terça-feira, 10 de julho de 2018
sexta-feira, 9 de março de 2018
O dente
Historinha feita para dar aula quando fiz o Pedagógico, no Ensino Médio.
Amanda morava no País dos Sonhos quando, certo dia, ela
passeava pelo jardim de sua casa e, de repente, deparou-se com um dente enorme!
– Quem é
você? – Perguntou a menina.
– Sou a
Branca de Neve! Idiota! Você não está vendo que sou um dente?
– Claro
que sim! Mas não precisa ser tão ignorante!
– Ah!
Desculpa é que eu estou revoltado! Vocês sempre me tratam muito mal e eu não
faço nada.
– Nós!
Ignorantes! Por quê? Eu nunca fiz nada para você?
– É esse
o problema vocês nunca fazem nada por nós, comem e comem e depois? Depois nada!
Nem ao menos se preocupam em nos escovar, e aí quando ficam com alguma cárie
começam a nos xingar, como se tivéssemos culpa!
– Ah! Me desculpa! Mas você
sabe como dor de dente é ruim!
– Mas
será que você não entende que só terá dor de dente se não cuidar deles?
– É! Até
que você tem razão!
– Agora
que você já sabe disso nunca mais se esqueça de escovar os dentes e cuide bem
da gente que cuidaremos bem de você!
Assim o
dente ficou amigo de Amanda e ela ficou amiga dele: E os dois viveram felizes
para sempre! Sem dor!
Margareth Sales
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
Crônica de uma morte anunciada
Texto Inédito
Você passa por aquela loucura de achar que vai
morrer porque sua pressão é muito alta, quando vai ao pronto-socorro é atendido
de urgência. A cara das pessoas que vêem o resultado numérico de sua pressão é “putz!
Já era!”. Só que, interiormente, reconhece... é a sua vida, seu organismo se
adaptou a ansiedade que gerou a pressão alta e remédios não adiantariam, pois é
o seu quadro clínico e, possivelmente, vai viver até quase 90 sem medicação e
com a pressão alta, porque a tia vive assim... Não é só a tia é uma leitura de
mundo, na qual fica claro que apesar da medicina ter evoluído, também gerou as
doenças! Pressão alta é contemporâneo, mas quando não havia a urgência em se prevenir
a pressão, muita gente sobreviveu!
Entretanto,
você cede à mídia e consulta o cardiologista depois de anos vivendo sem
medicação. Afinal, ficar zureta (tonta) todo o dia, confusão mental no sentido
físico, pescoço repuxando, formigamento no pescoço, ser acordada de madrugada
com taquicardia, começam a te assustar. Te assustam porque aos 47 anos de vida
você vive sua melhor história: liberdade, amor de verdade, cuidado pela sua
casa, crescimento pessoal em todos os níveis! O medo de morrer então agrava os
sintomas. E o resultado da ida ao médico: atenolol 25mg de 12 em 12 horas e
losartana 50mg pela manhã, primeira coisa que passa pela cabeça “estou velha”;
segunda coisa, pelo menos vou parar de me sentir bêbada todo tempo! Mas nada
mudou... Possivelmente sua pressão está mais alta, por quê? Mesmo com a
medicação sua pressão chega a 15x9 na segunda-feira e no domingo de carnaval
depois de você passar pelo bloco sua pressão está a 18x10!
A
parte séria da piada... testamento: deixo meus livros para meus amigos, se é
que restou algum... Porque PQP essa história de só achar legal quando eu estou
bem, já deu, né? Eu estou bem, porém segundo a medicina com altas
probabilidades de AVC e infarto, altas significa se eu sumir 12 horas trate de
me procurar, pois posso estar gelada no chão da minha casa (p.s: amo humor
negro... se você também gosta assista Dead Like Me – fantástica – precisamos rir
da morte, para Cazuza “Eu vi a cara da morte e ela estava viva”! Em segredo:
também vi a cara dela essa semana! Ontem meia dúzia delas me acompanharam
23h30min enquanto eu saia do bloco e ia para a Emergência! Quase me misturei
com elas, o roxo... a foice... mas não fui porque a cara era do Pânico! Porra,
a minha morte não é assustadora, a foice e o roxo eu aceito, mas a cara poderia
ser da caveira, seria mais amigável do que a do Pânico! Ou um anjo gostosão,
Jesus Cristo bondoso, pode ser! Acredito que tem alguma coisa depois da porta, partes
da Bíblia, a Bíblia em si não, não é isso que está depois da porta!
