sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Fugindo dos ogros


Capítulo 2: Chega de sorvete!

       Passara-se um mês, depois que Amanda deixara o marido e ela continuava lamentando-se, a base de sorvete, sobre o seu destino infeliz, de não dar certo em seus relacionamentos.
        A lamentação chegou num nível insuportável que precisou de que seus cinco melhores amigos fizessem uma intervenção. Cada um deles foi incumbido de apresentar Amanda, durante os próximos cinco finais de semana, a vida real, ou seja, não tem nada disso de sina, maldição, para uma mulher bonita, culta e divertida encontrar o parceiro ideal.
        No primeiro final de semana, depois da intervenção, Marina, a psicóloga, amiga de infância de Amanda, ficou encarregada de fazê-la cair na real.
        Marina conheceu Amanda no antigo Jardim de Infância. Ela havia acabado de derramar o seu Nescau todinho e ao começar a chorar, a nova amiga veio em sua ajuda e ofereceu seu próprio lanchinho. Nunca mais deixaram de ser amigas.
        Marina era psicóloga clínica e iniciou a faculdade, também, ao mesmo tempo que a amiga, só que esta foi para a área de publicidade. Era casada e tinha uma filha de 5 anos. Seu marido era tranquilo e mesmo quando ela resolvia ir para a balada com os amigos, não ligava, ficava de bom grado com a filha, deixando a esposa se divertir, pois confiava demais nela e sabia que ia para a balada dançar e se divertir com amigos, nada demais!
        As duas amigas, então, escolheram a boate mais badalada da cidade para reinserir Amanda na vida. Paqueras era o que não faltava, afinal, duas jovens lindas, aparentemente, na pista. A jovem senhora sabia, magistralmente, sair da investida dos garanhões. Já Amanda não sabia nem mesmo paquerar e precisava de ajuda. Um jovem aproximou-se e veio direto para falar com Marina:
        - Boa Noite, tudo bem com você?
       - Boa Noite! Sim, gostaria de conhecer minha amiga, recém-separada que eu tirei de casa para ver um pouquinho de gente?
        - E você não quer conhecer ninguém?
        - Ah! Não, sou muito bem casada! Estou aqui só de acompanhante. Qual é mesmo seu nome?
        - Marcos.
        - Marcos essa é Amanda, uma excelente publicitária de uma das melhores firmas de publicidade carioca.
        - Sério? - Perguntou, voltando-se para Amanda.
        - Sério! - Respondeu Amanda.
        - E porque recém-separada, uma mulher linda, inteligente como você?
        - Contingências da vida, acontece!
        - É o que eu digo, não se fazem mais homens como antigamente. Aposto que seu ex-marido não lhe deu suporte emocional, não foi ombro. Eu, realmente, não sou assim! Sempre que alguém precisar de ombro, estou aqui para o que der e vier.
        - Bem, ocorreu um conjunto de coisas que não vem ao caso no momento, e não, especificamente, a falta de ombros!
       - Sim, sim, entendo. Porque tenho certeza que você vai parar na minha, sou tranquilo e comigo nunca vai faltar o ombro para te consolar.
        - Mas em que você trabalha mesmo?
      - Sou analista de T.I. e conhecido na firma como a pessoa de mais confiança. Todas as minhas amigas, sempre pedem a minha ajuda. Você sabe, né? Os homens não tão nem aí para oferecer os ombros. Eu não, amo as mulheres e sempre as ajudo com respeito e ombro.
        - Quantos anos você tem mesmo?
        - Trinta e cinco e minha juventude, sempre, foi para ajudar com ombros largos!
        - Você me dá um minutinho? Preciso ir ao banheiro!
        - Eu e meu ombro estaremos aqui esperando por você, princesa!
      Como de hábito, uma mulher nunca vai ao banheiro sozinha e, assim, Amanda levou a amiga, no caminho, a protagonista diz:
