sábado, 28 de maio de 2011

Quando uma mulher ama um homem


O subtítulo poderia se chamar o que quer uma mulher. Na realidade nessa busca histórica por um companheiro queremos uma resposta quase como uma fórmula mágica. A fórmula mágica se encontra ligada ao fato de que se quer resposta o mais rápido possível para que se consiga o objeto do desejo. Então, não é uma fórmula mágica, mas vamos a algumas características para reconhecer quando uma mulher ama um homem.

É comum dizer que a mulher vive em um mundo emocional e como tal sua sobrecarga psíquica é maior, nesse sentido o homem que quer ser objeto de amor de uma mulher precisa conter-lhe. Ou seja, fazer com que ela se sinta segura e aconchegada nos braços desse homem, esse corpo precisa ser para ela um abrigo, por isso a máxima de que dormir de conchinha é uma situação de reconforto feminino.

A mulher ama um homem quando mesmo depois de um tempo de distância ele resolveu fazer por ela aquilo que às vezes está acima de suas possibilidades ou ela consegue mas é um fardo. Então quando esse homem vendo quando ela vai trabalhar no que considera fardo, tira das mãos dela e diz para deixar com ele, tirando o fardo que não lhe pertence seu olho brilha, seu coração pulsa. Entenda que aqui não está dito que mulheres não conseguem funcionar da mesma forma que um homem, mas ela não é um homem e gosta sim da feminilidade que é melhor desenvolvida quando ela não resolve tudo.

Principalmente, a mulher ama um homem quando ele durante o sexo demonstra que ela é tudo para ele, talvez aqui seja o maior segredo. Perceba que não é todo homem que irá conseguir isso, até porque a mulher não será tudo para todo homem, mas é nesse momento que entra a tão falada química. Essa química é, exatamente, quando o desejo dele é tão forte por ela e precisa ser realmente forte. Haja vista, que só o fato dela ser uma mulher já significa que qualquer homem terá esse desejo forte, mas é mais que isso.

Esse forte desejo, forte atração é visto quando esse homem consegue conter e esse conter envolve o desejo que ela tem de se ver abraçada por ele. Nesse abraço ela precisa se sentir segura, localizada, ou seja, sentir-se no lugar certo, na hora certa, ocorrendo o sentimento de pertencimento, ancoragem. Ela sente-se desejada como se nada e ninguém mais houvesse, como barreira mesmo corporal que serve de abrigo contra as intempéries. Um sentimento de compreensão, de inclusão de forma que possa deter não todas as dores, mas principalmente a da solidão que é trocada pelo amor. E quando necessário usar essa força do amor para conter as dores que advirão no caminhar...
Margareth Sales 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Desabafo de uma estudante universitária

Então educação virou o foco de notícias nesses últimos dois meses e é nesse contexto que verdadeiramente abro espaço no meu próprio blog não para fazer literatura, mas para desabafar, colocar toda a minha angústia e dores para fora. 

Usando o exemplo da professora Amanda Gurgel e não pretendendo de forma nenhuma ser ela e nem comparar a angústia de um estudante universitário, em Pedagogia, com o verdadeiro descalabro que realmente a educação se encontra. Mas usando o seu momento para falar sobre o meu como forma de “lavar a alma”, de realizar um momento catártico!

Ouço Roupa Nova no show 30 anos junto com Milton Nascimento cantando Nos bailes da Vida, me lembra de mim, do meu processo artístico e, principalmente, pessoal e agora de minha formação como educadora. Vivo esse momento como baile da minha vida e o canto “com a roupa encharcada e a alma repleta de chão”. E isso significa que me realizo em sala de aula, mesmo sendo fundamentalmente escritora, mas não sou só isso, sou educadora. Como educadora, com Milton Nascimento, com seu Coração de Estudante, a MPB, a minha escrita faço também meu palco artístico e amo esse espaço.

Por isso, estou aqui com essa alma repleta de chão, gritando, agora com meu coração de estudante, escrevendo a minha dor, compartilhando para descobrir se essa é só minha ou posso compartilhar com meus amigos de estrada, os estudantes. Como estudante minha labuta, minha busca diária se chama nota, é essa que me qualifica e é exatamente o ponto mais questionado, mais discutido em toda a Pedagogia.

