá-la a colocar a nova prateleira para seus livros. Ela comprou coca-cola, pois ele não bebia bebida alcoólica, os dois conversaram um pouco depois de terminado o serviço e como Amanda estava desesperada por afirmação contou como comprou a nova prateleira e do seu “novo” namorado! Foi assim que ela descreveu Leonardo, desesperada para que as palavras virassem profecia e selasse seu destino.
            Já na sexta-feira Leonardo foi bem solicito e ligou com antecedência para confirmar o encontro que, dessa vez, seria no restaurante mais badalado e difícil de conseguir vaga da cidade. O sorriso da jovem foi de orelha a orelha, inferiu, imediatamente, que ele estava na dela: solícito, educado, levando ao melhor restaurante. Ficou feliz!
            O encontro foi excelente e ao final da noite pegou fogo, como ela havia predito: o tesão apareceria! Ele a convidou para passar a noite com ele. Ela depois de ler tanta autoajuda, tanta Revista Feminina fez o que sempre é recomendado: nunca dar de início. Então, resistiu, virtuosamente! E pensou: “Agora conquistei o cara, ele nunca mais vai me largar!”
            Beijaram-se e despediram-se para de novo se encontrarem no dia seguinte. E no sábado esperou, ansiosamente, pela ligação que não veio! Então, furiosa, ligou e ele respondeu, solícito:
            - Caramba, estou super feliz que você ligou, mil desculpas por não ter te ligado, mas é que meu irmão apareceu de repente e, uma coisa chata, ele se separou. Está se lamuriando e bebendo todas, não deu para eu ligar. Você me perdoa? Se ele ficar bem, amanhã te ligo sem falta.
            Amanda perdoou e ficou em casa, nem contou para os amigos o que tinha ocorrido, ficou com medo de expor um fracasso e este trazer azar para a sua nova relação. No Domingo, esperou ansiosamente pela ligação de Leonardo e como não aconteceu imaginou que o irmão dele não devia estar bem. Ligaria durante a semana para perguntar e fez, como sempre ele foi muito gentil, tranquilizou-a e ficou feliz com a ligação, disse que estava com saudade, que o irmão ainda não estava bem e assim que pudesse ligaria novamente.
            No final de semana, nenhuma ligação, e ela entrou em desespero. Não tinha jeito, precisava da ajuda dos amigos para tomar as próximas decisões. E, novamente, os reuniu em seu apartamento.
            Consenso geral, o cara não estava interessado, quem está interessado procura. E a protagonista ficou na velha sessão do porquê! Os amigos deram outro sacode:
            - Não importa! Semana que vem você volta para a caça. O importante é não desistir, você vai encontrar alguém, você merece!
            Então, próximo episódio, no mês que vem, mais uma tentativa para Amanda encontrar o par ideal. Claro, que desanima, claro que a vontade da jovem é acreditar que não tem sorte no relacionamento e desistir da busca, mas quem foi que garantiu que encontrar relacionamentos seria fácil? Nem nos contos de fada é fácil, sempre se morre antes de conseguir!
Margareth Sales

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Fugindo dos ogros


Capítulo 2: Chega de sorvete!

