terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Adultério


Palavra derivada da expressão latina ad alterum torum que é na cama de outro. Com o tempo a palavra ganhou o concepção de fraudar ou falsificar, esse significado veio da palavra adulterar.

Então pretendo ir além do senso comum e declarar: não se enganem! Adúltero é aquele que mantém uma mulher em casa e vive pensando na outra, mesmo que nunca tenha a coragem de tomá-la para si.

O que pretendo falar com isso: que casamentos acabam e precisa de uma dose muito grande de coragem para asssumir que algo que tanto a sociedade quanto nossos próprios desejos pessoais desejam que dê certo: acabou!

E quem não assume isso? Covarde! Porque as pessoas não possuem a maturidade e a decência de assumir quando algo não está dando certo? Quando não mais funciona? Porque parece ser mais decente, mais santo, ficar com a mulher ou o homem se corroendo por dentro do que liberar, seguir em frente?

Quando eu falo liberar, não uso o termo moderno liberar geral. Liberar aqui, é se permitir ser quem você é e ir em busca de seus desejos. O mesmo para a mulher, liberá-la para buscar a felicidade, ter o direito de sentir-se amada, sem a sufocação de segurar uma situação que já não possui mais condições de acontecer. Ou seja: não acontece há muito tempo.

Nesse contexto, porque chamam ter um casamento e uma outra mulher de pecado? Talvez porque seja pecado? Ou não? Há várias bases e vários comportamentos. Às vezes, um casamento nem está mal, mas surge outra pessoa e mesmo sem intenção: rola. Ficar com as duas? Quem pode julgar? Quem pode prender o comportamento humano em curvas de normalidade? Os padrões religiosos, claro, que definem comportamento. E porque padrões religiosos definem comportamentos? Porque são santos, certos e conduzem só ao bem? Não! Os mais coerentes sabem, perceberam que os padrões religiosos existem apenas para moldar a massa, isto é, deixar cada coisa no seu lugar: quem têm poder continua com o poder e quem não tem (maioria) serve a minoria.

A questão do adultério, então, se encontra muito mais ligada a fraudar, adulterar, do que propriamente a ocupar a cama do outro. Porque digo isso? Porque quando se está em um casamento onde não restou mais nada, nem mesmo a dignidade, provavelmente o amor também já voou pela janela. Porque fraudar alguém, prendendo, tentando prender ou mesmo soltando. Deixando ela fazer o que quer, mas não permitindo que essa encontre um outro. Porque fraudar em você mesmo um sentimento, um orgulho de ser casado que você já não possui. Ao contrário, você sente vergonha daquela pessoa. Porque procurar sexo na rua quando não há mais sexo em casa. Óbvio é que em um relacionamento desgastado a primeira coisa a desaparecer é a relação sexual. Ninguém quer se tocado por quem odeia. E quando a relação sexual não desaparece? Já sabemos que é condicionamento sexual, faz todo o movimento, goza (talvez só o homem) e resta o vazio de se virar para o lado!

Duro? Demais, mas tem casamentos que tornaram-se apenas a vergonha de um dia ter ido ao altar, ao púpito, ao juiz com aquela pessoa. E você é obrigado a continuar nisso, né? Quem obrigou? Você se obrigou, não venha com a historinha para boi dormir de que foi a igreja, a família dela, sua família. Você se acostumou tanto a falsificar sentimentos, falsificar verdades que nem conhece mais outra vida. Quer coisa pior que isso? Aí você pensa: “Poxa, queria ter 16 anos de novo, curtir Legião Urbana com minha garota gostosa!” Sabendo-se que a garota gostosa não é sua esposa, essa pode até ser gostosa para outro homem, ser valorizada. Mas o casamento de vocês já era! Porém, é sinal de incompetência deixar que os outros saibam disso, né? Claro que não! Mas você não amadureceu para perceber essa verdade.

Por último, e pior, é a mulher que fica em maus lençóis quando vive uma situação da outra. Primeiro, existe uma pesquisa antropológica onde demonstra que as mulheres acima de 30 que não se casaram competem com outras 50 por um homem solteiro. Essa pesquisa demonstrou que existe um determinismo geográfico no estado do Rio de Janeiro. Ou seja, a mulher que desejar um homem e todas elas desejam, depois de maduras, terão que optar por um casado. Ou então, mudem-se para Minas Gerais!

