quinta-feira, 30 de junho de 2011

Relacionamentos são apostas


O título significa que apesar de todo o desejo humano, ainda não temos a tão sonhada bolinha de cristal revelando se encontramos a alma gêmea e seremos felizes para sempre. Nesse sentido, relacionamento são apostas, desejos que se tem de que a escolha feita desdobrará em felicidade e não aporrinhações.

Então, se normalmente o relacionamento de duas pessoas que se gostam é uma aposta, imagine quando decide-se entrar em um relacionamento onde só há sentimentos em uma das partes. Quando se aposta em um relacionamento onde só um dos lados gosta a primeira coisa a estar ciente é que se o outro lado te deixou entrar, não pressupõe, necessariamente, que você ganhou a parada e que serão felizes até que a morte os separe.

Assumir um forte sentimento, uma escolha que parece ser a única possível naquele momento é uma atitude corajosa. Mas tal coragem precisa prevalecer sempre, pois não adianta em um momento à frente culpar a outra parte porque não correspondeu as esperanças criadas.

Haja vista que junto à coragem, a esperança também é um sentimento válido, mas esperança também não é bola de cristal, não define relacionamentos. É preciso entender que a aposta ocorreu porque, no momento, existe uma esperança muito grande de que esse relacionamento supra questões como: companhia, trocas de ideias e desejo sexual. Mas esperança é esperar, exatamente, algo que pode ou não vir a ocorrer, se ocorrer têm-se a felicidade de ver a aposta dar certo, do contrário, se não ocorrer pelo menos foi positiva a atitude de desejar que algo ocorresse e esperar por isso.

Nesse sentido, apostar não imputa culpabilidade no outro porque não pode devolver a mesma intensidade de sentimentos que lançaram-lhe em sua direção. Pois se para apostar é preciso coragem e esperança, da mesma forma é preciso saber ter coragem para descobrir e enfrentar que o relacionamento não deu certo e esperança de encontrar outra pessoa. De qualquer forma, o foco deve ser o entendimento que na vida tudo são apostas e que nada é dado, mas conquistado com coragem e esperança de que, um dia, encontraremos o que tanto buscamos, no terreno do amor ou em qualquer outra área da vida, para isso basta acreditar e apostar.

Margareth Sales

Sobre ouvir o outro

Para que um relacionamento seja saudável pressupõe um ouvir o outro. Mas o que seria de verdade ouvir o outro? Ouvir o outro não é só repetir as palavras ditas a si mesmo, sem formar um encadeamento lógico e consistente com a realidade que se diz. Então para ouvir é preciso estar atento a quem diz, quando diz e porque diz.

Nessa troca comunicativa alguém diz alguma coisa, esse alguém será que fala de si mesmo, ou seja, daquilo que acredita. Fala reportando-se a uma outra voz, por vezes acreditando ou por vezes colocando em questionamento o que reproduz para assimilar de forma que aquela fala passa a ser pessoal, não mais a fala do outro.

Quando diz pressupõe saber se o que foi dito aconteceu em um momento de calma, troca de ideias ou em um momento de conflito onde se deseja colocar para fora tudo o que se encontra sufocado. Ou mesmo no conflito não há uma intenção em desabafar, mas impor opiniões, subjugar a opinião do outro.

Mas o principal para tornar-se um bom ouvinte é descobrir porque se diz o que se diz. E isso é um exercício de maturidade, isso porque talvez nem mesmo a pessoa que diz, entende porque falou. O crivo então seria a intencionalidade, qual a intenção por trás do que está sendo dito? Reconhecendo a intenção ou perguntando porque em um primeiro momento não se percebe a intenção real é o diferencial entre ouvir o outro e apenas repetir mentalmente palavras que formam frases sem sentido. Para ouvir com produção de sentidos é necessário predisposição para se importar com aquele que enuncia a mensagem e esse é a diferença. Então, que possamos mais e mais ser ouvintes intencionalmente atentos porque nos importamos com aquele que comunica a mensagem.
Margareth Sales

terça-feira, 28 de junho de 2011

Ele está namorando

Então, pelo título você imagina que estou falando sobre um relacionamento que você perdeu e agora ele está namorando. Na verdade não é isso, o título foi sugestivamente colocado para dar essa impressão, porém como é notório, não escrevo senso comum, procuro sempre situações fora do padrão da normalidade para escrever. Isso porque é muito redutor fechar todo um universo em alguns grupos sociais que primam por se comportarem da forma como parece coincidir com que a norma social determina. É nesse sentido que falar sobre o que ocorre quando o seu ex consegue uma namorada e você continua sozinha, é no mínimo a situação mais analisada, banalisada e cheia de fórmulas prontas que alguém poderia escrever.

