domingo, 2 de setembro de 2012

Exemplo de uma aula de ciências

Bem, não é só outras crônicas que meu blog divulga, ele divulga a minha arte, todo o meu trabalho criativo. Então, Setembro, estou postando a minha aula de ciências que fiz para o meu último estágio curricular. E, agora, oficialmente sou graduada em Pedagogia!



PLANO DE AULA

Escola:                                                                          
Assunto da aula: O mistério da ciência                      
Data:
Duração: 2 horas

Objetivos: - Conscientizar os alunos da importância da ciência;
- Ensinar como prevenir-se contra a picada do mosquito da dengue.

Conteúdo: A importância da ciência que investiga mistérios e resolve muitas questões humanas. Um desses mistérios é a descoberta de um mosquito perigoso, o mosquito da dengue. 

Procedimentos didáticos: Explicar que a ciência é muito importante porque descobre os mistérios da humanidade, desde um Quark até todos os planetas do universo. Apresentar o jornal e confeccionar o microscópio.

Recursos Materiais: Jornal confeccionado no PageMaker, vidro de enxágue bucal ou um copo com água.

Tipo de Avaliação: Produção textual, o relatório do detetive. Escrever o que ocorre com a dengue; onde ocorre, quem sofre a ação e quem realiza.

REFERÊNCIAS:

ARNOLD, Nick. Saber horrível: Monstros Microscópicos. São Paulo: Melhoramentos, 2007.

HORA, Dayse Martins; SANTOS, Erivaldo Pedrosa dos. Ciências Naturais na Educação 1. Volumes 1,2 e 3. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2010.

BRANQUINO, Fátima Braga; REIS, Maria Amélia de Souza; FERREIRA, Maria do Carmo. Ciências Naturais na Educação 2. Volumes 1 e 2. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2010.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Produção Textual: A relação de sentidos para Jovens e Adultos


A postagem desse mês é um resumo da minha monografia que foi apresentada no dia 04 de Agosto de 2012, para obtenção do título de Pedagoga. Foram 44 páginas, resumi aqui em 2!
 