        - Acho que vai dar certo, o que eu preciso agora é um ombro amigo para estar ao meu lado e esse cara parece ser legal!
        Dessa vez, a amiga não pode ser aquela pessoa otimista que incentiva a escolha do outro. Aquele era o momento, depois da intervenção que os amigos fizeram, que Amanda precisava cair na real! Por isso, Marina respondeu:
        - Sério?! Você acha? Vamos refletir um pouquinho sobre esse ser humano que se apresentou a você. Primeiro: ele está procurando qualquer uma, deu antes em cima de mim, como viu que comigo não ia rolar, começou a atacar você. Até aí não tem problema, a noite foi feita para caçar mesmo e aquele que não estava interessado pode vir a mudar de ideia, afinal, você é um mulherão, né? Só que o segundo ponto é a fala do meliante, ele usa uma falácia: “dou ombros” e esse argumento tem um nome em latim: Argumentum ad nauseam, significa: argumento até provocar náuseas! Como ele usa esse argumento? Ele repete o tempo todo: “dou ombro”, “dou ombro”. Para convencer que é essa espécie de salvador de donzelas em apuros. Observe, Amanda, ele nada perguntou sobre você. Um comportamento, completamente, egoísta, principalmente, para quem conheceu o outro a primeira vez. Não há nenhum interesse dele por você. O único interesse dele é em si mesmo e colecionar relacionamentos, porque é óbvio que aquele que não se preocupa com os outros não cria vínculos. Essa repetição insistente de que ele é ombro faz muita menininha desavisada cair e, na realidade, existe muita mulher que não amadureceu e é uma menininha carente e desavisada.
        - Tipo eu?
        A amiga olhou desconcertada, não queria jogar na cara essa afirmação, mas era necessário, a protagonista precisava crescer. Já era hora!
        - Sim, você! No entanto, você tem cinco melhores amigos para ajudá-la a chegar a esta maturidade tardia!
        - Quer dizer que aquele cara acaba convencendo por repetir uma mentira?
        - Exatamente, é como se a mentira repetida convencesse o cérebro de que é uma verdade, não é assim que os políticos atuam? Geralmente, quem rouba também usa dessa estratégia, repete que não foi até acreditarem na mentira dessa pessoa, ganham pela náusea, ou no cansaço!
        - E agora o que a gente faz com o cara que está me esperando?
        - Sair de fininho, afinal essa noite já deu!
        Ao chegar perto do elevador do apartamento de Amanda, ela perguntou:
        - Foi uma noite perdida, né? Afinal não conseguimos nosso intento!
        Marina responde enquanto caminhava para o elevador:
      - Claro que conseguimos nosso intento! Todos nós, seus amigos, estamos te levando para um processo de auto-conhecimento, para cair na real. Então... Hoje foi a primeira pedrinha...
        Rodrigo, o vizinho, grita para segurarem o elevador. Elas seguram e ele entra com seu pijama de super-herói, hiper tímido. Amanda pergunta:
        - O que você estava fazendo às três da manhã, com pijama, na rua?
       - Estava estudando, bateu uma mega fome, meu. E não tinha nada na geladeira, aí tive que descer. Ah! Amanda, suas revistas foram, de novo, entregues na minha casa, amanhã te devolvo, ok?
        Amanda sorriu e quando ele desceu no andar dele a amiga perguntou:
        - Quem é o nerd?
       - Meu vizinho, acho que ele me disse que vai tentar o doutorado em linguística, por isso está estudando tanto...
       E assim, termina a primeira madrugada em que Amanda caiu na pista para negócios e também o capítulo 2. No próximo mês, veremos como continua a saga dessa jovem em busca do homem ideal.
Margareth Sales