Portanto... o texto não trata do assunto discorrido acima, mas de uma situação inusitada e que não consta nos manuais “normais” de comportamento. Essa situação posso descrever como dois indivíduos que se relacionam e um só namora, o outro se encontra em um relacionamento, mas não está namorando. Para aqueles mais enquadrados na tal curva de normalidade, eles costumam rotular a pessoa de “estar ficando”, mas ficar é uma situação social muito bem delimitada e não é o assunto que estou tratando.

Vamos então levantar a diferença? Ficar não está atrelado a relacionamento, está ligado a uma situação parecida com a anterior onde dois indivíduos se encontram, conhecidos ou não e trocam beijos, abraços, carícias desdobrando ou não no ato sexual. Agora, a diferença de ficar para um relacionamento é que o relacionamento como o termo já disse, envolve: relacionar-se! Para ficar ninguém precisa relacionar-se para ter um relacionamento sim.

Para melhor entendimento voltemos a situação que deu origem ao título da crônica. Dois indivíduos se relacionam e um namora! Mas como é isso? Na realidade não é difícil entender, primeiro se nesse relacionamento um namora, o outro não, então ninguém está ficando, estão relacionando-se. Só que um lado do casal está comprometido, o outro não, e como isso ocorre na prática? Por exemplo: um dos dois chama o companheiro (a) de amor, querida, avisa tudo o que faz, não olha e não se envolve com outras pessoas. Obviamente, vemos um comportamento compromissado o que pressupõe relacionamento, claro, e também um namoro! Em contrapartida a outra parte está se relacionando e demonstra isso, por reservar momentos na sua agenda para o outro, por atuar junto ao outro de forma a dirimir problemas através do ouvir, aconselhar ou ombro. Porém, essa segunda parte do casal não usa adjetivos românticos, não dá satisfação nenhuma de seus caminhos e avisa que está aberta para novos relacionamentos.

Mas o que isso tudo quer dizer? Que aquele que namora é um “doido varrido” esperando a próxima leva para ser internado? Acredito que não, primeiro, se o que namora está ciente que faz isso sozinho (a) e que acha viável tal situação, porque enquadrar todo mundo em uma fôrma? É preciso só discernir se é de verdade uma escolha ou se um dos lados está sendo iludido ou iludindo o outro.

Nesse sentido, a maturidade pressupõe uma série de acordos vantajosos para dois adultos, independente se encontram-se dentro daquilo que se taxa como normal ou não. O crivo é pessoal, é descobrir como viver sua vida da melhor forma possível com as opções que encontram-se ao seu alcance. O que não vale é quando esse mesmo casal em foco aqui decide não namorar mais porque seu companheiro (a) também não se encontra no mesmo momento, apesar de ser quem a pessoa que namora quer namorar no momento. Do outro lado também não vale a pessoa que não está namorando abandonar seu parceiro (a) só porque esse está muito mais envolvido e, apesar de toda a diferença de sentimentos o relacionamento vai bem e tem sido bom, mesmo que não esteja selado na rocha que seja até que a morte os separe.

Relacionamentos são bons não importa se seguindo a norma social ou não. Ficar é momentâneo, faz até parte, mas relacionar-se é melhor, dá gostinho na vida, alegra. Há, mais não vale se os dois não estão comprometidos... Quem disse que não? Se os dois se relacionam com ou sem compromisso é mais um alento para a vida que é tão difícil, é uma troca que ocorre, sem data marcada: sexta, sábado e domingo, talvez quarta? Então, mesmo sem data marcada, o relacionamento ocorre, um ajuda no crescimento do outro e vão vivendo... Quem sabe um dia, os dois não estejam no mesmo momento? É só esperar para ver...
Margareth Sales

Não tenho namorado, mas namoro

Em homenagem especial ao mês dos namorados, vou falar especificamente sobre relacionamentos.

Como assim? Deixa eu explicar, às vezes duas pessoas percebem que se divertem estando juntas, são amigos, mas não querem namorar. E porque não querem namorar se gostam de ficar juntas? Porque não há amor e nem possibilidades de que venha a ocorrer. Porque são incompatíveis com os propósitos de vida, cada um caminha em lados opostos. Mas mesmo assim, gostam de passar um tempo juntos e trocarem “fluídos”.

