quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Reflexões de Final de Ano

terça-feira, 10 de julho de 2018

DA LITERATURA INFANTIL AOS ROMANCES# MARGARETH SALES

sexta-feira, 9 de março de 2018

O dente

Historinha feita para dar aula quando fiz o Pedagógico, no Ensino Médio.

         Amanda morava no País dos Sonhos quando, certo dia, ela passeava pelo jardim de sua casa e, de repente, deparou-se com um dente enorme!
            – Quem é você? – Perguntou a menina.
            – Sou a Branca de Neve! Idiota! Você não está vendo que sou um dente?
            – Claro que sim! Mas não precisa ser tão ignorante!
            – Ah! Desculpa é que eu estou revoltado! Vocês sempre me tratam muito mal e eu não faço nada.
            – Nós! Ignorantes! Por quê? Eu nunca fiz nada para você?
            – É esse o problema vocês nunca fazem nada por nós, comem e comem e depois? Depois nada! Nem ao menos se preocupam em nos escovar, e aí quando ficam com alguma cárie começam a nos xingar, como se tivéssemos culpa!
– Ah! Me desculpa! Mas você sabe como dor de dente é ruim!
            – Mas será que você não entende que só terá dor de dente se não cuidar deles?
            – É! Até que você tem razão!
            – Agora que você já sabe disso nunca mais se esqueça de escovar os dentes e cuide bem da gente que cuidaremos bem de você!
            Assim o dente ficou amigo de Amanda e ela ficou amiga dele: E os dois viveram felizes para sempre! Sem dor!

Margareth Sales

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Crônica de uma morte anunciada

Texto Inédito

Você passa por aquela loucura de achar que vai morrer porque sua pressão é muito alta, quando vai ao pronto-socorro é atendido de urgência. A cara das pessoas que vêem o resultado numérico de sua pressão é “putz! Já era!”. Só que, interiormente, reconhece... é a sua vida, seu organismo se adaptou a ansiedade que gerou a pressão alta e remédios não adiantariam, pois é o seu quadro clínico e, possivelmente, vai viver até quase 90 sem medicação e com a pressão alta, porque a tia vive assim... Não é só a tia é uma leitura de mundo, na qual fica claro que apesar da medicina ter evoluído, também gerou as doenças! Pressão alta é contemporâneo, mas quando não havia a urgência em se prevenir a pressão, muita gente sobreviveu!
         Entretanto, você cede à mídia e consulta o cardiologista depois de anos vivendo sem medicação. Afinal, ficar zureta (tonta) todo o dia, confusão mental no sentido físico, pescoço repuxando, formigamento no pescoço, ser acordada de madrugada com taquicardia, começam a te assustar. Te assustam porque aos 47 anos de vida você vive sua melhor história: liberdade, amor de verdade, cuidado pela sua casa, crescimento pessoal em todos os níveis! O medo de morrer então agrava os sintomas. E o resultado da ida ao médico: atenolol 25mg de 12 em 12 horas e losartana 50mg pela manhã, primeira coisa que passa pela cabeça “estou velha”; segunda coisa, pelo menos vou parar de me sentir bêbada todo tempo! Mas nada mudou... Possivelmente sua pressão está mais alta, por quê? Mesmo com a medicação sua pressão chega a 15x9 na segunda-feira e no domingo de carnaval depois de você passar pelo bloco sua pressão está a 18x10!
         A parte séria da piada... testamento: deixo meus livros para meus amigos, se é que restou algum... Porque PQP essa história de só achar legal quando eu estou bem, já deu, né? Eu estou bem, porém segundo a medicina com altas probabilidades de AVC e infarto, altas significa se eu sumir 12 horas trate de me procurar, pois posso estar gelada no chão da minha casa (p.s: amo humor negro... se você também gosta assista Dead Like Me – fantástica – precisamos rir da morte, para Cazuza “Eu vi a cara da morte e ela estava viva”! Em segredo: também vi a cara dela essa semana! Ontem meia dúzia delas me acompanharam 23h30min enquanto eu saia do bloco e ia para a Emergência! Quase me misturei com elas, o roxo... a foice... mas não fui porque a cara era do Pânico! Porra, a minha morte não é assustadora, a foice e o roxo eu aceito, mas a cara poderia ser da caveira, seria mais amigável do que a do Pânico! Ou um anjo gostosão, Jesus Cristo bondoso, pode ser! Acredito que tem alguma coisa depois da porta, partes da Bíblia, a Bíblia em si não, não é isso que está depois da porta!
         Voltando ao testamento... deixo os livros e filmes, aos meus amigos, aos verdadeiros. Não sou eu que sei quais são os verdadeiros, são eles que sabem! Porque meu coração é dado, minha ternura é grande, minha porta é aberta, mas deixei muita doença entrar por causa da minha própria e porque a patologia não me assusta, me instiga e fui solidária com os doentes e patológicos! No entanto tiveram os abusos... e tive que dizer “Dos cegos do castelo me despeço e vou”, por isso no meu testamento não há “deixo para fulano e cicrano”, porque adotando Lacan que se nomeie os meus amigos reais, pois não me atrevo a nomeá-los! Deixo a consciência de cada um decidir quem são! E se eu sobreviver... um esforço para me conquistar... se quiserem... porque não importa! De tudo o me restou, restou a mim e esse é o meu melhor presente e tento cuidar de mim mesma com o melhor possível, sempre que vou a cozinha preparar, faço a refeição dos deuses, pois meu corpo merece, eu mereço! Amo sentar à mesa que conquistei, com a organização que conquistei, com o dom de cozinhar que conquistei e o cuidado pela minha casa que conquistei e saborear uma excelente refeição feita por mim!
         Deixo livros e filmes, pois são a melhor parte de mim. Todo o resto vai para o meu irmão e sobrinhos que amo! Tudo: os vários computadores, impressoras, tecnologia que é o que mais tenho, todas as outras informações e o que pode rendem muito dinheiro também, ou seja, MEUS ESCRITOS, são todos do meu irmão para ele vender e para eu ser mais uma estatística, famosa depois de morta!
         Só que mesmo com a pressão beirando o absurdo e o povo da área de saúde interpretando o quadro de Munch, não acho que vou morrer! Acredito que vou superar e serei daquela elite rara que vive bem da escrita e com a escrita que tornou-se famosa antes da morte! E os médicos... vão perceber que existem milagres para além dos medicamentos. Por último, “eu vou botar meu bloco na rua” nessa segunda de carnaval!

