terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Fúria de Titãs


Janeiro mês de férias! Até o mês de Março estarei repostando o três melhores texto do blog. Boas Férias!

Conta-se a lenda que os deuses viviam na mais harmoniosa paz, momentos de ataraxia (N.A: Ataraxia para a filosofia é impertubabilidade, tipo uma ausência de desejo). Mas havia um motivo para se manter esse ambiente: o medo, era ele que estava por trás de tal atitude, mas na realidade, o medo se encontra por trás das mais diversas atitudes do ser humano, mesmo que supostamente esses pareçam “deuses”. 

E o maior medo desses deuses era o poder sensual de criatura tão linda, tão macia, tão menina e tão mulher: as deusas, essas o assustavam demais, então em cúpula, eles decidiram, pelo poder da língua oral afastar-se do poder dessa espécie tão adorável. E como as deusas se encontravam criando, se doando em favor da natureza, cuidando, elas nem perceberam quando os homens se uniram e criaram essa nova lei, quando eles saíram por ai dizendo como eles achavam que deveria ser e tornando real a palavra falada.
 
Assim, por muito tempo, tempo não contado, porque os deuses se encontram fora do tempo, até o momento que uma das irmãs de Diana, uma deusa, extremamente, formosa e questionadora começou a se insurgir em seus pensamentos contra todas as leis criadas pelo universo masculino. Questionando e pesquisando, Ana acabou por descobrir uma nova raça que não tinha consciência existir: a raça humana, a partir de então, a deusa começa a ausentar-se da morada dos deuses e passou a visitar incessantemente a raça humana, isso a fez angustiar-se, um sentimento novo, que lhe causava dor, mas que depois de ter passado por ele não havia mais como recuar. E esse sentimento que, por um lado, tinha essa característica angustiante, por outro lhe despertou uma força interior, um poder, que até o maior deus que ela conhecera nunca pareceu possuir.
 
Levou muito tempo para que ela conseguisse concatenar suas idéias, suas emoções e equilibrá-las, diante dos deuses continuava, aparentemente, sustentando a ataraxia. Mas por dentro tudo lhe dóia, tudo lhe angustiava e ela desejava algo que não saberia dizer o que era. E sem parar, pesquisava, no livro dos deuses, pesquisava na vida dos humanos, buscando algo que lhe trouxesse paz.
 
Aprendeu com os homens o sentido de tempo, e amaldiçôou-se por viver na eternidade, queria aquela sensação de morte, descobriu que essa sim, teria chances de ser ausência de desejos e não a supressão forçada desses. Pesquisou, então, nesse sentido: como morrer, pois não suportava mais viver desejando algo que não tinha, muito menos que não conhecia. Até que um dia, no conceito terreno, conheceu um agricultor, um homem, literalmente, da terra, nada conhecia dos deuses, conhecia da vida e não sabia ao ser apresentada a Ana que ela era uma deusa, mas intuía, como tudo em sua vida, sem ter conhecimento o suficiente para encadear ideias, vivia muito do instinto, mas do que de seu raciocínio.
 
Mas a deusa ao conhecer aquele ser humano acabou por o desprezar, porque dentro de seu coração, aquele ser era mais do que todos que conheceu na vida, fraco! Uma pessoa que se dizia ser o que não era, uma pessoa por demais inconsciente de si mesmo. Mas como que por um milagre, aquele ser inconsciente de si, tomou conhecimento de Ana, penetrou onde nenhum deus jamais estivera e percebeu o que a deusa desejava e sua angústia, pois como homem sabia que tinha o que ela queria e queria dar-lhe e também ter aquela mulher fabulosa e se fundir, ser parte dela e fazê-la parte dele.
 
Começa assim, uma perseguição implacável, onde Zumbi, o homem, decidiu tomar a deusa para si. Quando Ana percebeu o que ocorria, num surto de consciência percebeu também que, aquele homem fraco, era mais forte do que ela e tinha algo que ela não possuía e isso iria destruí-la, era o que achava, mas não o que era, o que ele possuía só iria mudá-la para sempre!
 
Cansada do tédio que vivia e com um montão de deuses que ela classificou como semi-deuses, ou na linguagem humana, bobos da corte, percebeu que queria ser surpreendida por algo novo e conquistada. Só que imaginava que tal como os semi-deuses, bobos da corte que conhecia, qualquer um só poderia ser alvo de pseudo-animações, nunca algo que a fizesse gozar de verdade. Foi diante dessa condição que percebeu que dentro de si havia mais que uma deusa, mas uma mulher humana, que ansiava por um homem humano, não um deus-bobo-da-corte!
 