Na realidade vivemos em uma sociedade que cobra que o homem não viva só. Não é uma cobrança absurda, é só observar que é verdadeira e natural porque salvo raríssimas excessões ninguém quer estar sozinho. Mas ter um namoro lavrado em cartório, com firma reconhecida e assinatura em sangue também não é sinal de que a criatura não estará só.

Portanto, se entre vários mundos reconhece-se que ainda não apareceu ninguém que, definitivamente, se queira oficializar um relacionamento, necessariamente, não pressupõe a solidão total e absoluta do ser que não tem namorado (a). Por isso, namorar é fundamental, mas pode-se namorar sem ter um namorado.
 
Às vezes, não é só o amigo que namoramos, ou seja, sempre encontramos, sempre “trocamos fluídos” mas não é nada oficial. Por vezes, então, namoramos a pessoa mais próxima a nós, um namoro platônico, ingênuo, de troca, de olhar de aprovação, sabendo que por ser platônico não é para durar a vida toda, mas é namoro de transição.
 
Às vezes, namoramos nosso bichinho de estimação... E ele nos faz companhia, mas também não é para sempre, é só um período de transição. Essa transição pode ocorrer por diversos motivos: geograficamente você se encontra em um local onde as pessoas são diferentes culturalmente do seu ambiente e você realmente não adapta-se a essa cultura. Por isso, no momento você vive um relacionamento com alguém dessa cultura, diferente da sua, mas não será para sempre, porque dentro de um período você retornará de onde veio e buscará alguém que se identifique mais com seus anseios.
 
Há que ressaltar que é preciso ter “bala na agulha” para levar um relacionamento não formal. Têm-se dois caminhos, esses são, exatamente, a escolha entre ficar sozinho ou curtir não alguém que desdobrará em “serão felizes para sempre”, mas em alguém que será companhia nesse momento, até que as circunstâncias da vida os separem. Ou seja, escolher entre assumir que está em transição e optar por um relacionamento não oficial ou ficar sozinho. A escolha então é individual, você que decide não a sociedade e seus processos de normatização.
Margareth Sales

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A tirania da nota 10


O que significa o 10? Na nota 10 está incutido uma relação semântica, porque tem vários significados psicológicos atrelados ao conceito de tirar 10. Esse conceito tem uma representação tanto no referencial simbólico dos alunos quanto de professores, podendo ser na maior parte das vezes um processo tirano.

Em um primeiro sentido a nota 10 está estritamente ligado à excelência, mas também a perfeição. Será que excelência é sinônimo de perfeição? Não poderia ser porque perfeição pressupõe não errar e quem é que pode não errar? Então, diante disso é a excelência não a perfeição que são fatores conclusivos para atribuir a nota 10 ao aluno.

Como seria então essa excelência? A excelência envolve um conjunto de fatores. Não sendo o excelente sinônimo de perfeição, mas de ser muito bom e o muito bom seria capricho, mas se houver uma palavrinha rasurada? Não é mais capricho? Exatamente nesse ponto desenvolve-se a questão, uma rasura não constitui sinal de falta de capricho, apenas sinal de que não se é perfeito. Nesse sentido, ser muito bom é ter tanto o português falado quanto o escrito de acordo com a norma padrão culta, mas novamente, se troca-se um j por um g, ou outro exemplo qualquer. Ainda assim não é falta de excelência, porque conhecer a língua portuguesa de forma 100% acurada também é perfeição, não conhecemos nada 100%, a ignorância faz parte do devir humano.

Isso significa que não somos, estamos em um permanente vir a ser, e nessa relação filósofica, nosso processo cognitivo também atua dessa forma, ou seja, não existe perfeição, mas excelência. Na continuação então uma resposta excelente privilegia capricho, o uso da norma culta e coerência com o material estudado.

Pontuando que coerência com o material estudado não significa repetir ponto e vírgula do autor base do estudo. Essa educação da “decoreba” é a famosa educação tradicional que na realidade encontra-se tão viva e atuante quanto no tempo de sua formação, ou seja, século passado! A aprendizagem pressupõe parafrasear o autor, nesse caso, como diz Piaget assimilar o conhecimento do autor, acomodá-lo e transformá-lo na sua linguagem, pois o conhecimento agora é seu. Mas há aqueles que ainda privilegiam o conhecimento como um recorte do livro didático que se usa, esse professor vai dar 10 ao se fazer um Ctrl+C, Ctrl+V da questão e eu afirmo: esse professor está equivocado.