1. A HISTÓRIA DA ESCRITA E DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
1.1 HISTÓRIA DA ESCRITA
A escrita surgiu, na pedra, para representar a fala. A partir daí era lida fora do contexto em que foi escrita, imortalizando a fala. Também era forma de lembrar valores e mercadorias. Quando a necessidade de escrever se expande, troca-se pedra entalhada por papiro. Mais leve e de fácil manuseio. Resultando em maior acesso ao material escrito.
Mais tarde uma nova superfície para a escrita se faz necessária, de forma que a palavra grafada pudesse ser levada para qualquer lugar. Criou-se o códice, escrito dos dois lados para virar e não enrolar. A grande revolução foi o papel, surgido da seda, mais barato, fácil transportar e manusear. O caminho natural dessa revolução foi a criação da imprensa. Chegando aos dias atuais tem-se uma série de tecnologias que culminam com as máquinas inteligentes.
Havia uma diferenciação entre escribas e população. Os primeiros detinham poder social.
1.2 BREVE HISTÓRIA DA EJA
A EJA é a modalidade de ensino que visa suprir a demanda daqueles que não concluíram a escolarização na idade dita como certa. A EJA tem sua história ancorada na alfabetização da classe popular. Mas no Brasil Colônia já existia educação de jovens e adultos com a catequização pelos padres jesuítas.
Apesar de ser constituída como reprodução da elite dominante, formação de mão de obra barata para o mercado de trabalho. A EJA é uma modalidade política com o intuito de prática de libertação do oprimido. A história conta também que aos poucos a modalidade foi passando das áreas rurais para as mais urbanas. O que se deseja é que a escola proporcione emancipação social e cultural para alunos EJA, ajudar o aluno a encontrar a sua voz.
2. A FUNÇÃO SOCIAL DA LÍNGUA
            Se a função social da língua é comunicar algo a alguém o padrão culto da linguagem tem a intenção de permitir que isso aconteça sem ruídos. Dessa forma, também o professor deve usar o padrão culto para ser entendido e instrumentalizar seu aluno a se fazer entendido na linguagem.
            Dominando a língua têm-se acesso aos bens culturais da humanidade por meio da leitura. E essa leitura enriquece o aluno fazendo-o se entender e entendendo o mundo em que vive. A fala dá acesso ao que se refere ao mundo interior do indivíduo, ou seja, reforça a função social da língua transmitir algo a alguém. A escrita é o desdobramento dessa função.
            Socialmente o jovem e adulto precisa do padrão culto da linguagem para ascensão no mundo profissional ou, simplesmente para comunicar-se nele e se fazer melhor entendido.
2.1 A IMPORTÂNCIA SOCIAL DA INFORMÁTICA E SUA RELAÇÃO COM A LEITURA E A ESCRITA
            Dominar a tecnologia faz com que o aluno EJA se sinta mais competente porque ele tem conhecimento da importância das TIC’s. A informática é uma ferramenta de inclusão social.
3. PRODUÇÃO TEXTUAL E A RELAÇÃO DE SENTIDOS PARA OS JOVENS E ADULTOS
            Mesmo que socialmente seja bom adquirir o padrão culto da língua, o aluno pode não se interessar em ler e escrever. Como proporcionar esse sentido? A primeira coisa a ser feita é demonstrar que escrever sua própria fala interna faz sentido, muda a história e liberta o sujeito para novas visões de mundo por meio do conhecimento. A aquisição do domínio padrão da língua, encontra-se sempre ancorada na realidade do aluno EJA, transpondo-se para uma realidade maior, a do conhecimento.
            Com o trabalho de se debruçar sobre a atividade do pensamento desdobra-se em capacidade para colocar esse pensamento no papel. Não esquecer que o professor é modelo de reflexão para o aluno. E não há como fugir da realidade de que se pensa por associação de idéias, mas o ser humano é capaz de ir além e criar algo novo do resultado dessa associação.
            Sabendo-se que o processo do pensamento para a língua escrita não é tão intuitivo. Uma única palavra semanticamente possui várias significações, ancoradas à cultura e ao indivíduo. A escrita é um treino artificial, a escola tem essa função, treinar a escrita. Com o treinamento esse caminho entre pensamento, fala e escrita se torna mais fácil, até aperfeiçoar-se que claramente levará a vida toda.
            Se há conhecimento do que se quer escrever, escreve-se. O que acontece é que esse aluno ainda não sabe o que dizer. E para tal o professor precisa fazer com que o aluno EJA seja capaz de reescrever o mundo interior, as próprias idéias para elaborar novos sentidos.

REFERÊNCIAS

BRASIL. LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL. Lei nº 9.394 de 20 de Dezembro de 1996.

DIAS, Cláudia Augusto. Hipertexto: evolução histórica e efeitos sociais. In: Ci.Inf., Brasília, v.28, n.3, p.269-277, set./dez. 1999.

FISCHER, Steven Roger. História da leitura. São Paulo: Editora UNESP, 2006.

FOCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 2008.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler em três artigos que se completam. 50 ed. São Paulo: Cortez, 2009.

______. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

______. Pedagogia do Oprimido. 45 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.

FREITAS, Maria de Fátima Quintal de. Educação de jovens e adultos, educação popular e processos de conscientização: intersecções na vida cotidiana. In: Educar, Curitiba, n.29, p.46-62, 2007.

GADOTTI, Moacir; ROMÃO, José E. (Orgs.). Educação de Jovens e Adultos: Teoria, prática e proposta. 11 ed. São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 2010.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed.34, 1999.

MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 22 ed. Petrópolis: Vozes, 1994.

MORAES, Raquel de Almeida. Informática na Educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.
MOURA, Maria Lucia Seidl de. Estudo psicológico do pensamento: de W. Wundt a uma ciência da cognição. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1997.

PELLANDA, Nize Maria Campos; SCHLÜNZEN, Elisa Tomoe Moriya; JUNIOR, Klaus Schlünzen. Inclusão Digital: Tecendo Redes Afetivas/Cognitivas. Rio de Janeiro: DP&A, 2005.

