sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O Rio de Janeiro, de novo


Fomos assaltados novamente por acontecimentos que mudam o cenário do Rio de Janeiro e a história do mesmo. Historicamente, o Estado é palco de grandes eventos, isso quer dizer que até então não se perdeu essa característica. Hoje, especificamente, o RJ é um barril de pólvora.

De uma forma geral, na pós-modernidade de muitas vozes, vemos “pipocando” em cada canto, opiniões pessoais, baseadas no senso comum e, também, reflexões sociológicas baseadas em proposições científicas.

Nesse viés, coloca-se quem é o verdadeiro inimigo? Então, faço a minha voz juntar-se a voz de outros e perguntar? Quem é o inimigo? Talvez não exista, se baseado na definição que devemos privilegiar uma atuação histórica multiculturalista, então, todos deverão conviver harmoniosamente, será isso possível?


Se a luta no Rio é pelo domínio hegemônico da milícia, o inimigo, é então, a polícia militar. Não é uma novidade, o poder das forças armadas é antigo em nosso país e continua existindo! E, se existe uma troca de poder, das mãos do tráfico para as mãos da milícia, isso não exclui o fato de que o movimento, mesmo que desarticulado do tráfico cerceia o direito de ir e vir.


Explicando: o movimento que o tráfico faz, em pontos diversos do Rio de Janeiro, com pouquíssimas vítimas atua direto no inconsciente coletivo, ou seja, no medo que a maioria dominada tem da própria vida que sempre foi massacrada pelas elites.


Isso significa, que como maioria, é a massa que determina se irá haver ônibus ou se as pessoas irão trabalhar ou não! Como? Essa mesma massa é a que espalha o medo. Espalhando o medo a cidade pára, quando a cidade pára, quem deseja se locomover é cerceado por um grupo, grande, que não permite isso.


Então, impede-se o direito de ir e vir porque a população sente-se ameaçada pelo inimigo oculto. Além do fato de que mesmo com pouquíssimas vitimas, um só ônibus queimado faz com que os empresários do transporte segurem os ônibus. Não pelas vítimas, mas pelos ônibus. Mais uma vez, o direito de ir e vir é impedido!


Isto é: o que adianta dizer a verdade se eles (a massa) não ouvem. A mudança não é dizer, hoje, pela mídias sociais a verdade, ainda, claro que se deva dizer. Mas a mudança só vai ocorrer, quando a escola tiver acesso as verdades. Sonho, então, com o dia em que esta verdade seja dita nas escolas, para que a população saiba escolher, por enquanto, como sempre, o real está invertido!


Então, se é uma escolha de mentiras, exemplificando, se fosse isso, quem você prefere que seja o poder dominante: a ditadura ou o Collor de Mello? Peguei com o pior que tivemos para exemplicar, mas se tivesse que optar, porque não haveria outra escolha, ficaria na opção dois! Ou quem sabe um movimento para uma opção três? Mas a opção três é utopia, só virá com profundas mudanças sociais.


Então, essa falsa segurança que a polícia exibe, acaba por ser segurança verdadeira, porque não impulsiona a maioria (massa) a impedir o nosso ir e vir! Se a hegemonia vier dos militares, obviamente, eles não farão pressão queimando ônibus, não pedirão a fechada do comércio, porque dependem desses para sua própria sobrevivência.


Explicando, melhor, quando o poder dominante vem da polícia, mesmo que a contragosto, eles precisam cumprir alguns parâmetros éticos para a própria sobrevivência. Do contrário, são substituídos. Em contrapartida, quando a segurança vem do poder paralelo, não há seguranças! Nunca. Porque o poder paralelo é psicologicamente condicionado a ver o outro como nada. A partir do momento que não vejo a alteridade em sua subjetividade. No momento, em que não o sinto como parte daquilo que sou, não há limites para o que eu posso fazer com ele.