Não importa se meu conhecimento é sedimentado, não importa se inferi, entendi, mais do que isso, não importa se fui além desse conhecimento. Não importa se ao estudar Ciências Naturais na Educação 2, se depois de anos, finalmente entendi todo o processo da fotossíntese, haja vistas que é difícil apreender como uma molécula de glicose (C6H12O6) se forma, seus meandros. E o material didático da minha faculdade tem muito bem explicado como é feito. Mas não importa, você tem um material bom e é te cobrado a mediocridade, está lá o gabarito, formado em palavras e setas para exemplificar o ciclo do nitrogênio, água e caborno.

Ou então, você estuda, infere, risca busca referências em outros teóricos, mas sua questão se encontra errada, exatamente: ERRADA, ainda que a pedagogia já não se baseie em juízo de valor, mas em construtivismo. Errada porque o autor disse que adolescentes gostam de carnaval, hip hop e religiões afro-descedentes. Sinceramente, não conheço um adolescente que goste do que foi citado, talvez exceto o hip hop, mas na realidade vejo mais é gostar de funk e também de mpb e rock. Mas mesmo que a realidade não seja isso, a questão foi verdadeiro e falso e eu “deveria” ter lembrado que no texto estava escrito isso... Mas não, eu lembrei dos pontos mais importantes como a educação se faz por meio da realidade dos alunos, o hip hop, porém não serviu e fiquei com 6,6 apesar do conhecimento do assunto.

É, estou terminando, em junho de 2012 já posso me chamar Pedagoga, mas estou terminando desanimada, acorrentada, sem voz, com um sapo enorme que me desce a goela. Estou terminando ressentida, estou terminando traumatizada, pesado? Estou exagerando? Sou a única? Será? Meu conhecimento não está valendo nada, tudo o que estudo, tudo o que aprendo, já na graduação vê-se que não se coaduna com aquele que detêm o poder da caneta vermelha, ou para dizer que é diferente, atualmente corrigi de lápis mesmo!

E para calar a minha boca, quando reivindico de forma mais incisiva ainda ouço: “mas eles têm mestrado”! Quer dizer, que o mestrado virou sinônimo de Deus, porque se a premissa for verdadeira, esperem... Pretendo chegar ao doutorado, e segundo a assertiva, não terei mais erro, estarei acima do bem e do mal. Volto então a Milton Nascimento, agora com coração de estudante: “Já podaram seus momentos. Desviaram seu destino”. Me sinto assim, vitimada por aqueles que possuem esse mestrado e que na realidade em nenhum momento vi falando algo diferente de mim, que estou me graduando pela primeira vez. Claro, que possuem a grande capacidade, tão bem pontuada por Vigotski de mediar, ou seja, levam-me pelas veredas do conhecimento, apontam referenciais que contribuem para solidificar ainda mais meu conhecimento. Mas não são deuses, nunca!

Minha estima acadêmica está um “bagaço”, enquanto ouço Roupa Nova, revisito Milton Nascimento em uma segunda-feira, minha vontade não é só colocar o pé na estrada. Mas cair na noitada de uma boate e dançar até esquecer qualquer conhecimento acadêmico, não para sempre, mas como diz o AA, só por hoje. Hoje que estou moída, doída, que compartilho das palavras de Reich em seu livro Escute Zé-Ninguém!

Quero aproveitar que meus sobrinhos estão aqui e jogar Super Nintendo, PlayStation 2 e pular em cima de bichinhos coloridinhos como catarse emocional. Isso porque como diz o Paralamas do Sucesso: “Ninguém foi ao seu quarto quando escureceu”. Trocando a linguagem da música para a da Pedagogia não privilegiaram o conhecimento mas a “decoreba”, pois quando sou obrigada a lembrar que no texto de determinado pensador que afirma que adolescentes gostam de carnaval, para mim é “decoreba” porque a realidade me mostra outra situação.