RIZZATTI, Mary Elizabeth Cerutti. Implicações Metodológicas do Processo de Formação do Leitor e do Produtor de Textos na Escola. In: Educação em Revista. Belo Horizonte. n.47. p.55-82. Jun. 2008.

SAUSSURE, Ferdinand. Curso de Lingüística Geral. 28 ed. São Paulo: Cultrix, 2006.

SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez, 2000.

VIGOTSKI, L.S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 7 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

______. Pensamento e linguagem. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Despedida



É lugar comum sabermos que a vida é feita de ciclos, ciclos que vão e que voltam, ciclos que se expandem e seguem vida a fora, ciclos que se fecham para que outro se inicie. E é desse último ciclo que vou falar. O maior ciclo que enlaça e contém todos os outros é o ciclo da vida que começa no nascimento, se estende ao crescimento e finda na morte. O grande ciclo da vida é feito por um montão de outros ciclos que determinam, no final de tudo, no meio de tudo ou entre dois momentos, se o que foi vivido foi bom!

Um desses ciclos é a primeira graduação, aquela que também nunca esquecemos. Dura em média de 4 a 5 anos, algumas mais outras menos. A questão do término, fim desse ciclo chamado graduação é que desemboca, também, em uma crise de maturidade. Porque geralmente é a passagem da adolescência para a vida adulta ou, talvez, de um comportamento descolado para um comportamento adulto.

Geralmente, o comportamento mais equilibrado é o de se despedir com carinho e felicidade porque apesar de tudo de bom que se viveu, um novo caminho se abre, com novas propostas. Então, see você for, não me achara mais lá, caminho outros caminhos, pois lá finalizei, costumo finalizar o que começo, nada deixo para trás, nada fica pelo caminho.

Uma vida ficou para trás e outra desponta, mas muitas vezes o medo do novo, faz com que tentemos segurar a todo custo o modo de vida que se finaliza. Uma nova vida com todo o tempo do mundo, não dá para parar no meio do caminho é preciso seguir em frente, continuar rumo a propostas novas que a vida oferece. Mas ao final de um estágio muitas vezes temos a falsa ilusão que terminou aqui, que não há nada de novo no futuro. Por isso, algumas vezes não queremos romper, dar o próximo passo.

E é nesse momento que surge a fase mais difícil, daqueles que se despedem, porque se despedir de algo que foi bom é muito mais difícil do que aquilo que nunca funcionou. Para La Taille (1992, p. 89): “[...] identificaremos a formação de uma tendência a que poderíamos chamar de “circuito perverso” da emoção: a de surgir nos momentos de incompetência, e então, devido ao seu antagonismo estrutural com a atividade racional, provocar ainda maior insuficiência”. Ou seja, é um momento que não damos conta racional de nada, só o sentimento de incerteza nos domina. Mas é nesse processo de mergulho na emoção sem nenhum contorno racional, que se cria as instâncias racionais para atuação no palco futuro da própria existência.

 Isso só significa que despedida é um momento de ruptura, e como tal de crise generalizada, que leva muito mais a emoções do que a comportamentos racionais. Construindo assim um sujeito mais equilibrado e saudável, mas que nesse processo de equilibração permeia-se por atitudes que para La Taille (1992, p.95) são: “[...] estados passionais momentâneos, cansaço, intoxicação [...]”. O que o autor (1992, p. 97) continua demonstrando é que: “A apreensão de si mesmo parece tão fugaz quanto uma bolha de sabão, ameaçada pelas simbioses afetivas, pelos estados pessoais de emoção ou mesmo de mero cansaço”.

O sentimento então que fica é se esconder de tudo e do mundo, talvez quem sabe se aconchegar em algum ombro especial. Mas tudo vai se equilibrando e se ajeitando e quando menos esperamos, o passado é rompido, definitivamente e uma nova vida começa. Agora, uma vida adulta, a vida de um profissional formado.
Margareth Sales

BIBLIOGRAFIA

LA TAILLE, Yves de. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A bipolaridade de cada um


Realmente existem pessoas que sofrem demais com uma doença que se classifica como distúrbio de humor, mas não é dela que quero falar aqui, pois não há nenhum teor científico nesse texto, apenas reflexões de múltiplas realidades que as pessoas vivem.
 