Segundo, a outra não é puta e odeia o estigma. Como visto, ela tornou-se outra porque optou entre a solidão ou um relacionamento oculto. E diga-se de passagem, relacionamentos são relacionamentos, mesmo que não sigam a convenção social: quarta, sexta, sábado e domingo aqui em casa, senão: término!         Para se fazer um relacionamento é necessário, apenas, duas pessoas atuando, trocando, se falando, se vendo, esporadicamente? Talvez! Mas é um relacionamento!

E por último, o mito do tabu, tão defendido por Freud. Nesse tabu é um termo polinésico onde significa: sagrado, consagrado, misterioso, perigoso, proibido ou impuro. Olha a mistura semântica em uma só palavra. A outra vira a mulher tabú e que mulher é essa? A mulher que se tocada contamina as outras. Não se enganem, só em novela adultério é bem aceito, em nossa sociedade a Outra vira tabu. Como virou tabu ela costuma enfrentar o preconceito e tentam tocá-la ou vitimá-la pelo desvario inconsequente de homens que acham que podem. E existe muitos assim!

Concluindo, o poder masculino se estabelece na força bruta e vitima. O poder feminino se estabelece no medo que a mulher provoca na sociedade masculina. Esse medo é revertido em violência contra ela. Nem todo homem que escolhe a outra, necessariamente, é violento ou canalha, talvez covarde. Os homens que têm suas outras estão tentando ser felizes, as mulheres que estão com o cara casado estão tentando ser felizes. Nem sempre terminar um casamento tão rápido é o aconselhável, mas se se descobrirem que há sentimentos que vale a pena. Que é um relacionamento que refresca, refrigera, dá novo alento. Deixemos de ser covardes vamos assumir o outro, a outra como nosso(a) e liberar quem, supostamente, ainda se encontra em nossa cama.

REFERÊNCIAS

FREUD, Sigmund. Edição Eletrônica de Obras Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, [s.d.]

GOLDENBERG, Miriam. A Outra: um estudo antropológico sobre a identidade da amante do homem casado. Rio de Janeiro: Record, 1997.
Margareth Sales

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Feliz Aniversário amiga!


Minha homenagem nessa data muito especial vai para a minha melhor amiga! A gente é tão amiga que pega para capar o tempo todo! Igual duas crianças: fica de mal, depois faz beicinho e pede desculpa, quantos anos a gente tem: 10? Não, muito mais de 20. Mas eu acabei descobrindo que somos duas personalidades indomáveis. Quando não queremos fazer algo, nada nos demove.

Viviane Vicente Nascimento, acho que está certo. Porque o Viviane Vicente Barreto eu lembrava mais, agora ela é casada e advinha? Muito bem casada. Com direitos a bilhetinhos: “estou morrendo de saudade, a cama não é a mesma sem você”. Não acreditam em casamento? Mudem de opinião: o deles funcionam e querem viver até o final juntos, velhinho e de bengala (se é que todo velho usa bengala, bem desenho de Maurício de Souza).

Conheci Viviane com doze, se perguntar a minha idade mando um fantasma puxar a perna de vocês rsrsrs. Ela jogava bola de gude, futebol, quem foi o idiota que disse que menina precisa de boneca? Fala sério solta cafifa (pipa - para outras regiões fica melhor).

Entrou na igreja com 13, porque eu frequentava. Mas ficava questionando: será que aquilo que dizem é verdadeiro? De certa forma até acreditava, mas compartilhava com as dúvidas dela. Fazia parte do louvor, adorava cantar, se cantava bem. Não tenho ideia, não sei nada de cantar: uma coisa posso afirmar: bem melhor que eu, com certeza. Se batizou mais ou menos aos 13, errada? Nada! Ela amou! Até hoje se sente feliz pelo fato. Batismo é muito bom, esse simbolismo de passar pelas águas e deixar para trás todo o lixo que não serve para mais nada. Se você é liberto de pecados pelo batismo? Deixo a resposta para os teólogos, só cito: tem um ladrão na cruz que não foi batizado e foi salvo!