Agora e o 10 na visão do aluno, o que seria? Geralmente, o 10 é expressão na maior parte das vezes, para o aluno de uma neurose onde é preciso ser perfeito, onde o 10 significa que o massacre emocional-cognitivo que ele passa para apreender foi validado com a tão sonhada nota. Haja vista, que a educação nos moldes que se apresenta, muitas vezes ainda tradicional é um massacre emocional-cognitivo pois nunca privilegia o tempo da alteridade aprender, mas é necessário entender aquele assunto mesmo que não seja o momento do aluno ainda compreendê-lo. Perceba que todo o conhecimento é importante, dizer que aprender física, matemática ou química não serve para nada, principalmente para algumas áreas como Humanas é uma falácia. Precisamos ser interdisciplinar, conhecimento não ocupa lugar, todo conhecimento é importante, mas não aprendemos porque é preciso, aprendemos porque chegou a hora de aprendermos, isso significa que aprendemos no momento certo.

Às vezes, esse aluno que espera por um 10 está refletindo apenas o desejo dos próprios pais que para apresentar em sociedade um filho especial, o que pressupõe ter orgulho apenas quando aquele filho lhe dá. Essa atitude reverte a verdadeira posição dos pais, amar o filho acima de tudo. Assim, o 10 se torna tirano porque é expressão de um vazio emocional no qual ao amor atribui-se a perfeição, para ser amado o filho precisa ser perfeito.

Nesse sentido, se ao 10 é atribuído apenas a excelência então esse conceito poderá ser mais justo, porque lido, refletido, correlacionando o assunto a outras leituras, então, sim se é digno do 10, do contrário talvez não. Porém, nesse caso outro fator se faz questionável, de verdade não é a nota atribuída por alguém que têm o poder de definição pessoal e isso é óbvio. Mas não há coerência humana que admita a disparidade entre o potencial que o aluno sabe que têm, o quanto ele se dedicou, as inferências que fez no assunto, a capacidade ampliada porque estudou e levou o assunto para outros meios sociais, correlacionando-o. Especificamente esse aluno por mais que saiba que a nota não diz quem ele é, muito menos que representa que ele é “mais amado”, porém humanamente é doloroso ver todo o seu esforço desvalorizado.

Mas esse aluno que não admite conscientemente a disparidade entre o conhecimento e a nota atribuída, também sabe que não sendo perfeito, mas amante da excelência se a sua nota não for 10 não há motivos para dores, contanto que a nota não seja medíocre.

Finalizando, busca-se o 10 como aluno mas a maturidade pressupõe não sentir-se ofendido se o 10 não vier. Na outra ponta da questão aqui desenvolvida é preciso ter ciência de que o papel do professor como sinônimo de autoridade para quantificar o aluno precisa ser sempre repensado e com consciência de que o máximo possível deverá atribuir a nota à excelência, nunca à perfeição pois essa não existe!
Margareth Sales

sábado, 28 de maio de 2011

Quando uma mulher ama um homem


O subtítulo poderia se chamar o que quer uma mulher. Na realidade nessa busca histórica por um companheiro queremos uma resposta quase como uma fórmula mágica. A fórmula mágica se encontra ligada ao fato de que se quer resposta o mais rápido possível para que se consiga o objeto do desejo. Então, não é uma fórmula mágica, mas vamos a algumas características para reconhecer quando uma mulher ama um homem.

É comum dizer que a mulher vive em um mundo emocional e como tal sua sobrecarga psíquica é maior, nesse sentido o homem que quer ser objeto de amor de uma mulher precisa conter-lhe. Ou seja, fazer com que ela se sinta segura e aconchegada nos braços desse homem, esse corpo precisa ser para ela um abrigo, por isso a máxima de que dormir de conchinha é uma situação de reconforto feminino.

A mulher ama um homem quando mesmo depois de um tempo de distância ele resolveu fazer por ela aquilo que às vezes está acima de suas possibilidades ou ela consegue mas é um fardo. Então quando esse homem vendo quando ela vai trabalhar no que considera fardo, tira das mãos dela e diz para deixar com ele, tirando o fardo que não lhe pertence seu olho brilha, seu coração pulsa. Entenda que aqui não está dito que mulheres não conseguem funcionar da mesma forma que um homem, mas ela não é um homem e gosta sim da feminilidade que é melhor desenvolvida quando ela não resolve tudo.