Foi num surto, num pulo, numa decisão, sem decisão, que resolveu ir até Zumbi e deixá-lo chegar até ela, mesmo sem acreditar no poder do fraco humano, que nada sabia de si. Ela foi até ele e em sua frente, deixou-o aproximar-se... Ele veio sensual demais, ele estava no banho e veio enrolado em uma toalha vermelha e pela primeira vez ela despertou a consciência e viu que queria aquele homem. Mesmo com toda a falta de leitura de substância, de não possuir os livros dos deuses e desconhecido de si mesmo, ele a conhecia e ele a via! E era isso que ela queria, ser vista, era esse o seu desejo, ser vista no profundo, ele veio devagar até ela e a abraçou profundamente e ela caiu... Estrondou a casa do agricultor, os deuses se abalaram e perceberam que algo ocorreu, perceberam que alguém não estava mais entre eles, mas não sabia quem era, qual era o sexo, se era um homem ou uma mulher, mas apostaram na inquisição e sairam buscando quem ousaria tão alto. Porém, o que eles não sabiam é que o amor tem a característica de se esconder para o mundo, ninguém nunca iria saber, só os dois, o que estava acontecendo ou o que aconteceria, naquela casa!
 
Ela se ligou a ele, se tornando sua mulher e ele seu homem, a criação foi recriada naquele momento mágico. Novamente, uma conexão eterna tinha sido feita e isso era mais forte do que a morte e levantaria guerras, pela simples inveja de deuses em relação aos homens, buscando um desejo que está no profundo da alma de qualquer um, um desejo que todos têm, mas que nem todos conseguem satisfazê-lo.
 
Agora Ana era parte dos segredos de Zumbi e ele dela e assim, de olhos abertos, ela viu coisas novas e inexplicáveis e foi transportada para um novo nível de conhecimento e nessa mistura deusa-mulher estava mais forte do que nunca. Não sabia que tinha ficado mais forte para enfrentar o que vinha não só contra ela, mas contra os dois, porque os dois agora eram um só!
 
Foi numa tarde de verão, porque agora passava todas as suas tardes, junto ao seu amor, que viu algo que não imaginava, algo que a deixou perplexa e atônita, um outro deus havia descido e estava “ensinando” Zumbi. Seus olhos se iluminaram mais ainda... Quer dizer, então, que a falta de conhecimento que seu amor tinha era porque ele estava sendo manipulado por um discurso retrógrado e maniqueísta para não conseguir pensar por si só? Mas porque um deus iria desejar tal situação? Não entendia... Assim, escondida se pôs a averigar a realidade dos fatos.
 
Mas não foi dessa forma que acabou por descobrir o que estava ocorrendo de verdade. Foi um outro dia, onde o deus numa conversa com Zumbi, intuitivamente, percebeu que era ele quem estava com uma deusa e dominado pelo ciúme, pela inveja daquele ser humano que nada era, mas que foi capaz de conquistar os desejos de uma deusa, decidiu descobrir quem ela era e tomá-la para si.
 
Em sua investigação acabou chegando em Ana e, resolveu, tomá-la a força, porque ele podia, Zumbi, não! Ele era deus, Zumbi uma criatura insignificante que ele sempre tratava pelo diminutivo: zumbizinho para mostrar a diferença que havia entre um e outro e fingia que iria ajudá-lo a chegar ao nível de deus, mas era mentira, uma mentira dominante que só reforçava o poder que já possuiam os deuses.
 
Foi tentando tomá-la a força que acabou havendo uma grande batalha, uma verdadeira fúria de Titãs, dois grandes deuses lutando através do poder que só a palavra tem, para sobrejugar o outro. O que o deus-bobo-da-corte não percebia era os grandes medos que ele tinha e, escondedo-os tentava subjugar os outros pelo seu poder discursivo, o que muita das vezes conseguia, mas não ao dar de frente com uma verdadeira Titã. Alguém que além do domínio da palavra, era real, não estava se falsificando, nem debaixo de falsas premissas de si mesma.
 
Sim, o deus tinha muito medo dessa mulher que se conhecia e que por isso, conseguia trabalhar com a palavra verdadeira e    ao  trabalhar com a verdade, tinha em si condições de fazer aliados. A briga foi tão voraz e por não conseguir submetê-la, intentou, então, manipular a cabeça de Zumbi, usando preceito de deuses para tornar verdadeiras suas assertivas, lêdo engano... O homem estava dominado pela formosura da mulher, por suas curvas e em suas curvas, até mesmo dos pés dela num lindo sapato, ele era mais homem e se tornava também deus.
 