Como diz os vendedores ambulantes que entram no seu ônibus: “Eu poderia estar estudando, mas estou incomodando o silêncio da tarde de vocês para desabafar”. Minhas notas caíram, cheguei a supor questões cognitivas, ontem li quatro capítulos de Freud: As sutilezas do ato falho, o mecanismo psíquico do esquecimento, lapsos de escrita e lapsos de leitura. Porque a mim é atribuída a responsabilidade de tirar 5,3, 5,5 e 6,6 em três matérias, ao estudante é atribuído a falha e como vivo em uma sociedade, segundo Freud chama de Mal Estar na Civilização, onde a culpa é a “bola da vez”, normalmente acabo por imaginar o que está acontecendo comigo?

O que está acontecendo comigo? Com 40 anos estou traumatizada, com 40 anos acredito que a educação é reprodução ideológica como aponta Althusser, com 40 anos acredito que sou oprimida, como afirma Paulo Freire. Com 40 anos chego a tramar meu plano de vingança de deixar de ser oprimida e maquiavelicamente ser opressora, pois pretendo chegar ao doutorado... Estão ouvindo? Risadas maquiavélicas.

Sinceramente, não é isso que quero, quero que a Amanda Gurgel seja referencial como está sendo... Quero que a educação mude, quero que a bandeira EAD não seja marca de oposição ao estudo presencial, muito menos que a exemplo da fala do Miguel Fallabela, se encontre apenas os restos de giz em uma escavação arqueológica. Desejo que o meu pão nos bailes da vida por onde passar seja conseguido através do ensino da arte, arte lida, arte ouvida, arte vista. A educação precisa ser formadora, construtora e não fragmentadora do sujeito, não é para duvidarmos de que estamos aprendendo. Ao homem é dado o conhecimento, ele sempre vai aprender, formal ou informalmente.

Como diz o Roupa Nova que continuo ouvindo: “A alma advinha o preço que cobram da gente”. Que preço é esse? É o preço de minha sanidade mental que chegou ao ponto de pular questões na prova, imprimir trabalho com páginas faltando, escrever de mim como se fosse do gênero masculino por astenia intelectual ou uma forma de mensagem inconsciente de que não corroboro a imposição dominante daqueles que nos atribuem a nota? É o meu ego que está sendo esfacelado ou minha capacidade cognitiva que está aquém do que a academia exige? Pensem nisso, talvez no meu desabafo à linha de Reich no livro Escute Zé-Ninguém há mais de acadêmico do que se possa supor...
Margareth Sales

domingo, 22 de maio de 2011

Sobre o conceito que namorar um amigo estraga a amizade


Vamos ser bastante sinceros: de onde as pessoas tiram esses conceitos? Sério, nunca vi um relacionamento, nunca mesmo, entre amigos que tenha estragado a amizade. Muito pelo contrário, os melhores namorados sempre vieram do seio da amizade.
 
Mas talvez possa concordar com a assertiva quando há uma paixão mal direcionada, ou seja, um dos lados se interessa. Informa o interesse, o outro lado por pura piedade e para manter a amizade diz que guardou a informação com carinho. A pessoa movida por esses sentimentos novos acaba por fantasiar que a premissa anterior é um sinal vermelho e começa a investir.     Usando de um conceito bastante conhecido: “toda mulher gosta de ser conquistada” acaba “metendo os pés pelas mãos”. Pensando que o sinal pode mudar de cor. E nesse caso forçam uma situação na qual a outra pessoa está estremamente desconfortável. Por que privilegia a amizade não querendo perdê-la, mas em nenhum momento tem nenhuma intenção amorosa.
 
Então pode-se afirmar que querer namorar um amigo estraga a amizade, mas perceba é o querer que está ocorrendo somente de um lado e não se coaduna com o querer do outro lado. Obviamente, a amizade virou um navio furado onde os tripulantes tentam o mais que podem impedir a água de submergir essa embarcação. No entanto, se a insistência, diga-se de passagem nada romântica e na realidade sufocante continuar, com certeza, a tripulação que ainda resta abandonará o navio.
 
Vamos à quando namorar com o amigo não estraga a amizade. Bem, amizade é terreno propício para surgimento de um grande amor e não é só os famosos filmes do genêro que demonstram isso, a realidade também. Quando de repente se descobre que para além da grande amizade nutrida e desenvolvida durante os anos apareceu um componente sexual, um desejo de ter aquela pessoa nos braços, abraçá-la, descobrir o gosto de seu beijo. Esse sentimento, recíproco por sinal, nunca estragará a amizade vai transformá-la de um padrão a um outro.
 