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Fugindo dos ogros (para encontrar o homem ideal)



Capítulo 1: O Término!

        Ia dar 16 horas e Amanda precisava terminar com aquele projeto, pois era sexta-feira e tinha marcado com Paulo um happy hour às 18 horas. A jovem estava nessa Agência Publicitária havia dois anos. Mal terminara a faculdade e sua carreira acadêmica já a impulsionou a sair empregada. Morava com Paulo há 4 anos e se surpreendeu quando, no meio da faculdade, aquele homem lindo, desejado por todas, veio e começou a dar em cima dela. Não resistiu. Em pouco tempo já moravam juntos.
        A protagonista tinha aquele dom inerente para publicidade, lia as imagens do mundo para criar uma chamada perfeita. Porém, naquela sexta-feira, estava travada não conseguia ter ideia nenhuma. Na realidade, os finais de semana a deixavam assim, doida para meter o pé.
        Quando deu 17h30min a ideia surgiu e ela ficou muito ansiosa, pois tinha poucos minutos para criar. Mesmo assim, fez com maestria, era excelente profissional, não seguia aquele lugar comum de que as coisas fluíram quando estava sobre pressão. Na realidade, trabalhava bem melhor com folga do que com prazo esgotado. A sexta-feira era a sua exceção e nunca levava trabalho para casa, tinha como lema, quase religioso, que final de semana era diversão, sem trabalho. Portanto, sabia equilibrar vida pessoal e trabalho.
        Chegou às 18h30min no bar e foi conferir se a reserva foi feita e o marido já tinha chegado. A reserva tinha sido feita, o marido não estava! Tinha o hábito de não deixar que as intempéries a abalasse. Então, sentou-se à mesa e começou a ler as notícias do dia no seu tablet e adiantou a leitura de suas revistas femininas: moda, casa e comportamento, matérias que a atraíam mais. Pediu a entrada para esperar o marido e ia se comunicando com amigos via WhatsApp e, às 20 horas, Paulo chegou:
        - Desculpa, fiquei com um cliente até tarde e, como você sabe que não gosto de ser incomodado, desliguei o celular. Esse caso é muito sério, merece toda a minha atenção.
        Amanda fez sua cara de paisagem mais complacente do mundo e não deixou que as vozes interiores viessem a fazê-la duvidar do amado. Afinal, o mercado não estava para peixe, para deixar algo tão bonito de ser ver, solto!
        Paulo com aquela impaciência e ignorância, de sempre, começou a estalar os dedos chamando o garçom:
        - Que droga, Amanda, já falei que o atendimento dessa joça é uma bosta e você insiste em marcar nossas sextas aqui. Dá para ter mais bom gosto e requinte e escolher algo melhor? Caramba, só podia ser essa sua mentalidade de baixada, não adianta, quem é Baixada nunca será Zona Sul!
        - Mas... - gaguejou - dessa vez foi você que marcou, queria economizar dinheiro.
        - Claro, né? Esse seu empreguinho medíocre que nem chega junto com as contas da casa, tudo nas minhas costas! Tenho que economizar, né? Você reclama muito. Um dia, ah! Um dia... Ainda me emputeço com isso e, aí, não tem mais volta!
        Agora seu marido gritou grosso e o garçom ouviu, enquanto ele vinha, uma bela mulher atravessou a mesa dos dois e ele quase caiu ao se contorcer para olhá-la! Dessa vez, Amanda incomodou-se e deu um tapão no ombro do marido:
        - Já tinha dito para você parar com isso e me respeitar!
        Paulo assustado, nunca viu a esposa agredí-lo fisicamente, nem mesmo de brincadeira e, profundamente, irado, respondeu:
        - Agora, sou eu que digo, se fizer isso de novo, viro a mão na cara e não tem Maria da Penha que me faça parar!
        Amanda chegou ao seu limite, foi ameaçada fisicamente, nada poderia a assustar mais e nem perdoar uma pessoa que a colocasse em risco físico. Havia traumas em sua vida... E, calmamente, ela pegou sua bolsa e saiu, para não voltar mais!
        Diante dessa decisão inesperada e da perplexidade sobre quais as atitudes tomar, em seguida, Amanda escreveu, chorando, no táxi, uma mensagem no WhatsApp e enviou aos seus amigos. Os cinco, foram buscá-la no apartamento do marido, cada um com seu próprio carro para levar tudo o que pertencia a ela. Não havia, realmente, muito o que levar, basicamente, as coisas pessoais. Paulo nunca deixou aquele espaço ser dela e comprava todos os objetos e mobílias para a casa, a decoração era dele e não da esposa como, geralmente, é de costume ocorrer.
        Podemos dizer que a jovem, definitivamente, possuía um dedo podre no que tange aos relacionamentos, de resto era uma pessoa equilibrada e ativa. Então, ela não seria burra de se desfazer do primeiro apartamento que comprou no seu primeiro ano na Agência. Aliás, comprou o apartamento em secreto, porque em secreto também sabia que aquele relacionamento já tinha durado demais. Cansava de ouvir dos amigos que merecia “coisa” melhor que aquele homem era um ogro disfarçado de gente, mas a questão é que ela não sabia ficar sozinha e, também, não sabia escolher os relacionamentos.
        No entanto, tudo isso iria mudar, os seus cinco maiores amigos colocaram as coisas no apartamento, foram ao hipermercado e trouxeram um colchão de ar e passaram a noite com ela, assistindo clássicos em sua TV, porque a TV do quarto do casal era dela, fez questão de comprar e o aparelho de DVD, mais uma vez, ela previa o futuro. Paulo reclamava o tempo todo que não tinha blu ray no quarto, mas ela não se incomodava, fincou pé e a TV e o DVD lhe pertenciam. E agora estavam em seu apartamento nunca usado e minimizando um pouco as lágrimas por alguém que não merecia o chão que ela pisava.
        Sorvete, amigos e um bom filme, essa era a receita de cura de alguém que ia a caça do seu verdadeiro amor, porque sempre acreditou em amor verdadeiro e, agora, faria acontecer! No próximo capítulo.
Margareth Sales
           

quarta-feira, 12 de março de 2014

Crônica do facebook


Última postagem das férias! Mês que vem uma novidade: como estudei muito o semestre passado sobre folhetim, até o final do ano as postagens no blog serão um folhetim. Aguardem!