Se com a polícia dominando, vemos ônibus queimados em diversos pontos, com o tráfico dominando veríamos corpos estendidos no chão, a qualquer momento. Dependendo apenas da virada do vento, ou seja, do humor daquele que está armado até os dentes. A ação de bandidos não possui ética, talvez a ética interna. Eles sempre virão com força, só poderão ser impedidos pela mesma força com que atuam. A força deles é arma? Sim, só! O poder deles não baseia-se no discurso, não saberiam nem entender o seu próprio discurso interno. São condicionados pelo meio onde vivem e atuam, tornam-se animais, não são, que o digam os direitos humanos, mas atuam como tais e, condicionamento psicológico, dizimou milhares de judeus.


Condicionamento psicológico é perigoso, os bandidos são perigosos. Meu único grito: eles precisam ser detidos, são humanos, como disse: são! Mas estão dominados, se tornam os inimigos porque foram condicionados pelo nosso maior inimigo. Que sendo minoria só se tornam maioria pelo poder do discurso. Se tornam inimigos porque foram condicionados a não ver o outro porque são massacrados pelo poder dominante que os condicionando, os despersonificando, transforma-os em animais. Conversamos com animais, não! O diálogo perdeu-se porque não ouvem mais. Só quem pode pará-los, infelizmente, é a polícia, para retomar o poder da sociedade constituída, INFELIZMENTE!

Margareth Sales

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Culpado ou Inocente?


Nasceu bonito, terceiro filho de dois natimortos. Cresceu se amaldiçoando por esse fato tão terrível! Será? Amor incondicional pela mãe sofrida por ter perdido essas crianças e ódio pelo pai, primo da mãe, um grosso. Claro, primos: filhos mortos! Freud explica essa relação?

Cresceu, tornou-se homem, seu bairro, subúrbio, nunca contribuiu para seus sonhos: aprender inglês, informática e fazer uma faculdade. Não permaneceu em empregos, não tinha formação, ficou pipocando pela vida. Seu pai, louco, demonstrando que ele deveria ser homem, arrumar emprego decente, como ele, grande homem!

É cobrado pela mãe para dar netos, arruma uma na esquina e faz um filho. Sustentá-lo? Não tinha condições, mas fala com o peito cheio que nunca nada faltou para a filha, como? O pai a sustenta! Peraíiiiiiiii! Aquele mesmo pai louco? Insensato?

Uma oportunidade na vida, um emprego tipo Chandler Bing: não sabemos o que faz, sabemos que trabalha (do seriado Friends). Comprou seu carro, ganhava bem. Achou que o futuro de sua vida estava nesse emprego, baseado em comércio flutuante, foi a deriva. Ficou desempregado!

Casou perto dos 40, sua esposa? Quase metade de sua idade, fez o filho 2! Dois filhos e uma esposa, casa para morar? Nunca! Casa dos pais, quando não os dele, os dela. Frustrado com a cobrança da mulher por uma casa, apontava a falta de misericórdia dela com sua vida tão sofrida! Decidiu-se separar, culpa da esposa, claro, não dele, que não fornecia a casa do casal. E também ela começou a trocar sexo por estabilidade: “só dou se sair a casa!”

Voltou para a casa dos pais, solitário, sem sexo que gostava muito, por sinal.! Começou a viver de mimimi (traduzindo: chorando amargurado pela vida que não se realizava). Continuava bonito, aliás muito mais bonito: chegou aos 40, suas filhas, lindas, né? Segundo ele: NÃO! Como?

Se concluirmos que até então ele vagava pela vida, agora estava a deriva. Perguntava a todos onde se encontrava a tal da felicidade? Será que um dia poderia conseguí-la? Resposta: tem resposta? Vocês querem resposta? Me respondam vocês...

A deriva, na marca do penálti, decidiu ter vida. Depois de mais de um ano sozinho, encontrou alguém: bonita, decidida, inteligente, sexy demais! Pensou: vou me fazer, vou aprender, vou crescer e vou desfrutar! “Você é a mulher da minha vida, dizia ele!” “Quero te levar para casa”.

Pouco tempo de namoro, a pressão que fazia puxou o namoro para cima, ou para baixo? Surgiu a pressão de um compromisso mais sério. Ele ligou para ex: “estou namorando”. A ex gostava dele. Ex volta!