Entretanto, não é somente de juras de amor eterno que uma amizade pula de um patamar para outro. Temos o que no Brasil se chama de amizade colorida (aliás acredito que o termo é pejorativo para uma situação que também é bonita) ou amizade com benefícios conforme se fala nos seriados e filmes.
 
A amizade que além do grande sentimento de reciprocidade também desenvolve um envolvimento sexual nada tem de absurdo. Afinal, são duas pessoas adultas que se gostam, tem atração uma pela outra mas que não desejam passar o resto de seus dias com aquela pessoa porque lhes falta os componentes necessários para se tornarem um casal. Talvez até tenha esse amor, mas ainda assim são melhores como amigos do que como casal, amante no caso até já são. Na realidade, entra um princípio de maturidade onde não se compra o valor cultural da sociedade vigente, isto é, felicidade é sempre igual a casamento, não se pode ser feliz sozinha.
 
Sabendo-se que esse sozinha predispõe não exibir a tiracolo a pessoa que gosta de trocar salivas e outras coisinhas com você. Porque obviamente muito poucas pessoas são felizes sozinhas, só que sozinho é, realmente, sozinho, sem amigos, sem colegas de trabalho, sem família. Vivemos hoje numa sociedade diferente, não é porque nem todos se predispõe a “lavar cuecas” que são necessariamente sozinhas. Digo sempre: não ter namorado não significa necessariamente que não se namore!
 
Finalizando, use a massa cinzenta que possui para identificar se existe reciprocidade do outro lado. Se não existe, não acredite que o seu grande amor, suas investidas irão fazer com que a outra pessoa mude de ideia. O perigo dessas investidas supostamente românticas é o tiro sair pela culatra, nesse caso, ao invés de admiração cria-se aversão, fazendo com que a outra pessoa se sinta perseguida. Uma dica básica para descobrir, pergunte: existe atração sexual entre nós? Ou, você acha viável que poderia existir atração sexual? Se a resposta foi que ela sonhou que estava dançando com o tio como um simbolismo a você, desista! Não há nenhuma atração e insistir fará você perder a amizade, mas você decide: pretende perder a amizade em função de um capricho ou vai respeitar a amizade porque respeita o outro em sua escolhas? Decida essa é a hora!
Margareth Sales

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Aula Prática


Once upon a time ou Era uma vez, eu, que fui professora do estado entre 1994 e 1995, concursada e pedi exoneração. Vixi! Fiz uma coisa muito “errada”?!?! Nada!!! Foi uma das decisões mais sábias da minha vida, não sou vocacionada para Educação Infantil e Séries Iniciais. Minha vocação é EJA ou 2o grau, então não me arrependo, mas sempre soube que era uma educadora, em fuga desesperada!

Crazy eu! Sabia que se fizesse Pedagógico poderia sofrer uma crise desesperada de amor para com a profissão! E aqui estou eu, apaixonadérrima, pelas adolescentes que faço Estágio e pela educação, e como Abril começou resaltando escola em um nível trágico, eu fecho o mês falando de paixão e amor pela educação. Para isso, fui até o túnel do tempo e retirei de lá, uma das muitas aulas que para mim faziam com que a dor de não está no lugar certo fosse amenizada (o lugar certo é com jovens, adolescentes e adultos). Segue a aula na íntegra, podem se aproveitar da deixa, futuros educadores e copiar a minha aula, eu deixo!

13/06/1994 - Especial dos namorados

8:45 Café

9:05 Poema: Soneto de 4a feira de cinzas.

9:50 Interpretação, dar ênfase a nossa literatura.

10:35 Recreio.

10:55 Nós somos a editora de uma revista. Dividir funções: redator, diagramador, arte final, revisor, desenhista, modista etc.

11:40 Livre.

12:25 à 14:10 Educação Física.

14:55 Recreio

15:15 Assunto da revista: namoro; moda casais; comportamento - assunto de interesse deles: beijo, o tipo de garota (o) que você gosta; carta para a psicóloga - conselho, como ele (a) mostra que gosta de você, como ser um bom amigo, como terminar sem magoar o outro, as 10 coisas que você não gostaria que seu namorado dissesse, como arrumar um namorado; se fazer notar; pergunta: Príncipe existe? Entre outros...