Saiu no jornal: Dona de casa se mata por causa do Facebook. Maria, 30 anos, casada, dona de casa, consultava todos os dias o seu facebook, naquele dia entrou com mais fissura. Era seu aniversário! Não tinha vida fora da rede social, até tinha um bom marido, mas só! Arrumava casa, fazia o café da manhã, ansiosa para que o marido fosse para o trabalho e entraria na internet. Lá sim, se comunicava com todos ao mesmo tempo, nunca estava sozinha, pelo menos era como se sentia. Telefone? Visitas sociais? Para quê? O site tinha todas essas funcionalidades. Conversava todos os dias com todos os seus amigos, não eram muitos. Afinal estava chegando aos trinta. Se tivesse 15 anos, com certeza, com 15 teria um perfil lotado!
Naquele dia ao entrar no facebook, já eram umas 10 da manhã, seu marido tinha saído tarde para o emprego, pois queria curtir o aniversário com a mulherzinha. Mas as curtidas que ela buscava era o símbolo do polegar para cima, no facebook. Ao acessar a rede percebeu que tinha várias notificações de aniversário, mas nenhuma dos seus dois, únicos, amigos verdadeiros, estes que no passado frequentaram muito sua casa, mas que com o advento da web foram sendo realocados somente para o ciberespaço.
Maria não entendeu, uma dor profunda a invadiu: “Como assim não deixar uma postagem no meu face, não comentar meu status?” O que ela não poderia supor é que alguns conservam, mantém e alimentam vida social fora da rede.  Não entendeu que há pessoas que nem olham o facebook, só possuem um perfil, pro forma; outros que ao perceberem o tempo que o site ocupa em suas vidas reais, só deixam a atualização do feed de noticias para os que são, extremamente, amigos. Resumindo, existe um bom contingente de pessoas que não lêem o que está escrito nessa rede de relacionamentos, portanto nem tem noção daquilo que Maria postava e nem se sentiam culpados!
O marido de Maria a encontrou morta. Chocou-se. Depois lembrou que às vezes, para conseguir a atenção dela, ele tinha que mandar mensagem inbox. Sentiu alívio. Saía definitivamente da vida virtual, para uma muito melhor e mais curtida! Atualização de relacionamento: viúvo e totalmente online na vida fora da rede.
Margareth Sales

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O debate

 
Texto feito em aula. Até o mês de Março estarei repostando os três melhores texto do blog. Boas Férias e até Abril!
 
Entrevistador:
- Entra no ar o debate “sai da frente que estou chegando”. Hoje, com a presença de diversas autoridades para discutir o problema de segurança na periferia. Com a palavra, nosso primeiro participante, o delegado de polícia da 72ª DP de Niterói.
Entrevistador:
- Delegado o que o Senhor tem a dizer sobre as causas das questões de segurança na periferia?
Delegado:
- Positivo e operante. Então, as causas do problema de segurança na periferia são todas por culpa dos filhinhos de papai que sobem ao morro para financiar a vida mole desses meliantes, por meio do tráfico. Tudo isso pode ser resolvido facilmente: ignore os direitos humanos que não serve para nada mesmo e sai atirando a torto e a direito. Porque bandido bão é bandido morto.
Entrevistador:
- Vamos ver se a dona de casa Gertrudes concorda com isso. O que você pensa da ideia do delegado. Essa é a causa do problema da segurança na periferia?
Dona de casa:
- Claro que não! O problema na falta de amor e na sem-vergonhice, pois se um marido ama a esposa, não trai e cria um filho no meio de uma família unida e o amor resolve tudo. Agora esse *Pi do meu marido que pega qualquer periguete, destruindo o lar. Oro todos os dias pra o Senhor tocar no coração dele pra cuidar da nossa família na Casa do Senhor, pois família é uma ideia divina e o que Deus uniu não separe o homem.
Delegado em off para a dona de casa:
- Se quiser eu mando dar um corretivo no meliante do seu marido.
Dona de casa:
- Não! – responde ela assustada – Sangue de Jesus tem poder!
Entrevistador:
- Vamos agora à opinião do comerciante local.
Comerciante:
- Isso não é nada mais que falta de trabalho. Como todos sabem, cabeça vazia, oficina de Satanás. Ah! Eu gostaria de poder anunciar que estou contratando, o melhor emprego do bairro para esses jovens saírem dessa vagabundagem. Garanto que resolve! O horário é de 8 da manhã às 10 da noite. Sábados e Domingos, inclusive feriados. Não chego a pagar um salário mínimo, mas convenhamos, esses jovens tem que me agradecer de tirá-los da vagabundagem dos tóxicos.
Entrevistador:
- Então, aí está a dica do seu Manuel da padaria, um português, que sabe valorizar a tradição do seu país de origem, seguindo o modelo de seus ancestrais que povoaram o Brasil...
- Vamos dar a palavra agora ao Carlinhos Mar-à-dentro, ex-assaltante que se diz redimido e que cursou Direito durante os seus 20 anos de prisão. Sua posição a respeito do problema aqui levantado e o que você acha da opinião dos participantes.
Ex-assaltante:
- Bem, eu só tenho, excelentíssimo apresentador, que dizer que esses três como representantes da nossa sociedade deixa clara a explicação para tal cultura de violência que tem nos cercado todos esses tempos. Pessoas que se dizem pilares da sociedade e a única coisa que se preocupam é consigo mesmos e não com o coletivo. Diante disso, só posso inferir que vocês não me serviram de bom exemplo. Portanto: PERDEU! PASSA TUDO, É UM ASSALTO! Vocês não mereceram o que receberam da vida!
Margareth Sales