Bem, minha amiga Viviane, inferiu, pensou, curtiu, os tempos de igreja e... foi embora! Quando ela foi embora era uma mulher linda, pensei em fazer um mosaico com as fases dela. Iriam ver o que eu falo, ela é perfeita. Saímos na rua, não sobrava um para mim... Snif. Olha, quanto homem babava quando passava. Mas ela nunca ficava sozinha, sempre tinha um namoradinho. Aliás, ficava anos com o mesmo namorado.
Quando o último namorado deu sinais de que já não era tão legal, um outro já a cercava, ela dizia: “Não vai dar certo, o cara não gosta de mim”. Eu mais velha, sabia que o cara não era ponto de ônibus, mas estava parada na dela! Mesmo sabendo que ela ainda não havia terminado o namoro, ele insistiu.

O que deu? Casamento! Estão casando há anos e felizes. Não acredita que casamento dê certo: visite-os!

Viviane galgou seu emprego, primeiro em um kiosque mínimo não dava nem ela e nem material. Pouco tempo passou para o shopping da cidade em, seguida, para o shopping da cidade vizinha, Virou gerente! Comprou seu primeiro carro, refez a casa: está linda! Chama a galera para churrascão final de semana e os dois, marido e esposa, são os melhores anfitriões que temos conhecimento. Quando vai rolar o próximo churrasco? hehe

Viviane é inquieta, até demais, o médico disse isso, ela respondeu: “prazer, meu sobrenome é ansiedade”. Queriam tacar Rivotril nela. Resposta: tá doido? Minha ansiedade é que vende os tubos. Sem entregar: ela vende pirulito para criança, ou seja, kit completo do Iphone, capinha, Bluetooth que não vem junto, quem sabe um wireless também? E o menino só foi procurar um fone de ouvido, pois o dele estava ruim.

Sua equipe, debandou quando ela pediu demissão em dezembro/janeiro. Não ficou pedra sobre pedra. Tenho pena do novo gerente. Mas ele é brasileiro, não desiste nunca! Kkkkkk.

Viviane, depois de curtir Natal, a cidade. Gastou todo o dinheiro que ralou para ganhar e conseguiu ficou dura. A empresa não deixou ela em paz. Está de volta, com alguns privilégios. Gerente competente é isso!

Atualmente, sente falta das nossas partidas de video-game que arrasamos durante as férias dela e minhas fugidas do trabalho. Um porém: ela é ótima funcionária, mas uma menina num corpo e comportamento adulto. Adora se divertir e... divertir. Meu aniversário, agora 05 de Dezembro de 2010, ela é outros amigos, com certeza, desbancariam pseudo- comediantes (tenho o filme gravado) não paramos de rir a noite toda.

Viviane é de um cinismo mordaz e nunca ofende ninguém, morremos de rir, ela, inclusive, tira risos de minha mãe sisuda! Voltando ao videogame, gosta tanto, mais tanto que é capaz de me ligar, burlando trabalho, para saber como cheguei em 97% do Shrek, se passei por muita fase legal.

Poderia escrever um livro dela, não dá, né? Mas finalizo com Parabéns, muitos 26 anos ao longo da vida (ops! entreguei a idade haha). Te amo amiga, mesmo que a gente possa ainda quebrar o pau um dia dessas. Segundo sua cantora favorita: dois bicudos não se bicam. Ainda bem que seu marido não se entromete: nem para te defender!!! huahuahuahua. Ele diz que depois a gente fica se cheirando!!! Verdade! Muitos beijos, muito “sei o que você vai fazer hoje, pois a loja só vai te liberar depois das 22h”!

Te amo, como mãe que fui (não sou mais, graças a Deus). Te amo pela mãe que você também me foi (não é mais, graças a Deus).Te amo porque somos amigas para sempre!
Margareth Sales

domingo, 19 de dezembro de 2010

Fazer 40 anos

Quando você chega aos 40 você já sabe muito bem quem você é e quem você não é! Ou seja, não adianta pseudo-conselhos dizendo: está acontecendo isso porque você fez aquilo. Relação de causalidade em comportamentos humanos até existe, mas conta com uma indecifrável incógnita chamada: contingências!
 