A conclusão disso tudo, é que o deus teve que se deixar vencer, pois não poderia vencer a união da deusa com o homem. E mais do que isso, através do poder da palavra, poderia vir a tona quem esse deus era de verdade, em seu íntimo, e temendo pelo seu futuro como deus, ele teve que calar-se e deixar o casal em paz, vivendo humanamente o que estava reservado a eles viver ou o que eles poderiam viver de acordo com suas próprias escolhas, baseadas no livre arbitrio. Mas tanto faz, se uma ou outra conclusão, o que estava acontecendo ia continuar acontecendo, muito mais em função da expressão soberana da vida do que de maniqueísmos pré-existentes!
Margareth Sales

sábado, 1 de dezembro de 2012

A verdade nua e crua


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Sobre fantasmas e bruxas



Terminamos Outubro com um dia das bruxas importados e uma reclamação em massa a respeito, de um lado o grupo intelectual (do qual faço parte) dizendo que a cultura nacional é que deve ser privilegiada e de outro o meio Cristão abominando a prática como movimento de heresia e entrega total ao demônio e sua corja.

Mas reclama-se do dia das bruxas ontem e, amanhã, temos o dia de finados para homenagear quem? O morto! O engraçado é que até o morto vende, porque todas essas comemorações não passam de puro e simples aquecimento do comércio. E claro, para o brasileiro tudo acaba em samba.


Então, o único fantasma e bruxa que tem me assustado é os que eu tenho que enfrentar todos os dias da vida. Preciso fugir do fantasma da não superação de si mesma. Expulsar a bruxa dos objetos que pagamos caro e que duram menos do que o próprio prazo de garantia.


E o fantasma do afastamento emocional porque estamos tão grudados, tão conectados 24 horas por dia via facebook, então, para quê contato pessoal? E a bruxa do sexo via torpedo? Motel está caro, porque não trocar umas mensagens picantes por celular, imaginar como seria e deixar por isso mesmo?


Portanto, bruxas e fantasmas é que não faltam nessa modernidade que vivemos, porque comemorar eles? Prefiro comemorar gente na praia que está muito quente e comer um churrasco ao invés de travessuras e gostosuras que são balas, estragam os dentes e não alimentam! É claro que com tanta bruxa e fantasma eu estou de mau humor e não posso deixar de criticar a massa que vai atrás sempre de cultura enlatada e imposta. #prontofalei.
Margareth Sales






segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Em 2008 fiz o vestibular para minha graduação como Pedagoga, a redação foi a que segue abaixo. No momento estou estudando para uma segunda graduação, parar nunca! Como forma de estudo fiz a mesma redação agora com outros ponto de vista. Porque resolvir colocar as duas redações no blog? Para provar um ponto, ou seja, como seres humanos somos paradoxais e capazes de concordar e discordar com o mesmo ponto de vista, apenas dependo do ângulo que estou vendo...
 
É possível concordar com a ideia de que a inveja seja uma virtude?

Ao discorrer sobre tema tão polêmico há que se inferir a respeito das características inerentes a este sentimento, se para Frei Betto a inveja é: "a tristeza de ser o que se é" em contraposição a Machado de Assis que diz: "A inveja virtude principal, origem de prosperidades infinitas; [...]". Isto posto, coloca-se a questão se é possível concordar com a ideia de que a inveja seja uma virtude? 

Levando em conta que a inveja é a tristeza de ser o que se é, isto pressupõe uma total insatisfação que via de regra, só poderá levar a uma angústia pessoal sem proporções e, consequentemente ao sentimento que sendo uma virtude pessoal se tornará a origem de prosperidades infinitas. E que prosperidades são estas? Prosperidade de se ter o que o outro têm, cujo preço é uma busca incessante e cansativa atrás de um desejo que logo que o consegue é substituído por outro. Prosperidade, também, ao se colecionar amigos, que também pressupõe um preço, no caso o de se ter a quantidade, sem a qualidade. Estes são amigos que fazem número, não diferença!

Concluindo, é premente se discordar com a ideia de que a inveja seja uma virtude, pois por mais que haja força em direção a construção de um projeto de prosperidade, o resultado é conhecido. Esse resultado não é outro senão a insatisfação pessoal, a ausência de profundidade nos relacionamentos interpessoais e, o mais doloroso, a solidão. 

É possível concordar com a ideia de que a inveja seja uma virtude?