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O verbo




Janeiro mês de férias (Até parece, aff! Uerj com aula em Janeiro). Até o mês de Março estarei repostando os três melhores texto do blog. Boas Férias para quem está de férias!

Devo admitir que nunca me preocupei muito com o verbo. Essa história de fazer perguntas para ele me parece muito íntimo, sempre quis é usar o verbo com tudo o que ele poderia me oferecer. Sem me preocupar com as ações que ele pratica, ele tinha, somente, que me servir. 

Nunca pedi o telefone do verbo, depois que o usava. Sempre usava o verbo sem ter nenhum respeito por ele, nenhuma emoção. Para mim o que estava contando era a diversão: EU ME DIVERTIA! Nem passava pela minha cabeça que o verbo queria estabelecer uma comunicação comigo, que ele queria que eu soubesse quem era o seu sujeito, qual a ação que praticava e para quem praticava essa ação ou o que essa ação interna desdobrava. 

Nunca imaginei que o verbo tinha argumentos internos que o acompanhavam e dependendo do verbo eram um ou mais argumentos. Quer dizer que o verbo queria se comunicar comigo e eu só queria uma boa noite de prazer, usar o verbo indiscriminadamente sem me preocupar com toda sua lógica interna, só diversão, sem compromisso e sem seriedade. 

É muito bom quando somos adultos o suficiente para encarar as próprias questões: eu precisava ouvir o verbo, entender o seu objeto, mesmo que fosse direta ou indiretamente. Não podia mais deixar que o verbo fosse como o Latim, indecifrável para mim, precisava entender esse latim e passar a amar o verbo. Não poderia mais deixar o verbo ser um objeto zero na minha vida, tinha que deixar ele me mostrar sua inferência, tudo o que estava implicado em seu objeto. 

Mesmo que em determinados momentos o que ele queria falar era tão complicado que, às vezes, poderia chamar de teoria X-Barra. Mas era mister deixá-lo apresentar seus argumentos internos. 

Esse foi meu grande insight; o que me tirou do meu mundinho abusador de verbos indefesos. Como sujeito eu precisava estabelecer uma relação de concordância com o verbo. Apostei nesse desafio mental, a partir do momento que percebi que o verbo tinha muita ação e reflexão para me oferecer. Alguns abrem o verbo, eu decidi desvendar o verbo para meu crescimento pessoal! 
 Margareth Sales

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Crônica do facebook




Saiu no jornal: Dona de casa se mata por causa do Facebook. Maria, 30 anos, casada, dona de casa, consultava todos os dias o seu facebook, naquele dia entrou com mais fissura. Era seu aniversário! Não tinha vida fora da rede social, até tinha um bom marido, mas só! Arrumava casa, fazia o café da manhã, ansiosa para que o marido fosse para o trabalho e entraria na internet. Lá sim, se comunicava com todos ao mesmo tempo, nunca estava sozinha, pelo menos era como se sentia. Telefone? Visitas sociais? Para quê? O site tinha todas essas funcionalidades. Conversava todos os dias com todos os seus amigos, não eram muitos. Afinal estava chegando aos trinta. Se tivesse 15 anos, com certeza, com 15 teria um perfil lotado!