Ele resolve acreditar que casado uma vez, casado para sempre. Diz para a namorada: sou adúltero! Me perdoa, nunca deveria ter feito isso. Mas manteve a namorada em standy by: “Estou vendo que você não está bem, me ligue sempre, serei ombro eterno”...

E, todos os dias, eram três horas no telefone com a ex-namorada. Até que ela informa que já está com outro. Transando? Surge logo a pergunta! Sim. Resposta: “Você está vivendo em prostituição, não sabe esperar até casar?” Ela: “Mas você forçou a maior barra para eu dar para você!” Ele: “Você se acha certa? Você teria que se segurar, eu estava fazendo o meu papel!” Ele: “Não vou orar mais por você, você está seguindo um caminho tortuoso”.

Resultado: o homem é Santo? Louco? Merece o perdão que tanto clama, por ter ido buscar uma namorada quando era pecado o que fez?

Perguntas: Será que essa pessoa se dissociou completamente e não retorna mais? Será que os 40 anos foi o tempo final de sua vida, a chance era agora? Será que há chances para alguém que nunca quis se ver. E, a pergunta principal... Será que porque não entendia o caminho percorrido, vamos usar Freud, inconscientemente traçado. O torna inocente ou ele é culpado de quase estragar a vida de três mulheres porque usou o inconsciente como auto-sabotagem aos próprios delírios de poder. Não alimentados numa vida real, mas numa vida paralela. As respostas? Você decide caro leitor!
Margareth Sales

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

11 de Setembro


Desde novinha, Kate sonhava em ser escritora. Fazia vários livros e desenhava... E escrevia e desenhava. Sua mãe sempre lhe opôs o sonho: “Escritor morre de fome, menina, mesmo aqui na América, o país da liberdade!”.

A menina continuava sonhando... Porque é isso o que as crianças fazem: sonham! Cresceu assim na felicidade de tentar seu dom e na negação das palavras de sua família que incessantemente deixava claro que era uma fantasia que não levaria a lugar nenhum.

No período escolar ganhava inúmeros prêmios e a atenção total dos professores que sempre a incentivaram. Muito determinada, sonhava com seu sucesso como escritora, sabia que o que escrevia modificava vidas, fazia repensar. Mesmo novinha, suas estorinhas infantis já possuíam essa característica.


Chegou a adolescência e já tinha uma coleção interminável de escritos, romances, contos, histórias infantis. Passava o tempo entre os poucos amigos que tinha e sua paixão pela leitura e escrita. Enquanto crescia sua forma de escrita também crescia porque treinava, porque praticava, porque lia para o seu aperfeiçoamento.

Não se importava muito com as coisas que os outros se importavam, então se tornou adulta, culivando sua grande paixão: a palavra escrita. No dia do seu aniversário de 25 anos terminou um grande romance, lindo! Seu professor da faculdade leu e disse que aquele romance revolucionaria a arte, a pós-modernidade. Saiu da faculdade feliz, chegou em casa sorridente. Mostrou o livro a mãe, disse tudo o que o professor lhe informou, sua mãe deu-lhe um basta! Falou que ela já estava velha para sustentar uma vagabunda de 25 anos e a filha já estava velha para ficar vivendo de fantasias.


Foi no quarto da filha, pegou todo o seu acervo, inclusive os livros da faculdade. Tudo! Tudo que era leitura, tudo que ela podia destruir, destruiu. Pegou o futuro famoso romance das mãos de Kate, a jovem não fez nada, não sabia lutar no mundo “real”, apenas no mundo da escrita. Então, atônita viu todas as suas obras no fogo, sua vida não havia terminado, porque tinha certeza que conseguiria refazer tudo, batalharia cada dia de sua vida para isso. Mas aquele dia foi o dia mais triste de sua existência, sentiu morrer o seu grande amor, só não desistiu de reconstruí-lo e recomeçaria no dia seguinte.

Só que no dia seguinte a mãe estava feliz, como nunca estivera. Kate espantou-se, depois descobriu porque. Iria começar naquele dia, 11 de Setembro de 2001, seu primeiro emprego, no World Trade Center. Seria secretária de um escritório de advocacia. Sua mãe estava feliz, via na filha a realização do seu sonho, sabia que tudo agora daria certo!