Então, falarei sobre a bipolaridade característica de comportamentos, talvez, mimados, pessoas que mudam de humor a todo instante porque ninguém nunca as tenha confrontado. O mais interessante é que essas pessoas não estão percebendo que o fazem, minha hipótese é que tais pessoas pareçam ser extremamente sóbrias e maduras. Mas é nessa cobrança de ser a pessoa equilibrada para a sociedade que desembocam em desequilíbrio e cobranças para com os outros que o cercam.
 
Pessoas que acharam que resolvido as crises inerentes a passagem da infância, adolescência para a idade adulta e não se revoltaram. então resolveram todas as questões foram resolvidas com maestria e nada tem a temer, pois aquelas dores não voltarão. Só que o comportamente grita que há algo errado. Que existem questões ainda a serem revistas.
 
Não acredito que Freud tenha desvendado o mistério humano, a ciência ainda tem muito que apresentar, mas sei que ele muito contribui para o conhecimento e revelou de verdade algumas estruturas básicas de formação do sujeito. Alguns rechaçam essas ideias, outros as idolatram, prefiro ficar no meio dos dois grupos e dizer que durante minhas leituras de mundo tenho visto as etapas psicanalíticas cumpridas a risca, sem tirar nem por.
 
E como eu tenho observado algumas dessas pessoas em ação fiquei tentada a escrever sobre o processo. Como uma forma de sedimentar o conhecimento, literário, que tenho do assunto, não com uma visão científica, mas pessoal de leitura de mundo e de leitora de livros psicanalíticos. Então, aqui não é um diagnóstico, é uma narração.
 
Nessa narração sobre comportamentos não diagnosticamente bipolares, mas eventualmente ou com algumas característícas da bipolaridade posso apontar também a perfeição. Perfeição? Em um mundo de imperfeitos, neuróticos e surtados como o nosso? Não alguma coisa não “cheira” bem. Então essa grande neura em cobrar-se perfeição ou cobrar dos outros a mesma, parece uma espécie de controle neurótico sobre o universo desagregador.  A cobrança extrema de uma posição de perfeição é um sinal de alerta que precisa ser revisto imediatamente. E eu disse desagregador anteriormente, porque alguém que tenta controlar com essa força o exterior é alguém que já se partiu em mil pedaços e não se deu conta.
 
Haja vista que quando você é cobrado a esse nível, a pessoa em questão entrou em outro processo também muito bem falado por Freud a assimilação do objeto. E aqui creio que a pessoa assimila a outra tentando anulá-la para não dar conta de um outro ponto fora de se mesmo que desagrega do todo. Então, não é mais fácil engolir o objeto e obrigá-lo a ser dócil fazendo parte de um todo coerente?
 
Finalizando, ninguém está na linha da normalidade, não existe nem tal linha. Depois, ninguém é sóbria e madura o suficiente, o mais sóbrio e maduro tem suas crises de infantilidade e é só deixar fluir. Não resolvemos todas as questões tão bem apontadas por Freud da infância, vamos reviver sempre algumas angústias, a questão é a intensidade, ou a variação de humor. Então, mudanças de humor são normais, variações bruscas em pequenos intervalos de tempo precisam ser revistas, aí cabe a cada um perceber a diferença entre um e outro.
Margareth Sales

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sobre os amigos “Orkut”


Amigos Orkut são aqueles que trabalham junto com você, freqüenta a mesma academia, associação religiosa ou, até, são seus clientes e já se denominam amigos. Como se amigo estivesse ligado ao fato de diversão contínua... Se assim fossem, os palhaços seriam grandes amigos!
 
É claro que hoje os amigos já são facebook, mas deixo a denominação de orkut que foi o momento social onde pessoas associam sucesso ao fato de terem um maior número de amigos vinculados a uma rede social. Há que se perceber que apesar de ser um comportamento supostamente adolescente, pois a maturidade deveria estar para além desse comportamento, porém nem sempre é assim! São pseudo-adultos buscando preencher o grande vazio interior que denomino de falta de amor de base.
 