       Passara-se um mês, depois que Amanda deixara o marido e ela continuava lamentando-se, a base de sorvete, sobre o seu destino infeliz, de não dar certo em seus relacionamentos.
        A lamentação chegou num nível insuportável que precisou de que seus cinco melhores amigos fizessem uma intervenção. Cada um deles foi incumbido de apresentar Amanda, durante os próximos cinco finais de semana, a vida real, ou seja, não tem nada disso de sina, maldição, para uma mulher bonita, culta e divertida encontrar o parceiro ideal.
        No primeiro final de semana, depois da intervenção, Marina, a psicóloga, amiga de infância de Amanda, ficou encarregada de fazê-la cair na real.
        Marina conheceu Amanda no antigo Jardim de Infância. Ela havia acabado de derramar o seu Nescau todinho e ao começar a chorar, a nova amiga veio em sua ajuda e ofereceu seu próprio lanchinho. Nunca mais deixaram de ser amigas.
        Marina era psicóloga clínica e iniciou a faculdade, também, ao mesmo tempo que a amiga, só que esta foi para a área de publicidade. Era casada e tinha uma filha de 5 anos. Seu marido era tranquilo e mesmo quando ela resolvia ir para a balada com os amigos, não ligava, ficava de bom grado com a filha, deixando a esposa se divertir, pois confiava demais nela e sabia que ia para a balada dançar e se divertir com amigos, nada demais!
        As duas amigas, então, escolheram a boate mais badalada da cidade para reinserir Amanda na vida. Paqueras era o que não faltava, afinal, duas jovens lindas, aparentemente, na pista. A jovem senhora sabia, magistralmente, sair da investida dos garanhões. Já Amanda não sabia nem mesmo paquerar e precisava de ajuda. Um jovem aproximou-se e veio direto para falar com Marina:
        - Boa Noite, tudo bem com você?
       - Boa Noite! Sim, gostaria de conhecer minha amiga, recém-separada que eu tirei de casa para ver um pouquinho de gente?
        - E você não quer conhecer ninguém?
        - Ah! Não, sou muito bem casada! Estou aqui só de acompanhante. Qual é mesmo seu nome?
        - Marcos.
        - Marcos essa é Amanda, uma excelente publicitária de uma das melhores firmas de publicidade carioca.
        - Sério? - Perguntou, voltando-se para Amanda.
        - Sério! - Respondeu Amanda.
        - E porque recém-separada, uma mulher linda, inteligente como você?
        - Contingências da vida, acontece!
        - É o que eu digo, não se fazem mais homens como antigamente. Aposto que seu ex-marido não lhe deu suporte emocional, não foi ombro. Eu, realmente, não sou assim! Sempre que alguém precisar de ombro, estou aqui para o que der e vier.
        - Bem, ocorreu um conjunto de coisas que não vem ao caso no momento, e não, especificamente, a falta de ombros!
       - Sim, sim, entendo. Porque tenho certeza que você vai parar na minha, sou tranquilo e comigo nunca vai faltar o ombro para te consolar.
        - Mas em que você trabalha mesmo?
      - Sou analista de T.I. e conhecido na firma como a pessoa de mais confiança. Todas as minhas amigas, sempre pedem a minha ajuda. Você sabe, né? Os homens não tão nem aí para oferecer os ombros. Eu não, amo as mulheres e sempre as ajudo com respeito e ombro.
        - Quantos anos você tem mesmo?
        - Trinta e cinco e minha juventude, sempre, foi para ajudar com ombros largos!
        - Você me dá um minutinho? Preciso ir ao banheiro!
        - Eu e meu ombro estaremos aqui esperando por você, princesa!
      Como de hábito, uma mulher nunca vai ao banheiro sozinha e, assim, Amanda levou a amiga, no caminho, a protagonista diz:
        - Acho que vai dar certo, o que eu preciso agora é um ombro amigo para estar ao meu lado e esse cara parece ser legal!
        Dessa vez, a amiga não pode ser aquela pessoa otimista que incentiva a escolha do outro. Aquele era o momento, depois da intervenção que os amigos fizeram, que Amanda precisava cair na real! Por isso, Marina respondeu:
        - Sério?! Você acha? Vamos refletir um pouquinho sobre esse ser humano que se apresentou a você. Primeiro: ele está procurando qualquer uma, deu antes em cima de mim, como viu que comigo não ia rolar, começou a atacar você. Até aí não tem problema, a noite foi feita para caçar mesmo e aquele que não estava interessado pode vir a mudar de ideia, afinal, você é um mulherão, né? Só que o segundo ponto é a fala do meliante, ele usa uma falácia: “dou ombros” e esse argumento tem um nome em latim: Argumentum ad nauseam, significa: argumento até provocar náuseas! Como ele usa esse argumento? Ele repete o tempo todo: “dou ombro”, “dou ombro”. Para convencer que é essa espécie de salvador de donzelas em apuros. Observe, Amanda, ele nada perguntou sobre você. Um comportamento, completamente, egoísta, principalmente, para quem conheceu o outro a primeira vez. Não há nenhum interesse dele por você. O único interesse dele é em si mesmo e colecionar relacionamentos, porque é óbvio que aquele que não se preocupa com os outros não cria vínculos. Essa repetição insistente de que ele é ombro faz muita menininha desavisada cair e, na realidade, existe muita mulher que não amadureceu e é uma menininha carente e desavisada.
        - Tipo eu?
        A amiga olhou desconcertada, não queria jogar na cara essa afirmação, mas era necessário, a protagonista precisava crescer. Já era hora!
        - Sim, você! No entanto, você tem cinco melhores amigos para ajudá-la a chegar a esta maturidade tardia!
        - Quer dizer que aquele cara acaba convencendo por repetir uma mentira?
        - Exatamente, é como se a mentira repetida convencesse o cérebro de que é uma verdade, não é assim que os políticos atuam? Geralmente, quem rouba também usa dessa estratégia, repete que não foi até acreditarem na mentira dessa pessoa, ganham pela náusea, ou no cansaço!
        - E agora o que a gente faz com o cara que está me esperando?
        - Sair de fininho, afinal essa noite já deu!
        Ao chegar perto do elevador do apartamento de Amanda, ela perguntou:
        - Foi uma noite perdida, né? Afinal não conseguimos nosso intento!
        Marina responde enquanto caminhava para o elevador:
      - Claro que conseguimos nosso intento! Todos nós, seus amigos, estamos te levando para um processo de auto-conhecimento, para cair na real. Então... Hoje foi a primeira pedrinha...
        Rodrigo, o vizinho, grita para segurarem o elevador. Elas seguram e ele entra com seu pijama de super-herói, hiper tímido. Amanda pergunta:
        - O que você estava fazendo às três da manhã, com pijama, na rua?
       - Estava estudando, bateu uma mega fome, meu. E não tinha nada na geladeira, aí tive que descer. Ah! Amanda, suas revistas foram, de novo, entregues na minha casa, amanhã te devolvo, ok?
        Amanda sorriu e quando ele desceu no andar dele a amiga perguntou:
        - Quem é o nerd?
       - Meu vizinho, acho que ele me disse que vai tentar o doutorado em linguística, por isso está estudando tanto...
       E assim, termina a primeira madrugada em que Amanda caiu na pista para negócios e também o capítulo 2. No próximo mês, veremos como continua a saga dessa jovem em busca do homem ideal.
Margareth Sales