Isso pressupõe que aos 40 você sabe que em termos comportamentais condicionantes, determinadas atitudes levam a comportamentos pré-fixadas. Mas não sempre! 
 
Não cai a ficha exatamente, no momento, que você faz 40. Na realidade, como você se gosta sabe que fez 40, mas continua sentindo-se muito jovem, ao mesmo tempo que é uma mulher madura!
 
Aos 40 você joga muita coisa fora. Coisas que já não fazem mais parte da sua vida, não te pertencem mais. Usando a matemática, porque até nisso você melhora, percebe que na soma dos seus ganhos menos a perda de suas desilusões, o saldo foi positivo. Há poucas semanas eu joguei o meu walkman fora. Estava na hora, né? Até por uma questão bastante simples: não estava mais funcionando, se funcionasse, como ainda existem CDs ele continuaria aqui. Então, quando você chega ao auge da maturidade, você percebe bem a diferença, que muita coisa deve ser jogada fora. Mas que você não joga aquilo que é bom, o que mesmo parecendo acumulado tem um lugar especial, sempre guardado para ele, no canto de uma estante ou no canto do coração. Significa que as coisas boas não ocupam espaço e para sempre terão lugar reservado.
 
Hoje sou uma mulher muito mais camaleão que antes. Isso não quer dizer que mudo com as circunstâncias. Não aos 40 sua personalidade está formada, há crescimentos, não mudanças radicais. Mas se é camaleão para grande capacidade de adaptar-se as circunstâncias, ou seja, se é para brigar, mesmo que outros não concordem, você briga. Porém, se a briga não te levará a lugar nenhum, então, você adota a camaleoa. Ser camaleão é saber a diferença entre ter partes de sua personalidade que é frustrante, defeito mesmo, mas convive... Porque a parte que mais aparece são as cores verão do camaleão, as invernos estão ali, convivem, se manifestam, mas não desbotam o brilho das cores verão.
 
E com certeza, você é muito mais verão que inverno. Muito mais tempo aberto, mente aberta do que posturas ranzinzas com a vida. E as pessoas te perguntam, pelo herói e você já entendeu que qualquer luta você faz sozinha, nos momentos cruciais você passará sozinha, mesmo que com pessoas de qualidade ao seu lado. No entanto, há travessias que só há como ir, sem bagagem, sem lenço nem documento. Talvez, só uma coisa poderá levar: fé, em você e em seus processos que te fizeram crescer até aqui e em Deus que te sustenta.
 
Depois de se passarem 4 décadas, com certeza passam também alguns loucos pela sua vida. Então, percebe que já pode perdoar a todos. Afinal, o que seria de mim se não fosse a que se encontra aberta a loucura alheia, que deixa entrar, porque releva, isso é tolerância, mas até ela têm limites. Porque, na realidade, você aprende que quando deixa o louco entrar, ele não te acrescentou nada mesmo, tirou, é a palavra certa. Mas em nome da tolerância, da falta de preconceitos e da oportunidade, você permite: vieram para tirar? Vieram! Roubaram? Roubaram! Mas como boa camaleoa cresce de novo, o pedacinho de você que tentaram tirar.
 
Com 40 não sendo mais adolescente você se acha linda! Ainda que tenha que passar photoshop na barriga para não fazer feio! Mas você sabe que ser linda não depende de perfeição, porque até os lindos de verdade, não são perfeitos. Ser linda é estilo, combinação de saber se vestir, se portar, se gostar, se olhar todos os dias, com ou sem espelho. Porque se vê de dois ângulos: de dentro e de fora.
 