De acordo com os textos expostos é possível se concordar com a ideia de que a inveja é uma virtude. Isso pode ser facilmente verificável quando se percebe a inveja como comportamento que impulsiona o sujeito a alcançar aquilo que almeja, mas que no momento não está ao seu alcance.

Dessa forma, mesmo que a inveja sobre esse olhar seja positiva há que se considerar que é preciso reconhecer também o seu potencial de destruição. Isso porque quando o sentimento de inveja apropria-se do indivíduo de forma a angustiá-lo diante daquilo que não possui, pode gerar um sentimento de destruição para com aquele que detêm o objeto do desejo. Essa destruição poderá ocorrer de duas formas: destruição de sei mesmo ou destruição do outro. A destruição de si mesmo ocorre quando há uma distância entre o desejo pelo objeto e a impossibilidade de conseguí-lo. Em contrapartida, a destruição do outro ocorre quando esse se coloca entre o desejo do objeto e a concretização desse desejo.

Concluindo, há que se diferenciar a inveja como virtude que impulsiona na realização dos seus objetivos e a inveja como forma de aniquilação por não se possuir a fonte do desejo. E nessa diferenciação perceber que a virtude preocupa-se com o que é bom, tanto para si mesmo, quanto para o outro. Portanto, a virtude preza pelo bem e sem virtude é o mal que reina. 
Margareth Sales

domingo, 2 de setembro de 2012

Exemplo de uma aula de ciências

Bem, não é só outras crônicas que meu blog divulga, ele divulga a minha arte, todo o meu trabalho criativo. Então, Setembro, estou postando a minha aula de ciências que fiz para o meu último estágio curricular. E, agora, oficialmente sou graduada em Pedagogia!



PLANO DE AULA

Escola:                                                                          
Assunto da aula: O mistério da ciência                      
Data:
Duração: 2 horas

Objetivos: - Conscientizar os alunos da importância da ciência;
- Ensinar como prevenir-se contra a picada do mosquito da dengue.

Conteúdo: A importância da ciência que investiga mistérios e resolve muitas questões humanas. Um desses mistérios é a descoberta de um mosquito perigoso, o mosquito da dengue. 

Procedimentos didáticos: Explicar que a ciência é muito importante porque descobre os mistérios da humanidade, desde um Quark até todos os planetas do universo. Apresentar o jornal e confeccionar o microscópio.

Recursos Materiais: Jornal confeccionado no PageMaker, vidro de enxágue bucal ou um copo com água.

Tipo de Avaliação: Produção textual, o relatório do detetive. Escrever o que ocorre com a dengue; onde ocorre, quem sofre a ação e quem realiza.

REFERÊNCIAS:

ARNOLD, Nick. Saber horrível: Monstros Microscópicos. São Paulo: Melhoramentos, 2007.

HORA, Dayse Martins; SANTOS, Erivaldo Pedrosa dos. Ciências Naturais na Educação 1. Volumes 1,2 e 3. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2010.

BRANQUINO, Fátima Braga; REIS, Maria Amélia de Souza; FERREIRA, Maria do Carmo. Ciências Naturais na Educação 2. Volumes 1 e 2. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2010.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Produção Textual: A relação de sentidos para Jovens e Adultos


A postagem desse mês é um resumo da minha monografia que foi apresentada no dia 04 de Agosto de 2012, para obtenção do título de Pedagoga. Foram 44 páginas, resumi aqui em 2!
 