O final dessa história, não preciso contar, nós já sabemos. Mas acho que a mãe de Kate enterrou feliz a filha. Porque com seu grande amor queria o melhor e o melhor para a jovem não era ser escritora, então estava feliz porque o último dia da vida de Kate ela foi o melhor que poderia ser: secretária! E aquela tralha toda de escrita, estava destruída, nunca iria influenciar mentes inocentes a viver aquela fantasia! Ser escritora, ora, onde já se viu!
Margareth Sales

domingo, 31 de outubro de 2010

Tolerância

Tenho conhecido muita gente que crê que está acima do bem e do mal, gente que não quer ser confrontada, desafiada, gente que não consegue ouvir o outro. Gente sem tolerância, parece sentir-se deuses, pensar ser Deus é achar que sua ignorância e seu bloqueio pessoal ao outro, causará a este um profundo abalo emocional. Allôoooo, se você excluiu o outro por um simples ato de “Gerência Divina” com certeza não é a outra pessoa que precisa ser revista, mas você mesmo!

Na realidade os sentimentos, parecem amigos íntimos, eles se unem com os mais parecidos e andam de mãos dadas por ai. Então junto com a intolerância você sempre vai encontrar a prepotência. Para mim a característica mais marcante da prepotência é acreditar que nunca esteve errado; o outro errou, eu? Nunca! A prepotência incorpora também a noção da suprema importância da sua pessoa. Pois nada anda, nada será realizado sem sua mão divina para intervir nas circunstâncias. Essa superioridade é falsa, como se essa auto-afirmação de que é uma pessoa tão especial consiga fazer com que o universo conspire para que você tenha superado os demais, na sua cabeça, com certeza! Na realidade: vai sonhando...

Capacidade de tolerar pressupõe maturidade, essa correria e essa falta de paciência, traduzida por intolerância com o outro é imaturidade pessoal.
Intolerância é falta de maturidade, porque conheço a bastante tempo o tema, haja vista que estou cercada por ele, igual a um náufrado cercado de águas por todos os lados, em uma ilha. Diante disso não é um tema que me é difícil desenvolver, o mais difícil talvez seria parar de escrevê-lo.

Observe-se que é muito mesquinho, depois de tantas promessas de tanta força para provar um sentimento, que pode ser verdadeiro ou não. Optar pela vingança fria e cruel, o que demonstra o mais profundo grau de imaturidade.

Tolerar então é o oposto da mesquinhez. Porque pressupõe admitir outras formas de pensar que não seja a sua. Isto é, aceitar o outro em sua totalidade. Haja vista, que isso é muito difícil porque quando esse outro faz algo que não gostamos, usamos logo a palavra: “vergonha alheia” tão difundida nas mídias sociais.


Vergonha alheia? Que conceituação mais perniciosa. Porque devo sentir vergonha do outro? Porque não me olho e sinto vergonha de mim mesma? Não, mas eu, o supremo ser da perfeição, não cometi tal erro, não me envergonho, tenho sim é vergonha desses pobres mortais que se comportam de maneira tão embaraçosa! E eu com minha famosa varinha mágica: A Gerência Divina, posso impedir, por quaisquer meios baixos que eu dispor, de que aquela pessoa me envergonhe!


De certo, isso é um traço bastante infantil, ou melhor, adolescente, pois são esses que se envergonham de qualquer gesto daqueles que os amam, os pais. E esses pais, em função do amor, nunca fizeram de verdade nada para envergonhá-los, mas esses acham que sim.


Particularmente não verão intolerância em meu caráter, apesar que vez ou outra, erro, porque não sou perfeita. Mas assim, que verifico o erro procure me redimir, faço isso com técnicas femininas de persuação e sedução, porque é muito chocante tanto para mim quanto para a alteridade: “desembuchar”, há um certo desconforto nessa posição, então ao poucos vou demonstrando o meu erro e se sou confrontada admito de imediato!