Falta de amor de base é quase uma epidemia na modernidade, acredito que também tenha sido assim em tempos antigos, mas é nos tempos contemporâneos que sentimos a força desse comportamento. Porque não sentir-se amado acaba por impor, para alguns, em um comportamento de mostrar-se amada por todos e, na verdade, não se agrada a todos e, principalmente, não se é amados por todos.
 
O máximo dessa demonstração superficial de amor é a loucura de se ver com uma quantidade cada vez maior de “amigos” na relação das redes sociais. Mas lembre-se não é complicado aumentar o número de amigos em redes sociais é só ir adicionando indiscrimidamente. Dependendo do seu perfil é capaz de conseguir quase 100% de adesão em seu profile.
 
Essas pessoas acabam por acreditar de verdade que pode-se beneficiar do famoso ter ao invés do ser. Imaginando que enquanto não se é, pode-se muito bem viver com o ter, isso não é verdadeiro e é fonte de frustração emocional profunda, ao ponto de se perder no caminho.
 
Imagino qual a importância cósmica de se adicionar 300, 500, 1000 amigos quando se sabe que quando se tem dois, já somos mais que vencedores. E olha que dá trabalho administrar esses! Não estou também dizendo que agora vocês devem sair excluindo todos os contatos em redes sociais, reduzindo à meia dúzia e dizerem que amadureceram e que possuem uma relação mais equilibrada com a vida. As redes sociais servem para estarmos conectados com um maior número de pessoas, socialmente isso é bom! O que não é bom é acreditar que todos esses números são amigos verdadeiros, de uma forma ou de outra até podem ser considerados amigos, mas de ambientes específicos, não de todos os momentos.
 
Então a questão é falsear sentimentos, verdades, assumir para os outros que todos aqueles amigos que estão em sua rede social, convivem mesmo com você. Ou talvez, acreditar que em um momento de crise verdadeira esses contatos redes sociais estarão ao teu lado para apoiá-lo, o máximo talvez que consigam seja um comentário, como parte de uma atitude humana com a alteridade, mas nunca como prova de amizade real.
 
A amizade real é aquela que é forjada nas brigas, nos desentendimentos, mas que mesmo assim não se separam porque há um laço maior de carinho e de amor. A amizade verdadeira é feita de desacordos, mas de companheiros, de brigar juntos as mesmas brigas, de não deixar que o outro fale mal daqueles que amamos. De verdade a amizade dá sentido a vida e o que preenche a vida, quando tudo vai embora, a amizade sempre fica!
Margareth Sales

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Fluctuat nec mergit


A verdade é que se você consegue manter-se sobre as ondas, você não é engolido por elas. Mas também essa é uma frase perigosa que pode conter em seu cerne uma dubiedade muito grande que desdobra-se em um comportamento paradoxal.

Vamos a explicação, se lhe foi arrancado as escolhas e agora em um momento de maturidade percebe que são exatamente essas escolhas cerceadas que você deve optar, o caminho que se faz é sim o caminho de se manter sobre as ondas. Mas aí entra a dubiedade, porque ao fazer as piores escolhas possíveis dentro da sua realidade, você acaba por encorrer no outro lado de uma mesma moeda. É uma outra forma de se deixar calar, pois antes era a supressão do direito de ser, agora também o é, somente com outra roupagem. Porque o que eu quero é a minha realidade interior, opor-se a essa realidade para fazer frente a oposição do outro e um movimento de retorno a adolescência.

O crivo é paz, onde está a paz? Sentir-se bem é totalmente diferente de sentir-se bem e mal, diferente também de só sentir-se mal ou não sentir. Há que ter muito cuidado, pois quando se pensa que está rompendo uma adolescência você está exatamente repetindo os mesmos processos que te levaram ao atual estado. Não se percebe isso porque há uma divisão mental, e perceba que mentes extremamente habilitadas são capazes de criar uma realidade imaginando que esta iria romper com a realidade angustiante existente. Mas de verdade apenas cumpre-se o destino traçado na ponta de um chicote do dominador de sua individualidade. 