Voltando
ao testamento... deixo os livros e filmes, aos meus amigos, aos verdadeiros. Não
sou eu que sei quais são os verdadeiros, são eles que sabem! Porque meu coração
é dado, minha ternura é grande, minha porta é aberta, mas deixei muita doença
entrar por causa da minha própria e porque a patologia não me assusta, me
instiga e fui solidária com os doentes e patológicos! No entanto tiveram os
abusos... e tive que dizer “Dos cegos do castelo me despeço e vou”, por isso no
meu testamento não há “deixo para fulano e cicrano”, porque adotando Lacan que
se nomeie os meus amigos reais, pois não me atrevo a nomeá-los! Deixo a
consciência de cada um decidir quem são! E se eu sobreviver... um esforço para
me conquistar... se quiserem... porque não importa! De tudo o me restou, restou
a mim e esse é o meu melhor presente e tento cuidar de mim mesma com o melhor
possível, sempre que vou a cozinha preparar, faço a refeição dos deuses, pois
meu corpo merece, eu mereço! Amo sentar à mesa que conquistei, com a
organização que conquistei, com o dom de cozinhar que conquistei e o cuidado
pela minha casa que conquistei e saborear uma excelente refeição feita por mim!
Deixo
livros e filmes, pois são a melhor parte de mim. Todo o resto vai para o meu
irmão e sobrinhos que amo! Tudo: os vários computadores, impressoras,
tecnologia que é o que mais tenho, todas as outras informações e o que pode
rendem muito dinheiro também, ou seja, MEUS ESCRITOS, são todos do meu irmão
para ele vender e para eu ser mais uma estatística, famosa depois de morta!
Só
que mesmo com a pressão beirando o absurdo e o povo da área de saúde
interpretando o quadro de Munch, não acho que vou morrer! Acredito que vou
superar e serei daquela elite rara que vive bem da escrita e com a escrita que
tornou-se famosa antes da morte! E os médicos... vão perceber que existem
milagres para além dos medicamentos. Por último, “eu vou botar meu bloco na rua”
nessa segunda de carnaval!
Margareth Sales
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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
domingo, 17 de dezembro de 2017
sábado, 25 de novembro de 2017
O preço do trabalho
Repostagem com alterações
Atribuir tempo
e dedicação a um propósito é trabalho e esse requer remuneração. Qual é, então,
o seu verdadeiro preço? Primeiro, devo dizer que os afazeres precisam ocupar um
determinado número de horas na vida, não todas as horas! Aquele que ocupa todas
as horas de sua vida dedicando-se ao meio de sobrevivência é workaholic e para esses há tratamento
específico.
Então, o batente
deve ocorrer o tempo necessário para que nos sintamos produtivos e fornecer
recursos suficientes para desenvolver qualquer outra área em nossas vidas. Isso
quer dizer, que o preço que eu cobro pelo trabalho não é só o equivalente aos
custos do material, despesas para fazê-lo e meu lucro. No entanto, lide é isso
tudo mais a margem de lucro, suficiente, para que eu possa ter um ambiente
saudável dentro de casa, os bens humanos construídos socialmente (equilibrando
capitalismo e necessidade real de determinado bem) e dinheiro para diversão
além do espaço da casa e do ambiente laboral.
Utópico?
Parece, mas sei que a partir do momento que você valoriza o seu trabalho
suficientemente, ele vai ser procurado de forma que precisem te pagar como você
sabe que merece receber. O tempo que você ocupa dedicando-se a um projeto
pedido por outra pessoa deve ser pago.
O local onde angaria
o ganha-pão, também, pressupõe ambiente saudável e equilibrado, tanto emocional
quanto fisicamente. Isto quer dizer que seu corpo deve estar bem confortável no
espaço laboral. Um ponto a ser ressaltado: aqueles que de uma forma ou de outra
não querem pagar, justamente, pelo seu afazer é porque não acreditam nele,
mesmo que digam o contrário.
Concluindo, o
resultado de seu labor é a eficiência, procurando qualidade e superando as
limitações da máquina humana, que pressupõe falhas, mas sabendo usá-las como
argamassa ao ligar as fraturas ao eficiente projeto em desenvolvimento.
Margareth Sales
sábado, 21 de outubro de 2017
Sobre a prática da escrita
Porque tantos de
nós sentimentos dificuldade ao escrever? Como educadora posso afirmar, antes de
tudo, que a dificuldade em escrever se encontra arraigada na dificuldade em ler.
Porque quem lê, geralmente, sabe escrever. Não estou falando de leitura de
símbolos gráficos, mas de letramento, ou seja, aquele que consegue compreender
textos, desenhos, pinturas, uma série de TV, o mundo a sua volta, não apenas
decodificar símbolos.
Viemos de uma educação tradicionalista,
na qual fomos alfabetizados, mas não letrados e os que leem, como citado
anteriormente, escrevem. Quer dizer que não basta, somente, conhecer o CÓDIGO
escrito.