1. A HISTÓRIA DA ESCRITA E DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
1.1 HISTÓRIA DA ESCRITA
A escrita surgiu, na pedra, para representar a fala. A partir daí era lida fora do contexto em que foi escrita, imortalizando a fala. Também era forma de lembrar valores e mercadorias. Quando a necessidade de escrever se expande, troca-se pedra entalhada por papiro. Mais leve e de fácil manuseio. Resultando em maior acesso ao material escrito.
Mais tarde uma nova superfície para a escrita se faz necessária, de forma que a palavra grafada pudesse ser levada para qualquer lugar. Criou-se o códice, escrito dos dois lados para virar e não enrolar. A grande revolução foi o papel, surgido da seda, mais barato, fácil transportar e manusear. O caminho natural dessa revolução foi a criação da imprensa. Chegando aos dias atuais tem-se uma série de tecnologias que culminam com as máquinas inteligentes.
Havia uma diferenciação entre escribas e população. Os primeiros detinham poder social.
1.2 BREVE HISTÓRIA DA EJA
A EJA é a modalidade de ensino que visa suprir a demanda daqueles que não concluíram a escolarização na idade dita como certa. A EJA tem sua história ancorada na alfabetização da classe popular. Mas no Brasil Colônia já existia educação de jovens e adultos com a catequização pelos padres jesuítas.
Apesar de ser constituída como reprodução da elite dominante, formação de mão de obra barata para o mercado de trabalho. A EJA é uma modalidade política com o intuito de prática de libertação do oprimido. A história conta também que aos poucos a modalidade foi passando das áreas rurais para as mais urbanas. O que se deseja é que a escola proporcione emancipação social e cultural para alunos EJA, ajudar o aluno a encontrar a sua voz.
2. A FUNÇÃO SOCIAL DA LÍNGUA
            Se a função social da língua é comunicar algo a alguém o padrão culto da linguagem tem a intenção de permitir que isso aconteça sem ruídos. Dessa forma, também o professor deve usar o padrão culto para ser entendido e instrumentalizar seu aluno a se fazer entendido na linguagem.
            Dominando a língua têm-se acesso aos bens culturais da humanidade por meio da leitura. E essa leitura enriquece o aluno fazendo-o se entender e entendendo o mundo em que vive. A fala dá acesso ao que se refere ao mundo interior do indivíduo, ou seja, reforça a função social da língua transmitir algo a alguém. A escrita é o desdobramento dessa função.
            Socialmente o jovem e adulto precisa do padrão culto da linguagem para ascensão no mundo profissional ou, simplesmente para comunicar-se nele e se fazer melhor entendido.
2.1 A IMPORTÂNCIA SOCIAL DA INFORMÁTICA E SUA RELAÇÃO COM A LEITURA E A ESCRITA
            Dominar a tecnologia faz com que o aluno EJA se sinta mais competente porque ele tem conhecimento da importância das TIC’s. A informática é uma ferramenta de inclusão social.
3. PRODUÇÃO TEXTUAL E A RELAÇÃO DE SENTIDOS PARA OS JOVENS E ADULTOS
            Mesmo que socialmente seja bom adquirir o padrão culto da língua, o aluno pode não se interessar em ler e escrever. Como proporcionar esse sentido? A primeira coisa a ser feita é demonstrar que escrever sua própria fala interna faz sentido, muda a história e liberta o sujeito para novas visões de mundo por meio do conhecimento. A aquisição do domínio padrão da língua, encontra-se sempre ancorada na realidade do aluno EJA, transpondo-se para uma realidade maior, a do conhecimento.
            Com o trabalho de se debruçar sobre a atividade do pensamento desdobra-se em capacidade para colocar esse pensamento no papel. Não esquecer que o professor é modelo de reflexão para o aluno. E não há como fugir da realidade de que se pensa por associação de idéias, mas o ser humano é capaz de ir além e criar algo novo do resultado dessa associação.
            Sabendo-se que o processo do pensamento para a língua escrita não é tão intuitivo. Uma única palavra semanticamente possui várias significações, ancoradas à cultura e ao indivíduo. A escrita é um treino artificial, a escola tem essa função, treinar a escrita. Com o treinamento esse caminho entre pensamento, fala e escrita se torna mais fácil, até aperfeiçoar-se que claramente levará a vida toda.
            Se há conhecimento do que se quer escrever, escreve-se. O que acontece é que esse aluno ainda não sabe o que dizer. E para tal o professor precisa fazer com que o aluno EJA seja capaz de reescrever o mundo interior, as próprias idéias para elaborar novos sentidos.

REFERÊNCIAS

BRASIL. LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL. Lei nº 9.394 de 20 de Dezembro de 1996.

DIAS, Cláudia Augusto. Hipertexto: evolução histórica e efeitos sociais. In: Ci.Inf., Brasília, v.28, n.3, p.269-277, set./dez. 1999.

FISCHER, Steven Roger. História da leitura. São Paulo: Editora UNESP, 2006.

FOCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 2008.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler em três artigos que se completam. 50 ed. São Paulo: Cortez, 2009.

______. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

______. Pedagogia do Oprimido. 45 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.

FREITAS, Maria de Fátima Quintal de. Educação de jovens e adultos, educação popular e processos de conscientização: intersecções na vida cotidiana. In: Educar, Curitiba, n.29, p.46-62, 2007.

GADOTTI, Moacir; ROMÃO, José E. (Orgs.). Educação de Jovens e Adultos: Teoria, prática e proposta. 11 ed. São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 2010.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed.34, 1999.

MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 22 ed. Petrópolis: Vozes, 1994.

MORAES, Raquel de Almeida. Informática na Educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.
MOURA, Maria Lucia Seidl de. Estudo psicológico do pensamento: de W. Wundt a uma ciência da cognição. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1997.

PELLANDA, Nize Maria Campos; SCHLÜNZEN, Elisa Tomoe Moriya; JUNIOR, Klaus Schlünzen. Inclusão Digital: Tecendo Redes Afetivas/Cognitivas. Rio de Janeiro: DP&A, 2005.

RIZZATTI, Mary Elizabeth Cerutti. Implicações Metodológicas do Processo de Formação do Leitor e do Produtor de Textos na Escola. In: Educação em Revista. Belo Horizonte. n.47. p.55-82. Jun. 2008.

SAUSSURE, Ferdinand. Curso de Lingüística Geral. 28 ed. São Paulo: Cultrix, 2006.

SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez, 2000.

VIGOTSKI, L.S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 7 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

______. Pensamento e linguagem. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Despedida



É lugar comum sabermos que a vida é feita de ciclos, ciclos que vão e que voltam, ciclos que se expandem e seguem vida a fora, ciclos que se fecham para que outro se inicie. E é desse último ciclo que vou falar. O maior ciclo que enlaça e contém todos os outros é o ciclo da vida que começa no nascimento, se estende ao crescimento e finda na morte. O grande ciclo da vida é feito por um montão de outros ciclos que determinam, no final de tudo, no meio de tudo ou entre dois momentos, se o que foi vivido foi bom!

Um desses ciclos é a primeira graduação, aquela que também nunca esquecemos. Dura em média de 4 a 5 anos, algumas mais outras menos. A questão do término, fim desse ciclo chamado graduação é que desemboca, também, em uma crise de maturidade. Porque geralmente é a passagem da adolescência para a vida adulta ou, talvez, de um comportamento descolado para um comportamento adulto.

Geralmente, o comportamento mais equilibrado é o de se despedir com carinho e felicidade porque apesar de tudo de bom que se viveu, um novo caminho se abre, com novas propostas. Então, see você for, não me achara mais lá, caminho outros caminhos, pois lá finalizei, costumo finalizar o que começo, nada deixo para trás, nada fica pelo caminho.

Uma vida ficou para trás e outra desponta, mas muitas vezes o medo do novo, faz com que tentemos segurar a todo custo o modo de vida que se finaliza. Uma nova vida com todo o tempo do mundo, não dá para parar no meio do caminho é preciso seguir em frente, continuar rumo a propostas novas que a vida oferece. Mas ao final de um estágio muitas vezes temos a falsa ilusão que terminou aqui, que não há nada de novo no futuro. Por isso, algumas vezes não queremos romper, dar o próximo passo.

E é nesse momento que surge a fase mais difícil, daqueles que se despedem, porque se despedir de algo que foi bom é muito mais difícil do que aquilo que nunca funcionou. Para La Taille (1992, p. 89): “[...] identificaremos a formação de uma tendência a que poderíamos chamar de “circuito perverso” da emoção: a de surgir nos momentos de incompetência, e então, devido ao seu antagonismo estrutural com a atividade racional, provocar ainda maior insuficiência”. Ou seja, é um momento que não damos conta racional de nada, só o sentimento de incerteza nos domina. Mas é nesse processo de mergulho na emoção sem nenhum contorno racional, que se cria as instâncias racionais para atuação no palco futuro da própria existência.

 Isso só significa que despedida é um momento de ruptura, e como tal de crise generalizada, que leva muito mais a emoções do que a comportamentos racionais. Construindo assim um sujeito mais equilibrado e saudável, mas que nesse processo de equilibração permeia-se por atitudes que para La Taille (1992, p.95) são: “[...] estados passionais momentâneos, cansaço, intoxicação [...]”. O que o autor (1992, p. 97) continua demonstrando é que: “A apreensão de si mesmo parece tão fugaz quanto uma bolha de sabão, ameaçada pelas simbioses afetivas, pelos estados pessoais de emoção ou mesmo de mero cansaço”.

O sentimento então que fica é se esconder de tudo e do mundo, talvez quem sabe se aconchegar em algum ombro especial. Mas tudo vai se equilibrando e se ajeitando e quando menos esperamos, o passado é rompido, definitivamente e uma nova vida começa. Agora, uma vida adulta, a vida de um profissional formado.
Margareth Sales

BIBLIOGRAFIA

LA TAILLE, Yves de. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992.