Naquele dia ao entrar no facebook, já eram umas 10 da manhã, seu marido tinha saído tarde para o emprego, pois queria curtir o aniversário com a mulherzinha. Mas as curtidas que ela buscava era o símbolo do polegar para cima, no facebook. Ao acessar a rede percebeu que tinha várias notificações de aniversário, mas nenhuma dos seus dois, únicos, amigos verdadeiros, estes que no passado frequentaram muito sua casa, mas que com o advento da web foram sendo realocados somente para o ciberespaço.

Maria não entendeu, uma dor profunda a invadiu: “Como assim não deixar uma postagem no meu face, não comentar meu status?” O que ela não poderia supor é que alguns conservam, mantém e alimentam vida social fora da rede.  Não entendeu que há pessoas que nem olham o facebook, só possuem um perfil, pro forma; outros que ao perceberem o tempo que o site ocupa em suas vidas reais, só deixam a atualização do feed de noticias para os que são, extremamente, amigos. Resumindo, existe um bom contingente de pessoas que não lêem o que está escrito nessa rede de relacionamentos, portanto nem tem noção daquilo que Maria postava e nem se sentiam culpados!

O marido de Maria a encontrou morta. Chocou-se. Depois lembrou que às vezes, para conseguir a atenção dela, ele tinha que mandar mensagem inbox. Sentiu alívio. Saía definitivamente da vida virtual, para uma muito melhor e mais curtida! Atualização de relacionamento: viúvo e totalmente online na vida fora da rede.
Margareth Sales

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Os modos da produção rocambolesca


Ai que vontade que dá


Continuando a escrever sobre a minha atual inserção na graduação de Letras, gostaria de falar sobre o que tenho estudado em Teoria Literária II e o que tenho aprendido nessas aula. A produção rocambulesca se refere a um tipo de folhetim, cujo personagem principal dá nome a esse tipo de narração, o Rocambole. O nome se refere, especificamente, ao rocambole que tal como o doce, é enrolado, portanto enrola o texto com peripécias e turbilhões emocionais.

E é o folhetim que estamos estudando nesse semestre. Tal gênero tem como característica marcante o melodrama e, por isso, foi considerado um gênero popular e pejorativo, subgênero. E, portanto, é do folhetim que surgem as novelas, chamadas hoje de folhetim eletrônico, o início do folhetim se deu através de fascículos escritos para o jornal, a história sempre era terminada com um suspense e retomada em seguida nos próximos fascículos. Essa característica prendia o leitor a compra dos jornais, procurando pelas respostas as brechas deixadas (as novelas não são assim?).

O exagero amplificador é uma das fórmulas do folhetim. No que se refere a amplificar o exagero, os temas precisam ser grandes e angustiantes: vidas em perigo; raptos; um grande e misterioso protetor desconhecido; perigos exagerados e os maldosos vilões. O texto, por vezes, acaba tornando-se confuso, pois deixa a desejar as possibilidades de desvendar os vários processos narrativos. Porém, isso também é parte da narrativa. E outro recurso nesse gênero é a pilhagem narrativa, ou seja, faz-se um recorta e cola de vários textos de renomados autores. Aumenta-se, desse modo, o delírio imaginativo da narração.

Particularmente, esse não é meu tipo de literatura, não o folhetim em si, muito menos o folhetim eletrônico. Mas seria exagero (e nesse caso, eu estaria sendo folhetinesca) chamar de subgênero. É verdade que o folhetim tem seu lugar. É verdade, que todo tipo de literatura é bem-vinda, porque cada uma delas vai se coadunar com um tipo de pessoa e se não somos iguais, subjetivamente, também não precisamos gostar das mesmas coisas ou, no caso aqui, leituras.

É a diversidade que melhora a vida, são essas diferenças que se acrescentam ao nosso modo de viver que faz da vida um lugar plural, portanto, mais gostoso. Além disso, como tudo tem o seu espaço e sua razão de ser, acaba que os modos de produção rocambolesca se desdobram e trazem um tipo de literatura que sempre achei excelente: a crônica! E ainda tenho que acrescentar, a escrita louca me chama atenção, ou seja, a escrita que brinca com a escrita, que vem, desfaz e refaz, como um rocambole, não especificamente o folhetim com o melodrama, mas a paródia, encharcada de humor!
Margareth Sales