Principalmente, a mulher ama um homem quando ele durante o sexo demonstra que ela é tudo para ele, talvez aqui seja o maior segredo. Perceba que não é todo homem que irá conseguir isso, até porque a mulher não será tudo para todo homem, mas é nesse momento que entra a tão falada química. Essa química é, exatamente, quando o desejo dele é tão forte por ela e precisa ser realmente forte. Haja vista, que só o fato dela ser uma mulher já significa que qualquer homem terá esse desejo forte, mas é mais que isso.

Esse forte desejo, forte atração é visto quando esse homem consegue conter e esse conter envolve o desejo que ela tem de se ver abraçada por ele. Nesse abraço ela precisa se sentir segura, localizada, ou seja, sentir-se no lugar certo, na hora certa, ocorrendo o sentimento de pertencimento, ancoragem. Ela sente-se desejada como se nada e ninguém mais houvesse, como barreira mesmo corporal que serve de abrigo contra as intempéries. Um sentimento de compreensão, de inclusão de forma que possa deter não todas as dores, mas principalmente a da solidão que é trocada pelo amor. E quando necessário usar essa força do amor para conter as dores que advirão no caminhar...
Margareth Sales 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Desabafo de uma estudante universitária

Então educação virou o foco de notícias nesses últimos dois meses e é nesse contexto que verdadeiramente abro espaço no meu próprio blog não para fazer literatura, mas para desabafar, colocar toda a minha angústia e dores para fora. 

Usando o exemplo da professora Amanda Gurgel e não pretendendo de forma nenhuma ser ela e nem comparar a angústia de um estudante universitário, em Pedagogia, com o verdadeiro descalabro que realmente a educação se encontra. Mas usando o seu momento para falar sobre o meu como forma de “lavar a alma”, de realizar um momento catártico!

Ouço Roupa Nova no show 30 anos junto com Milton Nascimento cantando Nos bailes da Vida, me lembra de mim, do meu processo artístico e, principalmente, pessoal e agora de minha formação como educadora. Vivo esse momento como baile da minha vida e o canto “com a roupa encharcada e a alma repleta de chão”. E isso significa que me realizo em sala de aula, mesmo sendo fundamentalmente escritora, mas não sou só isso, sou educadora. Como educadora, com Milton Nascimento, com seu Coração de Estudante, a MPB, a minha escrita faço também meu palco artístico e amo esse espaço.

Por isso, estou aqui com essa alma repleta de chão, gritando, agora com meu coração de estudante, escrevendo a minha dor, compartilhando para descobrir se essa é só minha ou posso compartilhar com meus amigos de estrada, os estudantes. Como estudante minha labuta, minha busca diária se chama nota, é essa que me qualifica e é exatamente o ponto mais questionado, mais discutido em toda a Pedagogia.

Não importa se meu conhecimento é sedimentado, não importa se inferi, entendi, mais do que isso, não importa se fui além desse conhecimento. Não importa se ao estudar Ciências Naturais na Educação 2, se depois de anos, finalmente entendi todo o processo da fotossíntese, haja vistas que é difícil apreender como uma molécula de glicose (C6H12O6) se forma, seus meandros. E o material didático da minha faculdade tem muito bem explicado como é feito. Mas não importa, você tem um material bom e é te cobrado a mediocridade, está lá o gabarito, formado em palavras e setas para exemplificar o ciclo do nitrogênio, água e caborno.

Ou então, você estuda, infere, risca busca referências em outros teóricos, mas sua questão se encontra errada, exatamente: ERRADA, ainda que a pedagogia já não se baseie em juízo de valor, mas em construtivismo. Errada porque o autor disse que adolescentes gostam de carnaval, hip hop e religiões afro-descedentes. Sinceramente, não conheço um adolescente que goste do que foi citado, talvez exceto o hip hop, mas na realidade vejo mais é gostar de funk e também de mpb e rock. Mas mesmo que a realidade não seja isso, a questão foi verdadeiro e falso e eu “deveria” ter lembrado que no texto estava escrito isso... Mas não, eu lembrei dos pontos mais importantes como a educação se faz por meio da realidade dos alunos, o hip hop, porém não serviu e fiquei com 6,6 apesar do conhecimento do assunto.

É, estou terminando, em junho de 2012 já posso me chamar Pedagoga, mas estou terminando desanimada, acorrentada, sem voz, com um sapo enorme que me desce a goela. Estou terminando ressentida, estou terminando traumatizada, pesado? Estou exagerando? Sou a única? Será? Meu conhecimento não está valendo nada, tudo o que estudo, tudo o que aprendo, já na graduação vê-se que não se coaduna com aquele que detêm o poder da caneta vermelha, ou para dizer que é diferente, atualmente corrigi de lápis mesmo!