Você que já não mentia se livra até daquelas pequenas, bobas que são as emocionais, aquelas que muitas vezes você nem se deu conta. Inteira você encara que às vezes o inferno te atraiu ou te arrastou porque você não sabia dizer não. E segue em frente! Levando sua bagagem, mais vazia porque você jogou muita coisa fora. Mais leve porque você se tornou mais forte. Mais coerente porque você já aprendeu 4 décadas, já leu elas, já leu o mundo delas. E agora? Restam os outros anos reservados para mim, para eu tornar-me melhor e, cada vez, mais feliz!
Margareth Sales

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Quando a morte chega

Bem, a morte é sempre um mistério, porque segundo o dito popular, ninguém voltou ainda para contar. Porém, alguns acham que há pessoas que voltam... Não estou aqui para derrubar a crença de ninguém, muito menos fazer apologia de religião dentro do meu blog, mas minha opinião pessoal é: ninguém volta! Cada um que fique com sua opinião ou então se querem ser formadores de opinião que usem das modernas tecnologias de informação e comunicação para fazê-lo, isto significa: façam seu próprio blog!

Dito isso, a discussão aqui iniciada é sobre aqueles que se vão e, realmente, não voltam mais. Como realmente lidar quando alguém vai embora para sempre? Quando de maneira nenhuma essa pessoa voltará? É isso que é o mais doloroso na morte, a ida!

Não somos acostumados a lidar com a perda, faz parte de nossa sociedade globalizada a acumulação, queremos acumular tudo: bens, amigos, relacionamentos entre tantas outras coisas. Deixar ir... é muito difícil! Porque há muitas idas, com diversos níveis de complexidade, mas a mais difícil sem dúvida é a morte! Não há palavra que preenche aquele vazio, aquela dor!

Como lidar então com essa dor? Em minha opinião de quem já viu alguns irem e que soube lidar com isso, uma ajuda, já que nada do que eu vou falar aqui vai resolver, seria: sobriedade. Já vi muitas coisas sobre a morte e comportamentos bem descompensadas, gente que observa o túmulo e a foto deste imaginando que o morto está vigiando o corpo. Sombrio? É pouco! Bastante doentio. O medo da morte existe, da nossa e dos outros, mas ela vem, de que adianta viver sobre essa premissa? Por isso, a sobriedade é meu primeiro pré-requisito, se diante de todas as pancadas da vida, envergo, mas não quebro. Sim, sou sóbrio! Se não sou sóbrio, ou seja, se me apavoro, descompenso, descabelo, grito, meu segundo pré-requisito seria: procure ajuda profissional! Digo isso com compaixão, porque tenho visto pessoas vivendo sob a premissa da morte e não da vida e não são pessoas sóbrias.

Não há como negar que a morte para o sentimento de quem fica é algo banal e sem razão. Não há sentimentos de felicidade naquele momento, mas o pior é que, via de regra, a morte não fecha um ciclo na vida de quem fica. Então, aliada a dor fica a inconclusão, a interrogação, muitas perguntas e nenhuma resposta mais. É como se de uma hora para a outra fomos obrigados a jogar fora parte fundamental da nossa vida.

O filme que vira e revira a cada minuto em nossa mente e a pergunta: o que estava errado? Nada estava errado, mas como convencer disso? A resposta está em você continuar, sozinha ou não, filhos para criar ou não. Irmãos que ainda contam com você ou não! A vida é sua, é para ser vivida por você. A morte é dura, fecha-se numa sepultura, mas a sua vida é preciosa, esse é o diferencial entre a morte como ponto final e a morte como recomeço pessoal de quem fica.

Você perdeu alguém importante e não sente isso? Claro que não! Mas não quer dizer que não seja verdade, a morte é recomeço para quem fica. Seja sóbrio, seja feliz com quem ainda não foi, jogue fora o que não presta e fique com o melhor da pessoa, quando ela for lhe restará as lembranças para continuar e criar outras, no mesmo espaço, em outro espaço. Mas a felicidade não se foi junto com a pessoa, houve dor sim, mas ainda nascerá, todos os dias o sol, para seu renascimento!

Margareth Sales

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O Rio de Janeiro, de novo


Fomos assaltados novamente por acontecimentos que mudam o cenário do Rio de Janeiro e a história do mesmo. Historicamente, o Estado é palco de grandes eventos, isso quer dizer que até então não se perdeu essa característica. Hoje, especificamente, o RJ é um barril de pólvora.

De uma forma geral, na pós-modernidade de muitas vozes, vemos “pipocando” em cada canto, opiniões pessoais, baseadas no senso comum e, também, reflexões sociológicas baseadas em proposições científicas.

