quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sobre os amigos “Orkut”


Amigos Orkut são aqueles que trabalham junto com você, freqüenta a mesma academia, associação religiosa ou, até, são seus clientes e já se denominam amigos. Como se amigo estivesse ligado ao fato de diversão contínua... Se assim fossem, os palhaços seriam grandes amigos!
 
É claro que hoje os amigos já são facebook, mas deixo a denominação de orkut que foi o momento social onde pessoas associam sucesso ao fato de terem um maior número de amigos vinculados a uma rede social. Há que se perceber que apesar de ser um comportamento supostamente adolescente, pois a maturidade deveria estar para além desse comportamento, porém nem sempre é assim! São pseudo-adultos buscando preencher o grande vazio interior que denomino de falta de amor de base.
 
Falta de amor de base é quase uma epidemia na modernidade, acredito que também tenha sido assim em tempos antigos, mas é nos tempos contemporâneos que sentimos a força desse comportamento. Porque não sentir-se amado acaba por impor, para alguns, em um comportamento de mostrar-se amada por todos e, na verdade, não se agrada a todos e, principalmente, não se é amados por todos.
 
O máximo dessa demonstração superficial de amor é a loucura de se ver com uma quantidade cada vez maior de “amigos” na relação das redes sociais. Mas lembre-se não é complicado aumentar o número de amigos em redes sociais é só ir adicionando indiscrimidamente. Dependendo do seu perfil é capaz de conseguir quase 100% de adesão em seu profile.
 
Essas pessoas acabam por acreditar de verdade que pode-se beneficiar do famoso ter ao invés do ser. Imaginando que enquanto não se é, pode-se muito bem viver com o ter, isso não é verdadeiro e é fonte de frustração emocional profunda, ao ponto de se perder no caminho.
 
Imagino qual a importância cósmica de se adicionar 300, 500, 1000 amigos quando se sabe que quando se tem dois, já somos mais que vencedores. E olha que dá trabalho administrar esses! Não estou também dizendo que agora vocês devem sair excluindo todos os contatos em redes sociais, reduzindo à meia dúzia e dizerem que amadureceram e que possuem uma relação mais equilibrada com a vida. As redes sociais servem para estarmos conectados com um maior número de pessoas, socialmente isso é bom! O que não é bom é acreditar que todos esses números são amigos verdadeiros, de uma forma ou de outra até podem ser considerados amigos, mas de ambientes específicos, não de todos os momentos.
 
Então a questão é falsear sentimentos, verdades, assumir para os outros que todos aqueles amigos que estão em sua rede social, convivem mesmo com você. Ou talvez, acreditar que em um momento de crise verdadeira esses contatos redes sociais estarão ao teu lado para apoiá-lo, o máximo talvez que consigam seja um comentário, como parte de uma atitude humana com a alteridade, mas nunca como prova de amizade real.
 
A amizade real é aquela que é forjada nas brigas, nos desentendimentos, mas que mesmo assim não se separam porque há um laço maior de carinho e de amor. A amizade verdadeira é feita de desacordos, mas de companheiros, de brigar juntos as mesmas brigas, de não deixar que o outro fale mal daqueles que amamos. De verdade a amizade dá sentido a vida e o que preenche a vida, quando tudo vai embora, a amizade sempre fica!
Margareth Sales

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Fluctuat nec mergit


A verdade é que se você consegue manter-se sobre as ondas, você não é engolido por elas. Mas também essa é uma frase perigosa que pode conter em seu cerne uma dubiedade muito grande que desdobra-se em um comportamento paradoxal.

Vamos a explicação, se lhe foi arrancado as escolhas e agora em um momento de maturidade percebe que são exatamente essas escolhas cerceadas que você deve optar, o caminho que se faz é sim o caminho de se manter sobre as ondas. Mas aí entra a dubiedade, porque ao fazer as piores escolhas possíveis dentro da sua realidade, você acaba por encorrer no outro lado de uma mesma moeda. É uma outra forma de se deixar calar, pois antes era a supressão do direito de ser, agora também o é, somente com outra roupagem. Porque o que eu quero é a minha realidade interior, opor-se a essa realidade para fazer frente a oposição do outro e um movimento de retorno a adolescência.