Quando não sou adepta da tolerância, quando faz mais parte de meu referencial simbólico, julgar, ajudar a derrubar quem já está no chão. Então, outra priminha da palavra intolerância e prepotência se une, a famosa: intransigência! Essa veio fechar o ciclo ou circo?

A intransigência é se despir da tolerância é não transigir, ou seja, chegar a um acordo. E essas pessoas são austeras, muitas vezes mascaradas por uma película de bondade, mas arranque a película. O que sobra?


São pessoas severas com o outro, com seus erros e suas falhas, de novo: não confunda sorriso tolerante com tolerância, sorrisos podem ser forjados, o mercado de trabalho ensina como. Mas a severidade está em não aceitar que o outro seja diferente de você, não assuma suas posturas, ou mesmo, não compre as suas brigas quando sabe que são brigas sem sentido.


Não posso deixar de pontuar que amigos verdadeiros compram a briga dos outros, mas não compram a partir do momento que sabe que é uma briga de umbigo e que não é por justiça, apenas por competição.


Por fim, a rigidez pessoal em não ser tolerante em não aceitar os erros dos que te circundam. Principalmente, não aceitar o PRIMIERO e ÚNICO erro daquele que está sempre ao seu lado é caso sério de intolerância. E a receita: olhos mais benignos, amar o outro como a si mesmo, lembrar que você já chapou e causou tristeza aos que te amam, não intolerância! Então, se é época de eleição primamos por democracia e que essa comece, em casa, pela tolerância, nosso slogan: Mais tolerância para o mundo!

Margareth Sales

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Minha inferência final de Lost

Na cena final de Lost e na cena de entrada vê-se um tênis, referenciando o tempo corrido. Bem, a primeira resposta para o primeiro episódio: Lostzilla não podia pegar os candidatos e nem os que lhe poderiam ser úteis no futuro. Vicent passou a ser o espírito da ilha, ele sempre esteve lá nos grandes acontecimentos, levado pelo Walt que possuía poderes telecinéticos e governava os animais.

Eu vejo que para melhorar a relação com Lost depois do péssimo último capítulo é ver que as respostas vieram, não todas mas as mais importantes durante todos os episódios.

Se a conversa de Locke com o Jack no dia em que ele achou a caverna é verdadeira, então a razão de Jack está na ilha é banal. Ver Jack perder a vida para proteger a ilha, ou seja, as pessoas que voltaram para casa no Ajira ou os que ainda restaram na ilha, como as crianças e a Cindy que estão vivos lá, mas como telespectador preferia muito mais.

As cenas de Locke parecem, realmente que ele morreu ao cair na ilha, a segurança ou talvez ele, de certa forma, foi possuído. E realmente, há margem para várias interpretações pois ficou provado no final que os produtores não sabiam o que estavam fazendo. Ou então, não sabiam como conduzir o final.

Os olhos branco e preto de Locke demonstram a predilação do Lostzilla por ele, desde a época do sonho de Claire. Vê uma coisa borrada junto a Claire tem sentido, provavelmente, já é o Flocke que a influenciará, parece então que o fato da claire criar o Aaron tem mais a ver com o Aaron afastá-la do Flocke, quando ela entrega-o para ser criado por outra pessoa, fica suscetível ao domínio do Lostzilla. Então, nessa parte “parece” que eles sabiam o que estavam fazendo. Você vai assistindo e a sensação de que o final ficou desfocado, nada tendo a ver com o todo, é imensa.

Percebi uma nova situação ao rever Lost, não era o Walt que estava no msn anos 80, mas sim Os Outros. Walt realmente não tinha acesso ao computador, a intenção do Ben Linus, já era manipular Michael para chegar a Jack, por causa da operação.

O que não me deixa é a ideia de que Locke caiu morto na ilha, ou “algo parecido”, no episódio que é necessário que se batizasse o Aaron. Locke faz oposição veemente à isso se colocando contra o próprio Ecko, que obviamente passou por tudo que passou e servia a Deus. Locke não, ele não chegou a ilha recuperado de suas questões, mas preso ao conceito do coitadinho, vítima do pai cafajeste. Um mistério nunca resolvido é: como Sun usa branco na horta dela e não se suja? rsrsrs.