16:00 Continua a oficina de montagem da revista.

16:45 Jantar.

Bem, vocês já viram que meu blog é um “samba de criolo doido” ou afrodescendente doido? Mas tenho em minha defesa que o blog é sobre conhecimento científico e outras crônicas. Na realidade, é tudo o que faz sentido, tanto artística, espiritualmente quanto cientificamente. E Maio tem mais... That’s all folks!
Margareth Sales

Falando um pouco sobre conceito global na educação


O texto a seguir foi feito para a participação em um Seminário da minha Universidade, editei e resolvi reproduzí-lo aqui.

Dentro de mim se encontra um dualismo, não deixo de ficar impactada com a “fúria” dos que acham que a educação está falida, não há mais jeito. Por vezes chego até me apropriar desse discurso como se fosse meu. Mas sou levada a refletir e a adotar outra postura e acreditando que a escola é um local onde pessoas são impactadas.

Vou adotar minha posição crítica-construtiva aqui (beirando um pouco o mordaz). Sério que os moldes da educação atualmente causa angústia? Estranheza com o que não é estranho? Segundo alguns a escola virou ambiente de paquera sem limites e como não segue os moldes da época da ditadura fere os princípios da educação de qualidade? Sinceramente... Não vejo isso! Eu adoro a escola, inclusive a pública, vejo um local de vidas que querem ser tocadas, mexidas, mudadas, pessoas que querem ser sinceras, profundas e mudar a realidade. Por que se privilegiar a rigidez, a rigidez advinda da ditadura? A escola não deve ser rígida, o conhecimento não é rígido... Mesmo que uns não queiram Piaget e Vigotski sabiam o que falavam quando diziam que o conhecimento aconteceria no momento do aluno. Exemplo? Depois de 3 anos dentro de pré-vestibular, só agora em CN2 que pude apreender como a fotossíntese ocorria, incluindo componentes químicos. Acho que a escola é o espaço da maquiagem, dos fones de ouvido e dos celulares e olha quem tentou impedir que a escola fosse esse espaço bonito como meninas vivas, com vontade de serem: o Wellington Menezes de Oliveira. Essa criança desviada, estava morta, observe, era “certinha”, disseram na reportagem: “bom aluno”. Qual o espelho disso? Qual o diagnóstico? Se Wellington namorasse mais... Usasse fone de ouvido, mas respeitasse a aula, a professora, creio que esse seria não bom aluno, mas aluno!

Recortando... Porque o autor da chacina era bom aluno? Por causa do modelo de aprovação do conceito global, ele era bom aluno porque estava dentro da escola pública, numa particular que privilegia o modelo fordista não alcançaria bons resultados. Lembrando dos pessimistas e sendo bem contumaz: o ensino da escola pública é definitivamente de PÉSSIMA qualidade, como diz nas redes sociais: #prontofalei.

Não é avaliação global forçada por quem não é educador para subir notas escolares que colocará a educação no nível que ela merece: qualidade. O problema da escola como um todo, não é os tons destoantes da pintura, não é a turma do fundo, não é o acesso a tecnologia que deixa o aluno dentro da escola e fora dela. Quanto ao aluno referencial de Foucault domesticado por meio do próprio corpo, esse aluno estava em marte, muito mais longe do que olhar o celular e conferir a nova twittada.

Para mim, a educação só não ocorre, por um simples viés, os professores não são leitores... E claro, não posso esquecer e tenho que acrescentar, professor é profissional, profissão requer remuneração, se não ganhar bem, não há como se fazer educação de qualidade. Leitura e valorização profissional, simples assim.

A educação espelha as políticas públicas nacionais, o descaso para com os oprimidos. Todos eles, onde quer que se encontrem. Quem são os profissionais engajados? Os que lêem, sejam ditadores: obriguem a ler!

De qualquer forma, não me sinto mais uma voz solitária na multidão, mas ainda que fosse, permaneceria em minha crença. Então, ampliando e jogando a pitadinha de sal para modificar as muitas vozes que dizem o mesmo, tenho a acrescentar alguns pontos.