O crivo é paz, onde está a paz? Sentir-se bem é totalmente diferente de sentir-se bem e mal, diferente também de só sentir-se mal ou não sentir. Há que ter muito cuidado, pois quando se pensa que está rompendo uma adolescência você está exatamente repetindo os mesmos processos que te levaram ao atual estado. Não se percebe isso porque há uma divisão mental, e perceba que mentes extremamente habilitadas são capazes de criar uma realidade imaginando que esta iria romper com a realidade angustiante existente. Mas de verdade apenas cumpre-se o destino traçado na ponta de um chicote do dominador de sua individualidade. 

Nascemos solitários e fazemos um imenso movimento de preencher essa solidão, para isso a cultura nos apresenta o outro como fórmula de preenchimento. Não posso negar que sim, precisamos compartilhar e a ida solitária é extremamente dolorosa, mas também não posso fechar os olhos e deixar de reconhecer que estar sozinho em um período é a forma mais madura de ser. 

Então, romper com as possíveis escolhas erradas não é escolher o que a alma tem por elemento fastiante. Sim há uma diferença bem clara na questão, opor-se a uma escolha como forma de manutenção de uma solidão ou uma imaturidade constante ocorre quando se nega as pessoas e situações possíveis. 

Transformar impossibilidade em suposta possibilidade para referenciar-se como aquela que rompeu barreiras é muito diferente de deixar possibilidades reais entrarem, essas que sempre tiveram ali, mas que se tem como normal. Por isso, que pode-se manter sobre as ondas quando não se é engolido por elas, mas quando a vida está dando caixotes, quando é muito água salgada para engolir e os momentos em cima das ondas são mais raros, é preciso repensar. Olhe direito, veja se é isso mesmo. 

Se fosse só sentir paz, mas sempre tem mais. Você quer está ai mesmo? Ou apenas está indo porque não pretende estabelecer resistências, pois resistir é cansativo? Observe se o que parece certo porque não oferece perigo contém o erro exatamente nessa premissa, viver, ter o melhor da vida pressupõe riscos. Pense também sobre esse olhar, tudo que é importante em nossa vida temos medo de perder, não é? Há uma diferença entre gostar de brincar com o perigo e tentar não correr risco algum!
Margareth Sales

quinta-feira, 1 de março de 2012

Sobre os ídolos

Já pensou que a pessoa que você mais idolatra é a pessoa que mais tem defeitos dentro todos os seus relacionamentos afetivos? Já pensou que quando você ataca a alteridade com tanta voracidade você está apenas querendo destruir o pai da horda? Já pensou que seu ídolo tomou todas as mulheres para si e te deixou a ver navios?

E outra, toda vez que seu ídolo não tem defeitos, significa somente que você ainda está atrelado a uma adolescência tardia que só se rompe quando reconhecemos e nos angustiamos com o tamanho dos defeitos do ídolo! A prova cabal dessa forma de imaturidade é deixar-se ser tocada pelas opiniões do ídolo quando contrapõe-se a sua realidade mais profunda, ou seja, você não vê de forma nenhuma desse jeito, mas é “obrigado” a reproduzir a assertiva do ídolo. Os meus heróis realmente morreram de overdose.

Note-se que quando fazemos ídolos temos o hábito de nos anular em função daquele outro e deixá-lo sempre sob os olhares dos holofotes. Em contrapartida, ninguém gosta de ser apagado a vida toda em favor do outro, então, cuidado, pode ser que você esteja tentando apagar a luz de alguém com ou sem intencionalidade consciente.

O ídolo para te conservar bem submisso ao lado dele pode estar usando do expediente dos elogios, você é bom, você é interessante. Mas note: você nunca é tão bom e nem tão interessante quanto o ídolo. Sim, o ídolo ele é o auge da sabedoria, ele realmente chegou ao nirvana, tudo conhece sobre o universo e pela sua postura ele é sempre o melhor, o mais perfeito, não há um só mancha em sua personalidade. E quando os ídolos se vingam? Às vezes eles fazem, por ciúme por não suportar perder ou ver aqueles que o idolatram dividirem a atenção que era só dele com outros. Esse artifício de vingança é mesquinho e, realmente, espezinham o outro até vê-lo derrotado e só conseguindo chances de se reerguer ao retornar ao ídolo.

