quinta-feira, 19 de setembro de 2019

O francês


Na realidade, o francês não era francês. Era Africano e eu só me envolvi nessa crônica, por um único motivo: o francês! Isto é: a língua francesa...

Estava assistindo um espetáculo no Sesc, como de costume. A peça chamava-se UBUNTUN e os atores lançavam do palco a pergunta o que seria Ubuntun e só responderiam ao final do espetáculo. Para mim, não havia mistério: Ubuntun era um dos Sistemas Operacionais do Linux. Não era... claro!

Assim, encerrada a apresentação um homem levanta-se e começa a gesticular e falar em uma língua bem enrolada. Eu tentava identificar se a dificuldade de entendimento era por conta do barulho de final de espetáculo ou era uma língua estrangeira que estava sendo falada. Tentando deter minha atenção descubro que era o francês que o indivíduo falava. Y A Y !!!

Meu inglês há tempos já está perfeitamente treinado. Meu foco atualmente é o francês. E, finalmente, um falante dessa língua aportava aqui por estas terras. 

Não me fiz de rogada, defini meu alvo, mirei e... fui atrás do francês. Ele já era um senhor bem passado da meia idade, portanto deixei claro, de início, o meu interesse desmedido pelo indivíduo: o treino da língua.

Ao me apresentar fui logo interpelada pela "intérprete" que tomando ciência do meu intento já foi tentando me afastar do seu troféu de estimação e tascou-me, de imediato, o endereço da Aliança Francesa. Bem, não era qualquer cicerone de plantão que me faria perder o foco. Afinal, não é, de fato, nos cursos que aprendemos uma língua, mas nas interações...

Já tinha consciência disto desde os primórdios do meu cursinho de inglês. Respondi-lhe que não tinha tempo para cursos (mentira, claro!) e continuei no diálogo com o meu francês.

Detive a atenção do estrangeiro, tanto que em seguida senti o ciúme da idosa proprietária do visitante. Nada que pudesse me parar, mesmo que tivesse um diamante enorme no dedo esquerdo e fosse, realmente, a senhora do senhor, não me deteria. Porque o meu interesse era fortuito, ou seja, tirar o máximo de falas, em francês, dos poucos minutos que tínhamos, antes do Sesc nos expulsar, por definitivo.

Conversa vai, conversa vem... Assunto profissão entra no diálogo. Digo que sou escritora, sinto logo o interesse e passo a mostrar meu trabalho (que sempre carrego na bolsa, ou no celular). Muito interessado em adquirir parte do meu imenso repertório; sua proprietária já salta, de novo, à frente e tenta cercear o direito dele em adquirir como uma pessoa autônoma e livre para gastar seu dimdim com o que bem entender.

Nesse momento, percebi que para além de um interesse emocional, um namorado estrangeiro, por exemplo, havia nela um interesse financeiro. Putz! Vai ser clichê de brasileira na #$%¨&& Ela apontava a carteira do outro e tentava provar que o dinheiro não era suficiente para comprar minhas obras e, ainda, pedir um táxi ou uber. 100nhor!

Obviamente, diante de uma situação, como dito anteriormente, clichê! Não consigo sentir empatia por alguém que se sente tão desprotegida, tão aquém de uma vida real que precisa caçar um estrangeiro, se tornar apoio deste, pois pelo que consegui captar da conversa, ele estava hospedado na casa da intérprete. Somos muito mais capazes que isso, capazes de pagar nosso próprio uber ou táxi, sem necessidade de legislar sobre a carteira do próximo. Imagine o quanto essa senhora se faz refém das circunstâncias da vida, ou seja, o "francês" era livre para adquirir o que quisesse e quando quisesse e fez, levou um dos meus jornaizinhos. Em outras palavras, quase que a acompanhante ficou sem a carona para casa, porque se fez sujeita do desejo do próximo, no lugar de fazer valer o próprio desejo! Patético!

De qualquer forma, tudo deu certo e a noite foi vantajosa para todo mundo! Pude treinar o meu francês, vendi parte das obras que levei. Não só para o Africano, tinha mais noite ainda para acontecer, porque depois de um bom espetáculo cabe uma volta ao shopping para comer, principalmente que em geral quando nos dispomos a sair, acabamos por esbarrar em amigos saudosos e... muita coisa tende a acontecer, a noite é uma criança, mas isso é outra crônica.


Margareth Sales

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Sobre a Prática da Escrita

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Volta às aulas


quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Reflexões de Final de Ano

terça-feira, 10 de julho de 2018

sexta-feira, 9 de março de 2018

O dente

Historinha feita para dar aula quando fiz o Pedagógico, no Ensino Médio.

         Amanda morava no País dos Sonhos quando, certo dia, ela passeava pelo jardim de sua casa e, de repente, deparou-se com um dente enorme!
            – Quem é você? – Perguntou a menina.
            – Sou a Branca de Neve! Idiota! Você não está vendo que sou um dente?
            – Claro que sim! Mas não precisa ser tão ignorante!
            – Ah! Desculpa é que eu estou revoltado! Vocês sempre me tratam muito mal e eu não faço nada.
            – Nós! Ignorantes! Por quê? Eu nunca fiz nada para você?
            – É esse o problema vocês nunca fazem nada por nós, comem e comem e depois? Depois nada! Nem ao menos se preocupam em nos escovar, e aí quando ficam com alguma cárie começam a nos xingar, como se tivéssemos culpa!
– Ah! Me desculpa! Mas você sabe como dor de dente é ruim!
            – Mas será que você não entende que só terá dor de dente se não cuidar deles?
            – É! Até que você tem razão!
            – Agora que você já sabe disso nunca mais se esqueça de escovar os dentes e cuide bem da gente que cuidaremos bem de você!
            Assim o dente ficou amigo de Amanda e ela ficou amiga dele: E os dois viveram felizes para sempre! Sem dor!

Margareth Sales