Nesse viés, coloca-se quem é o verdadeiro inimigo? Então, faço a minha voz juntar-se a voz de outros e perguntar? Quem é o inimigo? Talvez não exista, se baseado na definição que devemos privilegiar uma atuação histórica multiculturalista, então, todos deverão conviver harmoniosamente, será isso possível?


Se a luta no Rio é pelo domínio hegemônico da milícia, o inimigo, é então, a polícia militar. Não é uma novidade, o poder das forças armadas é antigo em nosso país e continua existindo! E, se existe uma troca de poder, das mãos do tráfico para as mãos da milícia, isso não exclui o fato de que o movimento, mesmo que desarticulado do tráfico cerceia o direito de ir e vir.


Explicando: o movimento que o tráfico faz, em pontos diversos do Rio de Janeiro, com pouquíssimas vítimas atua direto no inconsciente coletivo, ou seja, no medo que a maioria dominada tem da própria vida que sempre foi massacrada pelas elites.


Isso significa, que como maioria, é a massa que determina se irá haver ônibus ou se as pessoas irão trabalhar ou não! Como? Essa mesma massa é a que espalha o medo. Espalhando o medo a cidade pára, quando a cidade pára, quem deseja se locomover é cerceado por um grupo, grande, que não permite isso.


Então, impede-se o direito de ir e vir porque a população sente-se ameaçada pelo inimigo oculto. Além do fato de que mesmo com pouquíssimas vitimas, um só ônibus queimado faz com que os empresários do transporte segurem os ônibus. Não pelas vítimas, mas pelos ônibus. Mais uma vez, o direito de ir e vir é impedido!


Isto é: o que adianta dizer a verdade se eles (a massa) não ouvem. A mudança não é dizer, hoje, pela mídias sociais a verdade, ainda, claro que se deva dizer. Mas a mudança só vai ocorrer, quando a escola tiver acesso as verdades. Sonho, então, com o dia em que esta verdade seja dita nas escolas, para que a população saiba escolher, por enquanto, como sempre, o real está invertido!


Então, se é uma escolha de mentiras, exemplificando, se fosse isso, quem você prefere que seja o poder dominante: a ditadura ou o Collor de Mello? Peguei com o pior que tivemos para exemplicar, mas se tivesse que optar, porque não haveria outra escolha, ficaria na opção dois! Ou quem sabe um movimento para uma opção três? Mas a opção três é utopia, só virá com profundas mudanças sociais.


Então, essa falsa segurança que a polícia exibe, acaba por ser segurança verdadeira, porque não impulsiona a maioria (massa) a impedir o nosso ir e vir! Se a hegemonia vier dos militares, obviamente, eles não farão pressão queimando ônibus, não pedirão a fechada do comércio, porque dependem desses para sua própria sobrevivência.


Explicando, melhor, quando o poder dominante vem da polícia, mesmo que a contragosto, eles precisam cumprir alguns parâmetros éticos para a própria sobrevivência. Do contrário, são substituídos. Em contrapartida, quando a segurança vem do poder paralelo, não há seguranças! Nunca. Porque o poder paralelo é psicologicamente condicionado a ver o outro como nada. A partir do momento que não vejo a alteridade em sua subjetividade. No momento, em que não o sinto como parte daquilo que sou, não há limites para o que eu posso fazer com ele.


Se com a polícia dominando, vemos ônibus queimados em diversos pontos, com o tráfico dominando veríamos corpos estendidos no chão, a qualquer momento. Dependendo apenas da virada do vento, ou seja, do humor daquele que está armado até os dentes. A ação de bandidos não possui ética, talvez a ética interna. Eles sempre virão com força, só poderão ser impedidos pela mesma força com que atuam. A força deles é arma? Sim, só! O poder deles não baseia-se no discurso, não saberiam nem entender o seu próprio discurso interno. São condicionados pelo meio onde vivem e atuam, tornam-se animais, não são, que o digam os direitos humanos, mas atuam como tais e, condicionamento psicológico, dizimou milhares de judeus.


