Entendo a música como uma crise de maturidade, pois a mesma pressupõe saber lidar com as angústias que são inevitáveis, não mergulhando nestas!
Nenhuma verdade me machuca
Quando avançamos em maturidade emocional estamos prontos a aceitar um contingente muito maior de verdades sem a desestruturação. Nesse sentido, encaixam-se os motivos que não conseguem mais corroer...
Nenhum motivo me corrói
Até se eu ficar só na vontade, já não dói
Temperança, você consegue equilibrar e controlar os desejos.
Nenhuma doutrina me convence
Consciência de que Doutrina não é A verdade, mas uma das diversas formas de se relacionar com o todo.
Nenhuma resposta me satisfaz
As duas frases se correlacionam tanto doutrina quanto respostas dependem da pessoa, não são normas inquestionáveis.
Nem mesmo o tédio me surpreende mais
Tédio que faz parte da vida.
Mas eu sinto que eu 'to viva
A cada banho de chuva que chega molhando meu corpo nu
Renovo, esperança, apesar das dores e angústias, não é só isso!
Nenhum sofrimento me comove
Ontologicamente vivemos TODOS os sofrimentos em nossa própria carne. Não desmerecendo situações profundamente trágicas e fora de todo o universo de possibilidade em respirar... (ser), mas já vivemos tudo, separadamente!
Nenhum programa me distrai
Parece ser um reconhecimento mais visceral da miséria humana, até porque existe uma ambiguidade, pois a chuva distraí e ela se sente viva.
Eu ouvi promessas e isso não me atrai
Promessa não são ações.
E não há razão que me governe
Nenhuma lei prá me guiar
Sem razão e sem lei significam que há possibilidades para além da norma, das regras, porque estas podem ser engessantes.
Eu 'to exatamente aonde eu queria estar
Uma escolha, uma necessidade real de ser como é, apesar de... e aí retorna ao sentimento de estar vida. Tal sobriedade ocorreu porque...
A minha alma nem me lembro mais
Em que esquina se perdeu
Ou em que mundo se enfiou
Mas já faz algum tempo
Tal perda foi no passado!
Já faz algum tempo
Mas eu não tenho pressa
Finalizando com um procura por essa alma, mas sem pressa... Um encontro cada vez maior consigo mesma. Um respeito aos próprios processos.
Margareth Sales