Nascemos solitários e fazemos um imenso movimento de preencher essa solidão, para isso a cultura nos apresenta o outro como fórmula de preenchimento. Não posso negar que sim, precisamos compartilhar e a ida solitária é extremamente dolorosa, mas também não posso fechar os olhos e deixar de reconhecer que estar sozinho em um período é a forma mais madura de ser. 

Então, romper com as possíveis escolhas erradas não é escolher o que a alma tem por elemento fastiante. Sim há uma diferença bem clara na questão, opor-se a uma escolha como forma de manutenção de uma solidão ou uma imaturidade constante ocorre quando se nega as pessoas e situações possíveis. 

Transformar impossibilidade em suposta possibilidade para referenciar-se como aquela que rompeu barreiras é muito diferente de deixar possibilidades reais entrarem, essas que sempre tiveram ali, mas que se tem como normal. Por isso, que pode-se manter sobre as ondas quando não se é engolido por elas, mas quando a vida está dando caixotes, quando é muito água salgada para engolir e os momentos em cima das ondas são mais raros, é preciso repensar. Olhe direito, veja se é isso mesmo. 

Se fosse só sentir paz, mas sempre tem mais. Você quer está ai mesmo? Ou apenas está indo porque não pretende estabelecer resistências, pois resistir é cansativo? Observe se o que parece certo porque não oferece perigo contém o erro exatamente nessa premissa, viver, ter o melhor da vida pressupõe riscos. Pense também sobre esse olhar, tudo que é importante em nossa vida temos medo de perder, não é? Há uma diferença entre gostar de brincar com o perigo e tentar não correr risco algum!
Margareth Sales

quinta-feira, 1 de março de 2012

Sobre os ídolos

Já pensou que a pessoa que você mais idolatra é a pessoa que mais tem defeitos dentro todos os seus relacionamentos afetivos? Já pensou que quando você ataca a alteridade com tanta voracidade você está apenas querendo destruir o pai da horda? Já pensou que seu ídolo tomou todas as mulheres para si e te deixou a ver navios?

E outra, toda vez que seu ídolo não tem defeitos, significa somente que você ainda está atrelado a uma adolescência tardia que só se rompe quando reconhecemos e nos angustiamos com o tamanho dos defeitos do ídolo! A prova cabal dessa forma de imaturidade é deixar-se ser tocada pelas opiniões do ídolo quando contrapõe-se a sua realidade mais profunda, ou seja, você não vê de forma nenhuma desse jeito, mas é “obrigado” a reproduzir a assertiva do ídolo. Os meus heróis realmente morreram de overdose.

Note-se que quando fazemos ídolos temos o hábito de nos anular em função daquele outro e deixá-lo sempre sob os olhares dos holofotes. Em contrapartida, ninguém gosta de ser apagado a vida toda em favor do outro, então, cuidado, pode ser que você esteja tentando apagar a luz de alguém com ou sem intencionalidade consciente.

O ídolo para te conservar bem submisso ao lado dele pode estar usando do expediente dos elogios, você é bom, você é interessante. Mas note: você nunca é tão bom e nem tão interessante quanto o ídolo. Sim, o ídolo ele é o auge da sabedoria, ele realmente chegou ao nirvana, tudo conhece sobre o universo e pela sua postura ele é sempre o melhor, o mais perfeito, não há um só mancha em sua personalidade. E quando os ídolos se vingam? Às vezes eles fazem, por ciúme por não suportar perder ou ver aqueles que o idolatram dividirem a atenção que era só dele com outros. Esse artifício de vingança é mesquinho e, realmente, espezinham o outro até vê-lo derrotado e só conseguindo chances de se reerguer ao retornar ao ídolo.

Concluindo... Ídolos não são saudáveis, exemplos sim. No exemplo observamos mas não idolatramos e também sabemos que o nosso objeto de exemplo é falho. Portanto, que haja mais exemplos significativos e que os idolos se quebrem!
Margareth Sales