Condicionamento psicológico é perigoso, os bandidos são perigosos. Meu único grito: eles precisam ser detidos, são humanos, como disse: são! Mas estão dominados, se tornam os inimigos porque foram condicionados pelo nosso maior inimigo. Que sendo minoria só se tornam maioria pelo poder do discurso. Se tornam inimigos porque foram condicionados a não ver o outro porque são massacrados pelo poder dominante que os condicionando, os despersonificando, transforma-os em animais. Conversamos com animais, não! O diálogo perdeu-se porque não ouvem mais. Só quem pode pará-los, infelizmente, é a polícia, para retomar o poder da sociedade constituída, INFELIZMENTE!

Margareth Sales

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Culpado ou Inocente?


Nasceu bonito, terceiro filho de dois natimortos. Cresceu se amaldiçoando por esse fato tão terrível! Será? Amor incondicional pela mãe sofrida por ter perdido essas crianças e ódio pelo pai, primo da mãe, um grosso. Claro, primos: filhos mortos! Freud explica essa relação?

Cresceu, tornou-se homem, seu bairro, subúrbio, nunca contribuiu para seus sonhos: aprender inglês, informática e fazer uma faculdade. Não permaneceu em empregos, não tinha formação, ficou pipocando pela vida. Seu pai, louco, demonstrando que ele deveria ser homem, arrumar emprego decente, como ele, grande homem!

É cobrado pela mãe para dar netos, arruma uma na esquina e faz um filho. Sustentá-lo? Não tinha condições, mas fala com o peito cheio que nunca nada faltou para a filha, como? O pai a sustenta! Peraíiiiiiiii! Aquele mesmo pai louco? Insensato?

Uma oportunidade na vida, um emprego tipo Chandler Bing: não sabemos o que faz, sabemos que trabalha (do seriado Friends). Comprou seu carro, ganhava bem. Achou que o futuro de sua vida estava nesse emprego, baseado em comércio flutuante, foi a deriva. Ficou desempregado!

Casou perto dos 40, sua esposa? Quase metade de sua idade, fez o filho 2! Dois filhos e uma esposa, casa para morar? Nunca! Casa dos pais, quando não os dele, os dela. Frustrado com a cobrança da mulher por uma casa, apontava a falta de misericórdia dela com sua vida tão sofrida! Decidiu-se separar, culpa da esposa, claro, não dele, que não fornecia a casa do casal. E também ela começou a trocar sexo por estabilidade: “só dou se sair a casa!”

Voltou para a casa dos pais, solitário, sem sexo que gostava muito, por sinal.! Começou a viver de mimimi (traduzindo: chorando amargurado pela vida que não se realizava). Continuava bonito, aliás muito mais bonito: chegou aos 40, suas filhas, lindas, né? Segundo ele: NÃO! Como?

Se concluirmos que até então ele vagava pela vida, agora estava a deriva. Perguntava a todos onde se encontrava a tal da felicidade? Será que um dia poderia conseguí-la? Resposta: tem resposta? Vocês querem resposta? Me respondam vocês...

A deriva, na marca do penálti, decidiu ter vida. Depois de mais de um ano sozinho, encontrou alguém: bonita, decidida, inteligente, sexy demais! Pensou: vou me fazer, vou aprender, vou crescer e vou desfrutar! “Você é a mulher da minha vida, dizia ele!” “Quero te levar para casa”.

Pouco tempo de namoro, a pressão que fazia puxou o namoro para cima, ou para baixo? Surgiu a pressão de um compromisso mais sério. Ele ligou para ex: “estou namorando”. A ex gostava dele. Ex volta!

Ele resolve acreditar que casado uma vez, casado para sempre. Diz para a namorada: sou adúltero! Me perdoa, nunca deveria ter feito isso. Mas manteve a namorada em standy by: “Estou vendo que você não está bem, me ligue sempre, serei ombro eterno”...

E, todos os dias, eram três horas no telefone com a ex-namorada. Até que ela informa que já está com outro. Transando? Surge logo a pergunta! Sim. Resposta: “Você está vivendo em prostituição, não sabe esperar até casar?” Ela: “Mas você forçou a maior barra para eu dar para você!” Ele: “Você se acha certa? Você teria que se segurar, eu estava fazendo o meu papel!” Ele: “Não vou orar mais por você, você está seguindo um caminho tortuoso”.