E para calar a minha boca, quando reivindico de forma mais incisiva ainda ouço: “mas eles têm mestrado”! Quer dizer, que o mestrado virou sinônimo de Deus, porque se a premissa for verdadeira, esperem... Pretendo chegar ao doutorado, e segundo a assertiva, não terei mais erro, estarei acima do bem e do mal. Volto então a Milton Nascimento, agora com coração de estudante: “Já podaram seus momentos. Desviaram seu destino”. Me sinto assim, vitimada por aqueles que possuem esse mestrado e que na realidade em nenhum momento vi falando algo diferente de mim, que estou me graduando pela primeira vez. Claro, que possuem a grande capacidade, tão bem pontuada por Vigotski de mediar, ou seja, levam-me pelas veredas do conhecimento, apontam referenciais que contribuem para solidificar ainda mais meu conhecimento. Mas não são deuses, nunca!

Minha estima acadêmica está um “bagaço”, enquanto ouço Roupa Nova, revisito Milton Nascimento em uma segunda-feira, minha vontade não é só colocar o pé na estrada. Mas cair na noitada de uma boate e dançar até esquecer qualquer conhecimento acadêmico, não para sempre, mas como diz o AA, só por hoje. Hoje que estou moída, doída, que compartilho das palavras de Reich em seu livro Escute Zé-Ninguém!

Quero aproveitar que meus sobrinhos estão aqui e jogar Super Nintendo, PlayStation 2 e pular em cima de bichinhos coloridinhos como catarse emocional. Isso porque como diz o Paralamas do Sucesso: “Ninguém foi ao seu quarto quando escureceu”. Trocando a linguagem da música para a da Pedagogia não privilegiaram o conhecimento mas a “decoreba”, pois quando sou obrigada a lembrar que no texto de determinado pensador que afirma que adolescentes gostam de carnaval, para mim é “decoreba” porque a realidade me mostra outra situação.

Como diz os vendedores ambulantes que entram no seu ônibus: “Eu poderia estar estudando, mas estou incomodando o silêncio da tarde de vocês para desabafar”. Minhas notas caíram, cheguei a supor questões cognitivas, ontem li quatro capítulos de Freud: As sutilezas do ato falho, o mecanismo psíquico do esquecimento, lapsos de escrita e lapsos de leitura. Porque a mim é atribuída a responsabilidade de tirar 5,3, 5,5 e 6,6 em três matérias, ao estudante é atribuído a falha e como vivo em uma sociedade, segundo Freud chama de Mal Estar na Civilização, onde a culpa é a “bola da vez”, normalmente acabo por imaginar o que está acontecendo comigo?

O que está acontecendo comigo? Com 40 anos estou traumatizada, com 40 anos acredito que a educação é reprodução ideológica como aponta Althusser, com 40 anos acredito que sou oprimida, como afirma Paulo Freire. Com 40 anos chego a tramar meu plano de vingança de deixar de ser oprimida e maquiavelicamente ser opressora, pois pretendo chegar ao doutorado... Estão ouvindo? Risadas maquiavélicas.

Sinceramente, não é isso que quero, quero que a Amanda Gurgel seja referencial como está sendo... Quero que a educação mude, quero que a bandeira EAD não seja marca de oposição ao estudo presencial, muito menos que a exemplo da fala do Miguel Fallabela, se encontre apenas os restos de giz em uma escavação arqueológica. Desejo que o meu pão nos bailes da vida por onde passar seja conseguido através do ensino da arte, arte lida, arte ouvida, arte vista. A educação precisa ser formadora, construtora e não fragmentadora do sujeito, não é para duvidarmos de que estamos aprendendo. Ao homem é dado o conhecimento, ele sempre vai aprender, formal ou informalmente.

Como diz o Roupa Nova que continuo ouvindo: “A alma advinha o preço que cobram da gente”. Que preço é esse? É o preço de minha sanidade mental que chegou ao ponto de pular questões na prova, imprimir trabalho com páginas faltando, escrever de mim como se fosse do gênero masculino por astenia intelectual ou uma forma de mensagem inconsciente de que não corroboro a imposição dominante daqueles que nos atribuem a nota? É o meu ego que está sendo esfacelado ou minha capacidade cognitiva que está aquém do que a academia exige? Pensem nisso, talvez no meu desabafo à linha de Reich no livro Escute Zé-Ninguém há mais de acadêmico do que se possa supor...
Margareth Sales