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Fugindo dos ogros (para encontrar o homem ideal)



Capítulo 1: O Término!

        Ia dar 16 horas e Amanda precisava terminar com aquele projeto, pois era sexta-feira e tinha marcado com Paulo um happy hour às 18 horas. A jovem estava nessa Agência Publicitária havia dois anos. Mal terminara a faculdade e sua carreira acadêmica já a impulsionou a sair empregada. Morava com Paulo há 4 anos e se surpreendeu quando, no meio da faculdade, aquele homem lindo, desejado por todas, veio e começou a dar em cima dela. Não resistiu. Em pouco tempo já moravam juntos.
        A protagonista tinha aquele dom inerente para publicidade, lia as imagens do mundo para criar uma chamada perfeita. Porém, naquela sexta-feira, estava travada não conseguia ter ideia nenhuma. Na realidade, os finais de semana a deixavam assim, doida para meter o pé.
        Quando deu 17h30min a ideia surgiu e ela ficou muito ansiosa, pois tinha poucos minutos para criar. Mesmo assim, fez com maestria, era excelente profissional, não seguia aquele lugar comum de que as coisas fluíram quando estava sobre pressão. Na realidade, trabalhava bem melhor com folga do que com prazo esgotado. A sexta-feira era a sua exceção e nunca levava trabalho para casa, tinha como lema, quase religioso, que final de semana era diversão, sem trabalho. Portanto, sabia equilibrar vida pessoal e trabalho.
        Chegou às 18h30min no bar e foi conferir se a reserva foi feita e o marido já tinha chegado. A reserva tinha sido feita, o marido não estava! Tinha o hábito de não deixar que as intempéries a abalasse. Então, sentou-se à mesa e começou a ler as notícias do dia no seu tablet e adiantou a leitura de suas revistas femininas: moda, casa e comportamento, matérias que a atraíam mais. Pediu a entrada para esperar o marido e ia se comunicando com amigos via WhatsApp e, às 20 horas, Paulo chegou:
        - Desculpa, fiquei com um cliente até tarde e, como você sabe que não gosto de ser incomodado, desliguei o celular. Esse caso é muito sério, merece toda a minha atenção.
        Amanda fez sua cara de paisagem mais complacente do mundo e não deixou que as vozes interiores viessem a fazê-la duvidar do amado. Afinal, o mercado não estava para peixe, para deixar algo tão bonito de ser ver, solto!
        Paulo com aquela impaciência e ignorância, de sempre, começou a estalar os dedos chamando o garçom:
        - Que droga, Amanda, já falei que o atendimento dessa joça é uma bosta e você insiste em marcar nossas sextas aqui. Dá para ter mais bom gosto e requinte e escolher algo melhor? Caramba, só podia ser essa sua mentalidade de baixada, não adianta, quem é Baixada nunca será Zona Sul!
        - Mas... - gaguejou - dessa vez foi você que marcou, queria economizar dinheiro.
        - Claro, né? Esse seu empreguinho medíocre que nem chega junto com as contas da casa, tudo nas minhas costas! Tenho que economizar, né? Você reclama muito. Um dia, ah! Um dia... Ainda me emputeço com isso e, aí, não tem mais volta!
        Agora seu marido gritou grosso e o garçom ouviu, enquanto ele vinha, uma bela mulher atravessou a mesa dos dois e ele quase caiu ao se contorcer para olhá-la! Dessa vez, Amanda incomodou-se e deu um tapão no ombro do marido:
        - Já tinha dito para você parar com isso e me respeitar!
        Paulo assustado, nunca viu a esposa agredí-lo fisicamente, nem mesmo de brincadeira e, profundamente, irado, respondeu:
        - Agora, sou eu que digo, se fizer isso de novo, viro a mão na cara e não tem Maria da Penha que me faça parar!
        Amanda chegou ao seu limite, foi ameaçada fisicamente, nada poderia a assustar mais e nem perdoar uma pessoa que a colocasse em risco físico. Havia traumas em sua vida... E, calmamente, ela pegou sua bolsa e saiu, para não voltar mais!
        Diante dessa decisão inesperada e da perplexidade sobre quais as atitudes tomar, em seguida, Amanda escreveu, chorando, no táxi, uma mensagem no WhatsApp e enviou aos seus amigos. Os cinco, foram buscá-la no apartamento do marido, cada um com seu próprio carro para levar tudo o que pertencia a ela. Não havia, realmente, muito o que levar, basicamente, as coisas pessoais. Paulo nunca deixou aquele espaço ser dela e comprava todos os objetos e mobílias para a casa, a decoração era dele e não da esposa como, geralmente, é de costume ocorrer.
        Podemos dizer que a jovem, definitivamente, possuía um dedo podre no que tange aos relacionamentos, de resto era uma pessoa equilibrada e ativa. Então, ela não seria burra de se desfazer do primeiro apartamento que comprou no seu primeiro ano na Agência. Aliás, comprou o apartamento em secreto, porque em secreto também sabia que aquele relacionamento já tinha durado demais. Cansava de ouvir dos amigos que merecia “coisa” melhor que aquele homem era um ogro disfarçado de gente, mas a questão é que ela não sabia ficar sozinha e, também, não sabia escolher os relacionamentos.
        No entanto, tudo isso iria mudar, os seus cinco maiores amigos colocaram as coisas no apartamento, foram ao hipermercado e trouxeram um colchão de ar e passaram a noite com ela, assistindo clássicos em sua TV, porque a TV do quarto do casal era dela, fez questão de comprar e o aparelho de DVD, mais uma vez, ela previa o futuro. Paulo reclamava o tempo todo que não tinha blu ray no quarto, mas ela não se incomodava, fincou pé e a TV e o DVD lhe pertenciam. E agora estavam em seu apartamento nunca usado e minimizando um pouco as lágrimas por alguém que não merecia o chão que ela pisava.
        Sorvete, amigos e um bom filme, essa era a receita de cura de alguém que ia a caça do seu verdadeiro amor, porque sempre acreditou em amor verdadeiro e, agora, faria acontecer! No próximo capítulo.
Margareth Sales
           

quarta-feira, 12 de março de 2014

Crônica do facebook


Última postagem das férias! Mês que vem uma novidade: como estudei muito o semestre passado sobre folhetim, até o final do ano as postagens no blog serão um folhetim. Aguardem!