Um dos pontos de confronto daqueles que acham que as mudanças escolares são diabolicamente malévolas, diz respeito a informalidade. E é essa “informalidade” que é tão criticada digo: sou contra a imposição de uniforme, acho que estilo, moda é vital e não é porque estamos em formação (crianças e adolescentes) que não temos visão estética da moda. Então, o problema da escola não se encontra na informalidade e no uniforme para resolvê-lo, mas 41 alunos? Isso só tende a gerar outros assassinos, não há professor que consiga enxergar 41 pessoas ao mesmo tempo. Então, minha crítica não é para a escola, é para o governo que em função da obrigatoriedade do Ensino Fundamental sobrecarrega uma turma. Solução? Mais professores. Como se consegue? Valorização de cargos e carreiras.

Outro ponto positivo, alunos precisam ler quadrinhos, sempre, se possível levar mesmo para a escola. Alunos tem orkut e podemos descobrir quem eles são, para além da escolas ao ler sua páginas nas redes sociais, aqueles que fazem uma reflexão bastante madura de si mesma no perfil da rede social, o que significa? Produtores de texto, lê o mundo, a realidade, infere e não é isso que queremos de um aluno? Aluno tem que ser fã de mangá, ler imagens também é leitura e também é conhecimento, pessoalmente, nunca vi um leitor do Maurício de Souza ser mal sucedido dentro da escola.

Com relação ao conceito global, tema do tópico: não sou contra o conceito global, acredito que ele possa avaliar de verdade, mas é o conselho de classe que precisa mudar. Como? Se meu aluno tirou 1 em Física preciso junto ao professor de Física conversar se isso é porque o aluno realmente não está aprendendo, vem para a escola “comer merenda” ou se é uma deficiência passível de superação e que não trará nada de positivo retendo esse determinado aluno. O que eu quero dizer é que confio na psicologia, se Vigotski e Piaget dizem que o conhecimento vem no momento do aluno e se minhas hipóteses empíricas comprovam isso, não posso fazer frente ao que acredito. Como Pedagoga (100% em 2012, primeiro semestre) tenho que me apropriar daquilo que apreendi, se fizer sentido, claro. Então, faz sentido para mim que inteligência está além de conhecimentos sistemáticos, que aprendizagem está ligada a leitura de mundo e também a proficiência na leitura. O conceito global não me faz aprovar um aluno que não saiba ler sua língua materna, faz? Porque se faz, e não faz, não tenho como defender, mas se conceito global é isso que o nome explica, saber se o aluno aprendeu, saber fazer, saber ser, saber buscar conhecimento, então sou a favor do conceito global.
 Margareth Sales

terça-feira, 26 de abril de 2011

O preço do trabalho


Atribuir tempo e dedicação a um propósito é trabalho e esse pressupõe remuneração. Qual é, então, o verdadeiro preço do trabalho? Primeiro, devo dizer que o trabalho precisa ocupar um determinado número de horas em sua vida, não todas as horas! Aquele que ocupa todas as horas de sua vida dedidando-se ao trabalho é workaholic e para esses há tratamento específico.

Então, o trabalho deve ocorrer o tempo necessário para que nos sintamos produtivos e fornecer recursos suficientes para desenvolver qualquer outra área em nossas vidas. Isso quer dizer, que o preço que eu cobro pelo meu trabalho não é só o equivalente aos custo do material, despesas para fazer o trabalho e meu lucro. Mas trabalho é isso tudo mais a margem de lucro suficiente para que eu possa, ter um ambiente saudável dentro de casa, os bens humanos construídos socialmente, equilibrando capitalismo, necessidade real de determinado bem e dinheiro para diversão além do espaço de minha casa e do meu espaço laboral.

Utópico? Parece, mas sei que a partir do momento que você valoriza o seu trabalho suficientemente, ele vai ser procurado de forma que precisem te pagar como você sabe que merece receber.  O tempo que você ocupa dedicando-se a um projeto pedido por outra pessoa em troca de dinheiro deve ser pago.

Trabalho também pressupõe ambiente saudável e equilibrado, tanto emocionalmente quanto fisicamente. Isto quer dizer que seu corpo deve estar suficiente confortável no ambiente de trabalho. Um ponto a ser ressaltado, aqueles que de uma forma ou de outra não pagam pelo seu trabalho é porque não acreditam nele, mesmo que digam o contrário e usem toda a manipulação “puxa-saco” tão presente em nossa sociedade. 