Concluindo... Ídolos não são saudáveis, exemplos sim. No exemplo observamos mas não idolatramos e também sabemos que o nosso objeto de exemplo é falho. Portanto, que haja mais exemplos significativos e que os idolos se quebrem!
Margareth Sales

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O telefonema

Estava eu, tranquilamente almoçando na Vivenda do Camarão, quando sou interpelada por alguém que não vejo há uns 20 anos. Almoçamos juntas e em torno de uma hora já sabia tudo de sua vida, talvez até a cor da calcinha. Bem, sabendo ela da existência do meu blog, pediu insistentemente que eu publicasse e destrinchasse o telefonema do jeito que fiz naquele sábado. E como eu não gosto nada de colocar uma lenha na fogueira na briga entre os sexos, segue o teor da carta e o aconselhamento leigo:

Oi, quero te ver antes de terminar o ano é possível?
Temos duas possibilidades, ou é um cara legal que realmente quer terminar o ano em grande estilo, revendo alguém que gosta... Ou é o ex dessa minha antiga amiga que percebeu o banha-maria e que não era tão mais importante assim, pois estava sendo apenas usado para preencher um vazio. Isso porque? Comumente a raça masculina, sendo caçadora nata, percebe que a presa está a quilometros de distância de sua garras, então adotam a postura de sair da zona de conforto, dão um salto, mas não em ato, somente em palavras, mexendo com imaginário feminino que foi criado pela cultura. E aqui especificamente, o imaginário feminino está atrelado ao desespero de ver alguém antes da virada do ano, supõem ser o auge do romantismo.

Estou perto, não dá para a gente dar uma fugidinha?
Incentivo ao lado aventureiro e romântico de algumas donzelas em perigo (será?). Se não fosse um jogo o mais maduro seria, vou te ver, ponto! Dude (Cara, em inglês), que tipo de mulher esse meliante anda conquistando? Porque se for uma mulher mais madura ela tem conhecimento que festa de final de ano faz parte do insconsciente coletivo e usar a frase “quero te ver antes de terminar o ano é tão clichê que a pessoa do outro lado deve estar rindo e colocando o telefone no viva-voz para as amigas, fazendo sinal de L na testa (em inglês perdedor, traduz-se por babaca também).

Eu estou com vontade de dar um pega maneiro em você...
Isso é legal, mas se você preparou toda essa estratégia no final de ano para pegar o objeto dos seus desejos, talvez não seja porque você tentou o ano inteiro e não conseguiu? Se for isso... e a mulher te enrola dizendo que você é gostosão, que adoraria ficar sozinha só vocês, ela está te cozinhando em banho-maria e zoando com tua cara. Há muito tempo ela “caga e anda” para você. Agora será que a culpa é dela? O que você fez, provavelmente foi um manezão, né?

Mas se não der, eu não tenho pressa...
Agora, estou com pena de você, a mulher só te veta e você igual a um cachorrinho. Mas tudo bem, a pena vai acabar, sei que nas próximas falas você vai aprontar... Mesmo se você dizesse que comprou um presente especial, tipo: óbvio que ela não está nem ai!

Você me faz muito bem...
Frases de efeito, são usadas por qualquer canalha da pior estirpe, que ver onde você acha frases igualzinhas a essa? Assista o filme Confiar, queridas moiçolas, vocês ficarão chocadas como é fácil usar frases de efeito e não se enganem, não são só as de 12 aninhos que caem. Isso porque uma frase dessas é real quando o contexto é real, o crivo é, se a pessoa é capaz de repetir isso na frente de um público e, principalmente, se a recíproca é verdadeira, ele também te faz bem?

Estou me separando, mas está tudo bem, sem stress...
Good for you! Jogou as cartas altas. Mas se ela não for bobinha vai saber muito bem a diferença entre falar e fazer. E outra... Se você na realidade forjou um casamento pela enorme solidão que sente, ela também vai saber que essa separação já existia, só que só agora você resolveu abrir o verbo. Essa foi a frase mais canalha porque jogar alto como forma de subverter a decisão de uma mulher é canalisse à última potência. Não é mais fácil conseguir via escolha, quer... quer... não quer... não quer!