Ben Linus foi atrás do Jack quando capturado por Rousseau. Então ao ver em Locke seu desespero para ser alguém, se sentir alguém, acabou por dizer que veio em busca dele, mais uma mentira de Ben.

A história de Libby é bem tranquila: ela amava o marido, marido morre, ela se interna voluntariamente por depressão, only... o resto sabemos!

Bem, como escrevi isso revendo as 6 temporadas o pensamento foi clareando... Lostzilla influencia a todos da ilha e mais ainda ao Locke, porque ele é fraco e suscetível. Então, Locke caiu na ilha Locke mesmo, mas totalmente influenciado por forças maiores que ele.

Obviamente, a mãe de Faraday é uma viajante no tempo, ainda que não tenham desenvolvido “direito” o final dela. Mas alguém que sabe muito sobre Desmond, só poderia realmente, ter vindo do futuro por tal conhecimento.

Segundo a tatuagem de Jack: “Ele anda como nós, mas não é um de nós”, só significa que ele seria o novo Jacob porque deixar ele morrer e passar o cargo para o Hurley? Sucks, os produtores cagaram tudo!

Mikcail Bakunin conhecia o Jacob, por isso que não morria tão fácil, ele foi levado para a ilha por algo maior que o Ben: Jacob. Não foi a ilha que curou Locke, mas sim Jacob que não deixou ele morrer e ao cair na ilha ele se cura, pelo toque que já havia recebido do Jacob. O Ben foi o único problema da ilha, o que gerou toda a confusão e mortes. Ele agiu desde o começo como psicopata, mas ele se arrependeu.

Obviamente, a viagem no tempo influenciou o agora, se não fosse dessa forma, não haveria porque Daniel Faraday chorar tão compulsivamente com a queda do avião. Haja vista, que a assertiva é verdadeira porque a própria Eloise Hawkings é viajante do tempo. O que “parece” é que eles se perderam e não souberam desenvolver isso.

Não há nenhum mistério em cima da garotinha loira do Ben, ela só foi colocada lá para demonstrar a insanidade desse ao se apaixonar por Juliet. Bem, a garotinha loira foi a úncia pessoa que gostou do Ben, naturalmente, que deve ter deixado a ilha quando a bomba explodiria e o Ben tendo um comportamento psicótico é natural que ele quisesse trazer de volta. Por isso essa substituição e loucura com a Juliet.

Enquanto isso, Flocke por odiar o homem viu em Ben, o grande arquitetador de seus intentos que culminaria na morte do Jacob. A obcessão do Ben com relação as grávidas da ilha é uma forma de reviver a mãe, morta na concepção. Obviamente, então, ele não iria descansar até ver uma grávida dar a luz. Nesse caso, mais um ponto para Juliete e o amor louco dele por ela. Além de se parecer com sua amiga de infância ainda é pesquisadora na área que ele precisa de mais cura: fertilização e concepção!

O sonho do Locke com o Horace quer dizer que o tempo gira e, quando ele diz que Jacob, espera há muito tempo por Locke, já sabemos que não é o Jacob que espera, mas o Flocke. Parece que o Widmore lembra-se do encontro com Locke quando era jovem e parece providenciar tudo para quando Locke “cair na ilha” novamente. O Walkabout é uma prova disso, como o funcionário dele dando o caminho das pedras para o Locke.

Então, fechando o raciocínio, a turma do vôo 815 estava num loop temporal até conseguir romper com ele com essa última explosão da bomba. Onde a Juliet já do outro lado da vida diz que funcionou e o Jacob diz que as coisas se repentem até o momento que cessa. Quer dizer, eles viveram várias vezes essa situação e a última eles conseguiram romper com o ciclo temporal da ilha e culminou na morte do Flocke, definitivamente.

Ao assistir o episódio final de Lost percebi o quanto a mensagem final foi filosófica sim, mas niilista, onde descrê de Deus como supremo arquiteto e coloca nas mãos de homens frágeis o ônus de segurar as pontos diante de um mistério espiritual que nem se dão conta... Bem, contemporaneiamente apreendemos Deus dessa forma, um Deus maniqueísta, apontando ai ainda para a própria visão de Lost que coloca na mão de Jacob um humano frágil como todos, mas milenar que tinha esse dom, o de viver muito tempo no espaço contínuo.