Saiu no jornal: Dona de casa se mata por causa do Facebook. Maria, 30 anos, casada, dona de casa, consultava todos os dias o seu facebook, naquele dia entrou com mais fissura. Era seu aniversário! Não tinha vida fora da rede social, até tinha um bom marido, mas só! Arrumava casa, fazia o café da manhã, ansiosa para que o marido fosse para o trabalho e entraria na internet. Lá sim, se comunicava com todos ao mesmo tempo, nunca estava sozinha, pelo menos era como se sentia. Telefone? Visitas sociais? Para quê? O site tinha todas essas funcionalidades. Conversava todos os dias com todos os seus amigos, não eram muitos. Afinal estava chegando aos trinta. Se tivesse 15 anos, com certeza, com 15 teria um perfil lotado!
Naquele dia ao entrar no facebook, já eram umas 10 da manhã, seu marido tinha saído tarde para o emprego, pois queria curtir o aniversário com a mulherzinha. Mas as curtidas que ela buscava era o símbolo do polegar para cima, no facebook. Ao acessar a rede percebeu que tinha várias notificações de aniversário, mas nenhuma dos seus dois, únicos, amigos verdadeiros, estes que no passado frequentaram muito sua casa, mas que com o advento da web foram sendo realocados somente para o ciberespaço.
Maria não entendeu, uma dor profunda a invadiu: “Como assim não deixar uma postagem no meu face, não comentar meu status?” O que ela não poderia supor é que alguns conservam, mantém e alimentam vida social fora da rede.  Não entendeu que há pessoas que nem olham o facebook, só possuem um perfil, pro forma; outros que ao perceberem o tempo que o site ocupa em suas vidas reais, só deixam a atualização do feed de noticias para os que são, extremamente, amigos. Resumindo, existe um bom contingente de pessoas que não lêem o que está escrito nessa rede de relacionamentos, portanto nem tem noção daquilo que Maria postava e nem se sentiam culpados!
O marido de Maria a encontrou morta. Chocou-se. Depois lembrou que às vezes, para conseguir a atenção dela, ele tinha que mandar mensagem inbox. Sentiu alívio. Saía definitivamente da vida virtual, para uma muito melhor e mais curtida! Atualização de relacionamento: viúvo e totalmente online na vida fora da rede.
Margareth Sales

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O debate

 
Texto feito em aula. Até o mês de Março estarei repostando os três melhores texto do blog. Boas Férias e até Abril!
 
Entrevistador:
- Entra no ar o debate “sai da frente que estou chegando”. Hoje, com a presença de diversas autoridades para discutir o problema de segurança na periferia. Com a palavra, nosso primeiro participante, o delegado de polícia da 72ª DP de Niterói.
Entrevistador:
- Delegado o que o Senhor tem a dizer sobre as causas das questões de segurança na periferia?
Delegado:
- Positivo e operante. Então, as causas do problema de segurança na periferia são todas por culpa dos filhinhos de papai que sobem ao morro para financiar a vida mole desses meliantes, por meio do tráfico. Tudo isso pode ser resolvido facilmente: ignore os direitos humanos que não serve para nada mesmo e sai atirando a torto e a direito. Porque bandido bão é bandido morto.
Entrevistador:
- Vamos ver se a dona de casa Gertrudes concorda com isso. O que você pensa da ideia do delegado. Essa é a causa do problema da segurança na periferia?
Dona de casa:
- Claro que não! O problema tá na falta de amor e na sem-vergonhice, pois se um marido ama a esposa, não trai e cria um filho no meio de uma família unida e o amor resolve tudo. Agora esse *Pi do meu marido que pega qualquer periguete, tá destruindo o lar. Oro todos os dias pra o Senhor tocar no coração dele pra cuidar da nossa família na Casa do Senhor, pois família é uma ideia divina e o que Deus uniu não separe o homem.
Delegado em off para a dona de casa:
- Se quiser eu mando dar um corretivo no meliante do seu marido.
Dona de casa:
- Não! – responde ela assustada – Sangue de Jesus tem poder!
Entrevistador:
- Vamos agora à opinião do comerciante local.
Comerciante:
- Isso não é nada mais que falta de trabalho. Como todos sabem, cabeça vazia, oficina de Satanás. Ah! Eu gostaria de poder anunciar que estou contratando, o melhor emprego do bairro para esses jovens saírem dessa vagabundagem. Garanto que resolve! O horário é de 8 da manhã às 10 da noite. Sábados e Domingos, inclusive feriados. Não chego a pagar um salário mínimo, mas convenhamos, esses jovens tem que me agradecer de tirá-los da vagabundagem dos tóxicos.
Entrevistador:
- Então, aí está a dica do seu Manuel da padaria, um português, que sabe valorizar a tradição do seu país de origem, seguindo o modelo de seus ancestrais que povoaram o Brasil...
- Vamos dar a palavra agora ao Carlinhos Mar-à-dentro, ex-assaltante que se diz redimido e que cursou Direito durante os seus 20 anos de prisão. Sua posição a respeito do problema aqui levantado e o que você acha da opinião dos participantes.
Ex-assaltante:
- Bem, eu só tenho, excelentíssimo apresentador, que dizer que esses três como representantes da nossa sociedade deixa clara a explicação para tal cultura de violência que tem nos cercado todos esses tempos. Pessoas que se dizem pilares da sociedade e a única coisa que se preocupam é consigo mesmos e não com o coletivo. Diante disso, só posso inferir que vocês não me serviram de bom exemplo. Portanto: PERDEU! PASSA TUDO, É UM ASSALTO! Vocês não mereceram o que receberam da vida!
Margareth Sales