Por isso, não importa se em determinado momento você não conseguiu dar conta de um trabalho ou este não saiu perfeito como deveria. Sabemos que como seres humanos somos passíveis de erros, descontar de seus ganhos por um erro é o mesmo que dizer que seu trabalho nunca foi de confiança. Isso pressupõe que todo trabalho deve ser pago, obviamente, se determinado trabalhador comete erros consecutivos é claro que este é o profissional que não se deseja. Mas se o profissional demonstra excelência e por algum motivo cometeu o erro citado, deverá continuar sendo pago da mesma forma que seria pago por ter acertado o trabalho.

Um outro problema muito sério na relação trabalhador e aquele que paga pelo fruto de seu trabalho é falsear a importância que você como trabalhador possui. Muitas vezes, para aquele que paga você não tem valor nenhum e ele só finge lhe atribuir esse, bem para perceber isso é só observar como ele se comporta ao contratar o seu trabalho: caça você nos finais de semana? Nos feriados? Telefone em horário fora do comercial? Se você errou o trabalho ele quer o acerto em tempo inviável? E fechando... Não paga pelo trabalho depois de entregue? Então, não trabalhe nunca mais, para esse cliente... Bom trabalho!
Margareth Sales

Um lugar melhor





É da natureza humana buscar-se um lugar melhor, um convivívio com a natureza, com algum lugar antigo significativo dentro de nossa memória. Não importa, a questão aqui é a busca por algo que não se tem para algo que se deseja. Há um princípio psicológico envolvido, ou vivemos sempre desejando algo que passou ou suspirando por algo que não foi vivido ainda. Uma coisa ou outra por vezes é um eterno viver sem saber o porquê ou procurando sentido em algo que não se possui para justificar a vontade de não amadurecer.

Não viemos para passar pela vida simplesmente sem saber para quê, acredito que se estamos aqui há uma missão implícita nesse viver. E sei que uns vão abraçar essa missão e outros vão culpar, apontar, se ressentir e não tomar atitudes, o que pressupõe uma vida medíocre e sem sentido. 

Aquele que passa pela vida sem saber o porquê deveria ser o verdadeiro “loser”, de acordo com a semântica dos seriados e filmes americanos. O que eu quero dizer é que não se é perdedor porque não se tem a família perfeita, porque alguns “resolveram” colocar na Páscoa o seu nome no Judas. O conceito de perdedor se encontra mais no fato, de viver sem saber porquê e, em consequência, cobrar do outro que faça a sua vida ter sentido para você mesmo.
 
Essas pessoas que buscam sentido na vida dos outros, podem ser chamados de parasitas e possuem comportamentos identificáveis, são crianças crescidas, lembrando que como não são mais crianças, não são bonitinhas também como elas. São pessoas que arrumam confusão e esperam que você a tire dela, riem quando são confrontadas, no fundo, achando muito bonitinho o comportamento. Não se importam, se magoam, se fazem sofrer, se aumentam a pressão arterial da família o importante é botar o circo na estrada e dar o seu show. Outras dessas pessoas são aquelas que tiveram filhos somente porque acharam que o filho iria suprir o amor que nunca lhe dedicaram e passam a vida assim, manipulando, cobrando, exigindo daqueles à quem nunca ofereceram amor de verdade. Como se amor fosse comprado com manipulações, pena sim, pode-se ter isso com a manipulação, amor é gratuito, sempre. 

Um lugar melhor é se você se encontra no exemplo citado anteriormente, dê a volta por cima, se recicle e tome atitudes. Se for vítima dos tais, construa o mais rápido possível um caminho longe desses, mesmo que talvez eles sejam da família, tanto faz, quem não faz bem ao outro, precisa ter seu próprio tempo no lugar que escolheu: sozinho!
 
Pode acreditar o lugar melhor é longe, bem longe de qualquer sanguessuga emocional. É reconhecer onde você está e saber para onde você caminha, é ter liberdade para amar, deixar-se ser amado e escolher não ficar perto de quem não possui amor para oferecer
Margareth Sales