Então, esse foi o telefonema. Minha amiga, não foi ao encontro. Mas ao mesmo tempo, no final do nosso papo, ficou: preciso rever ele, poxa, você sabe! Meu filho, está morando no meu apartamento, porque eu cedi e eu vivo de aluguel, preciso conversar com fulaninho, porque ele sempre deu jeito no meu filho. Sem ele, nem sei como fazer para botar rédea curta no meu filho. 

Sinto dizer querida amiga de anos atrás, essa frase é subterfúgio para se encontrar com o carinha do telefone. Lembro de uma época em que pensei que iri ficar a vida inteira dependente daquele que me ensinou montagem e manutenção de computadores, ninguém era tão bom quanto ele! Nadaaaa... Hoje, quem cuida de todos os computadores da minha casa sou eu e exclusivamente eu. Então, meu recado final: seu filho é o seu filho, ninguém melhor para cuidar e dar limites do que você mesma! Agora se quiser dar uma voltinha com o meliante do telefone, a decisão é sua!
Margareth Sales

domingo, 1 de janeiro de 2012

Férias



Amigos e Fãs, 

Gostaria de esclarecer que o mês de Dezembro o blog entrou de férias, e como também sou professora, quero dizer que retornaremos só depois do Carnaval. Para os que me seguem foi um excelente Dezembro, com meu aniversário de 41 anos, o Natal e nesse momento o Ano Novo que estamos comemorando, por sinal está sendo excelente!

Então, abraços e nos vemos depois do Carnaval. Nesse interim, confiram as postagem anteriores, há muita coisa boa que sei que todos irão amar. Afetuosos abraços e desejos de Próspero Ano Novo.

Margareth Sales

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Quadrinhos

Há muitos anos atrás, mais ou menos em 1997, eu dava aula de CorelDraw em um Curso de Informática. Fiz isso, durante muitos anos. Então, preparei esse quadrinho ao lado, para ensinar a trabalhar com as ferramentas do programa. 

Mais tarde, escrevi um livro de informática, com todas essas aulas, nome do livro: O processo de aprendizagem nos dias de hoje. E no livro, no capítulo do CorelDraw coloco os mesmos quadrinhos.
Hoje, há um semestre de minha graduação em Pedagogia, estudei uma matéria chamada Imagem e Educação. Assim, sei que também na imagem há leitura.

Então, resolvi mexer nesse material novamente e apresento o quadrinho para leitura e divertimento. Boa Leitura!
Margareth Sales

Receita para ser um bom professor



Bem, senhores, vamos a receita para ser um bom professor. Primeiro, ops: Não têm! Não há receitas para ser um bom educador, um bom professor. Sim, é claro que eu pessoalmente prefiro um professor lúdico, no caso, eu ser uma professora lúdico. Como aluna, gosto de todos, contanto que saibam o que estão fazendo na profissão.

Digo que saibam o que estão fazendo, porque já tive professores que liam sem parar o texto, amo ler, gosto de ver pessoas recitando, agora ler sem parar um texto e fechar como se isso fosse aula?! Por favor, isso realmente é querer enganar um aluno. Então, ser um bom professor é ser professor, ensinar, dar aula, metodologia é apenas o caminho como esse bom professor realiza a sua aula.

Isso significa que não é bem o caminho que é o primordial, claro que caminhos precisam ser refeitos quando se anda sempre no mesmo local, somente para arejar, mudar os ares. Como eu disse, gosto de ser lúdica quando dou aula, mas não significa que aquele professor sério, não seja excelente também, por mais modernos que sejamos, uma aula expositiva não perdeu seus encantos. Mesmo que seja só a exposição de conteúdos, não perde o seu valor ao ter como expositor um professor que conheça e goste do assunto, isso já faz uma boa aula.

Bom, é isso, sem receita, mas com dedicação e amor a profissão. Só o que me causa pesar é que para ser um professor ruim é que existe receita, e por sinal muito fácil de ser elaborada. Para ser ruim, bastar não gostar do que faz, torcer para que tenham vários feriados, jogar o corpo cansado na cadeira, menosprezar tudo o que outros professores estão fazendo e funciona, entre tantas outras ações. E o pior: é que tem aluno que não consegue perceber que esse professor já deu o que tinha que dar, só resta desejar-lhe boa aposentadoria e tchau, com grande esperança de que os bons permaneçam!
Margareth Sales