Assim, a primeira regra para uma boa
escrita é uma boa leitura, pressupondo uma boa leitura de mundo, como sempre
citou nosso grande educador: Paulo Freire. A segundo regra para perder o medo
do papel em branco é aprender a comunicar-se. Isso faz, realmente, muita
diferença!
Aprender a comunicar-se é, também, um
dos grandes pré-requisitos para aprender a escrever. Uma das grandes
dificuldades de todas as épocas sempre foi a comunicação. Comunicar-se é imprescindível,
mas não é um comportamento fácil adquirir, haja visto que vivemos numa
sociedade, ideologicamente, opressora. E todo opressor que se preza tem por
principal característica calar as vozes! Cuidado com isso!
Para comunicar-se é preciso uma critica
construtiva da própria realidade e coragem para equilibrar aquilo que precisa
ser dito e o que não é importante ou provocaria só estresse. Resumindo, o
segundo requisito fundamental para uma boa escrita é ser um bom emissor de
mensagens.
Haja visto que um bom emissor de
mensagens é uma pessoa com um forte argumento pessoal a respeito do todo. Esse
forte argumento pessoal desdobra em capacidade de síntese. O que seria então
capacidade de síntese? É a capacidade para observar, antropologicamente, a vida
e fazer um resumo pessoal daquilo que se vê, de forma a conferir sentido ao que
é visto. Quando, então, compreendo bem a realidade que me cerca consigo lê-la e
consigo colocar no papel aquilo que foi lido, mas “eu” compreendo... para que o
outro me compreenda é preciso acesso ao domínio do código escrito, quer dizer
que se não escrevo adotando o mesmo sistema de signos que o outro possui, posso
ter a comunicação truncada por ruídos, esses que se constituem como falhas ao
enviar a mensagem. Argumento é, então, um raciocínio do autor onde deseja
provar uma hipótese. Todo argumento é válido, a partir do momento que se prove
através da pesquisa de indícios que o seu raciocínio é coerente. Para se construir um texto é necessário
definir o que se pretende com esse texto, isso seria o argumento do texto. Escrever é muito gostoso e quem ainda
não experimentou deveria fazê-lo. Alguém falou que a pessoa para ser completa
precisaria ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Eu ressalto:
escrever um livro é realmente fascinante. Quando dizem que um autor “brinca”
com as palavras é porque, na realidade, ele monta e desmonta um texto,
atribuindo significados outros na relação gramatical que a palavra não possuía,
conferindo um significado pessoal em cima de uma realidade dada e fornecendo
novas informações para o mundo que nos cerca, tornando-o mais criativo e mais
significativo.
O texto de opinião pode ser um desnudamento
do autor, uma forma de se fazer conhecido, suas aspirações, seus anseios. Já o
texto de informação, traz clara a diferenciação, ou seja, o autor não pretende se
misturar, se fundir ao texto, apenas informar. Dessa forma, quando o leitor lê
o autor, convencendo-se ou não do argumento levantado pelo escritor, aconteceu
o que esse queria, ou seja, provocar o leitor a uma reflexão crítica, tanto faz
rechaçando o texto lido ou enaltecendo-o.
Conferir novos significados a vida
tira-nos do senso comum, dá-nos novo alento, mais vivacidade e alegria de vida.
Para isso existem os livros e esses estão ai há tantos anos, exatamente, para
ajudar em nossa relação existencial com o mundo de forma a sair da mesmice e
trabalhar com várias ressignificações, ateando fogo e paixão a existência.
Ler e escrever possui intencionalidade,
ou seja, não escrevo apenas como forma de mostrar que tenho domínio sobre o
código escrito, mas escrevo e falo como forma de comunicação. Por último,
quando se aprende a dizer aquilo que se leu na vida, no jornal impresso, no
jornal televisivo ou mesmo nas novelas, se cria um canal onde a escrita
acontece. Se eu sei falar, vou sempre saber escrever, mas se só falo aquilo que
repito do que o outro me disse, tenho uma educação tradicionalista na qual,
também, só sei escrever o que está decorado ou copiado do outro. Para adquirir
conhecimento, preciso ter minha própria visão de mundo, a conexão entre aquilo
que vejo e o que reflito do que vejo. Dessa forma, escreverei a minha fala e
saberei escrever porque é minha e porque já foi falada por mim.
A escrita vai além do escritor, impera,
pede, demanda, não há como fugir de determinados textos, eles vêm, mais cedo ou
mais tarde, vêm... Meu conselho para você que deseja escrever: escrever é uma
arte e como toda a arte, não há parâmetros, nem limites e a aprendizagem se faz
na própria prática. Escrever dando vazão a reflexões pessoais próprias,
condizentes com a percepção crítica de outros, ou não, é arte! Arte é
provocação também, provocação no sentido de angustiar o leitor a tomar uma
posição crítica e reflexiva diante do exposto.
Margareth Sales
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