Resultado: o homem é Santo? Louco? Merece o perdão que tanto clama, por ter ido buscar uma namorada quando era pecado o que fez?

Perguntas: Será que essa pessoa se dissociou completamente e não retorna mais? Será que os 40 anos foi o tempo final de sua vida, a chance era agora? Será que há chances para alguém que nunca quis se ver. E, a pergunta principal... Será que porque não entendia o caminho percorrido, vamos usar Freud, inconscientemente traçado. O torna inocente ou ele é culpado de quase estragar a vida de três mulheres porque usou o inconsciente como auto-sabotagem aos próprios delírios de poder. Não alimentados numa vida real, mas numa vida paralela. As respostas? Você decide caro leitor!
Margareth Sales

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

11 de Setembro


Desde novinha, Kate sonhava em ser escritora. Fazia vários livros e desenhava... E escrevia e desenhava. Sua mãe sempre lhe opôs o sonho: “Escritor morre de fome, menina, mesmo aqui na América, o país da liberdade!”.

A menina continuava sonhando... Porque é isso o que as crianças fazem: sonham! Cresceu assim na felicidade de tentar seu dom e na negação das palavras de sua família que incessantemente deixava claro que era uma fantasia que não levaria a lugar nenhum.

No período escolar ganhava inúmeros prêmios e a atenção total dos professores que sempre a incentivaram. Muito determinada, sonhava com seu sucesso como escritora, sabia que o que escrevia modificava vidas, fazia repensar. Mesmo novinha, suas estorinhas infantis já possuíam essa característica.


Chegou a adolescência e já tinha uma coleção interminável de escritos, romances, contos, histórias infantis. Passava o tempo entre os poucos amigos que tinha e sua paixão pela leitura e escrita. Enquanto crescia sua forma de escrita também crescia porque treinava, porque praticava, porque lia para o seu aperfeiçoamento.

Não se importava muito com as coisas que os outros se importavam, então se tornou adulta, culivando sua grande paixão: a palavra escrita. No dia do seu aniversário de 25 anos terminou um grande romance, lindo! Seu professor da faculdade leu e disse que aquele romance revolucionaria a arte, a pós-modernidade. Saiu da faculdade feliz, chegou em casa sorridente. Mostrou o livro a mãe, disse tudo o que o professor lhe informou, sua mãe deu-lhe um basta! Falou que ela já estava velha para sustentar uma vagabunda de 25 anos e a filha já estava velha para ficar vivendo de fantasias.


Foi no quarto da filha, pegou todo o seu acervo, inclusive os livros da faculdade. Tudo! Tudo que era leitura, tudo que ela podia destruir, destruiu. Pegou o futuro famoso romance das mãos de Kate, a jovem não fez nada, não sabia lutar no mundo “real”, apenas no mundo da escrita. Então, atônita viu todas as suas obras no fogo, sua vida não havia terminado, porque tinha certeza que conseguiria refazer tudo, batalharia cada dia de sua vida para isso. Mas aquele dia foi o dia mais triste de sua existência, sentiu morrer o seu grande amor, só não desistiu de reconstruí-lo e recomeçaria no dia seguinte.

Só que no dia seguinte a mãe estava feliz, como nunca estivera. Kate espantou-se, depois descobriu porque. Iria começar naquele dia, 11 de Setembro de 2001, seu primeiro emprego, no World Trade Center. Seria secretária de um escritório de advocacia. Sua mãe estava feliz, via na filha a realização do seu sonho, sabia que tudo agora daria certo!


O final dessa história, não preciso contar, nós já sabemos. Mas acho que a mãe de Kate enterrou feliz a filha. Porque com seu grande amor queria o melhor e o melhor para a jovem não era ser escritora, então estava feliz porque o último dia da vida de Kate ela foi o melhor que poderia ser: secretária! E aquela tralha toda de escrita, estava destruída, nunca iria influenciar mentes inocentes a viver aquela fantasia! Ser escritora, ora, onde já se viu!
Margareth Sales