Margareth Sales

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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

domingo, 17 de dezembro de 2017

Escritora Margareth Sales


sábado, 25 de novembro de 2017

O preço do trabalho


 
Repostagem com alterações


Atribuir tempo e dedicação a um propósito é trabalho e esse requer remuneração. Qual é, então, o seu verdadeiro preço? Primeiro, devo dizer que os afazeres precisam ocupar um determinado número de horas na vida, não todas as horas! Aquele que ocupa todas as horas de sua vida dedicando-se ao meio de sobrevivência é workaholic e para esses há tratamento específico.
Então, o batente deve ocorrer o tempo necessário para que nos sintamos produtivos e fornecer recursos suficientes para desenvolver qualquer outra área em nossas vidas. Isso quer dizer, que o preço que eu cobro pelo trabalho não é só o equivalente aos custos do material, despesas para fazê-lo e meu lucro. No entanto, lide é isso tudo mais a margem de lucro, suficiente, para que eu possa ter um ambiente saudável dentro de casa, os bens humanos construídos socialmente (equilibrando capitalismo e necessidade real de determinado bem) e dinheiro para diversão além do espaço da casa e do ambiente laboral.
Utópico? Parece, mas sei que a partir do momento que você valoriza o seu trabalho suficientemente, ele vai ser procurado de forma que precisem te pagar como você sabe que merece receber.  O tempo que você ocupa dedicando-se a um projeto pedido por outra pessoa deve ser pago.
O local onde angaria o ganha-pão, também, pressupõe ambiente saudável e equilibrado, tanto emocional quanto fisicamente. Isto quer dizer que seu corpo deve estar bem confortável no espaço laboral. Um ponto a ser ressaltado: aqueles que de uma forma ou de outra não querem pagar, justamente, pelo seu afazer é porque não acreditam nele, mesmo que digam o contrário. 
Concluindo, o resultado de seu labor é a eficiência, procurando qualidade e superando as limitações da máquina humana, que pressupõe falhas, mas sabendo usá-las como argamassa ao ligar as fraturas ao eficiente projeto em desenvolvimento. 

Margareth Sales