A referência do Lost é que não existe um Deus que cuida, mas pessoas que errando acabam por acertar. Humamente bem colocada a questão, filosoficamente, nos tira da nossa caverna a exemplo da Alegoria de Platão. Mas não creio na inferência humana desconcertada do homem sobre a vida, por isso, creio sim que a um soberano olhar sobre o homem sempre. Um olhar de pai mesmo, o mesmo olhar que o Jacob com a maturidade passou a ter, mas que nunca o caracterizou como divino, ele não era. Portanto, creio na divindade de um só Deus criador e controlador dos céus e da Terra, não maniqueísta, não mesquinho, mas amoroso.

De qualquer forma, todas essas verdades só serão conhecidas quando nós mesmos encontrarmos nosso loophole ou a brecha que quebra a função terrena para nos levar para outra dimensão. Céu? Na minha concepção. Ou o limbo? Na concepção de Lost? Vamos esperar.

Margareth Sales

domingo, 17 de outubro de 2010

O débitos e os créditos da amizade: sobre os que se oferecem como amigos quem paga a conta?

Quando eu era criança li um livro intitulado: “pai, me compra um amigo”, era um livro da série vagalume, o conteúdo não lembro, mas o título ecoa de vez em quando em minha mente... Quem são estes que compram um amigo, e, principalmente, quem são estes que se vendem como amigo?

Se são mercadorias, há que se, então, agregar valor a estas e que valor tem uma pessoa que se anuncia em um outdoor e se vende?: “Aí freguesa! Na minha mão é mais barato!” Ouvi de uma dessas que se vendem: “Mas como? Fulano é seu amigo? E ciclano?” A resposta esperada era: “Obrigado, grande salvador! Você me abriu os olhos... Então chego a conclusão de que não tenho amigos, só me resta então te incluir na minha lista e te aceitar como tal, pois do contrário como poderei viver?!”

O que quero pontuar é o quanto o outro se encontra tão superior, tão ciente do funcionamento sistêmico do planeta que ao primeiro deslize seu intervêm de modo abrupto e coercitivo, como se tivesse esse direito. O que acontece é uma confusão emocional de crer-se numa posição que nunca lhe foi dada, obviamente, tenho visto amizades do tipo compartilhar, dividir o espaço, entregar a chave e pedir para o outro ir lá e buscar algo. Mas isso não concede o direito de cecear comportamentos ou, mesmo escolhê-los, bem, hoje você poderá ser comportar com seu melhor comportamento x, amanhã a família Mané se encontrará aqui, então, não me envergonhe e só use o comportamento y. Reflexivo? Com certeza.

Há que se entender que comprar amigos pressupõe uma obrigação inerente a toda compra. Como possuidor da mercadoria tenho a obrigação de seguir tais e tais regras de contrato, a generosidade inerente a toda amizade não mais existe, e em seu lugar fica o débito da cobrança.

Convém salientar que os que cobram pela amizade que devotam possuem um grande saldo devedor muito maior que qualquer dívida externa, ou mesmo maior que qualquer preço poderia pagar. O que quero dizer que é sempre uma cobrança injusta que não conta, nunca, com a possibilidade do outro ver liquidadas suas dívidas, mas conta, apenas, com o fato de saber que o outro será sempre um devedor eterno.

Isto pressupõe, sem dúvida, uma capacidade inerente de manipulação do outro, assim como de qualquer evento, circunstâncias que possam ocorrer em qualquer momento da vida do sofrido devedor. E o credor é tirano, opressor, pois se coloca na posição de farei tudo pelo outro para receber em troca a própria alma, e paz, do amigo. Fica a pergunta: ainda que do lado de fora pareça ser uma amizade devotada é esta uma amizade real?

E quando não conseguem o que querem formam conluio, primeiro usando a premissa mais mesquinha e incapacitante que o senso comum criou: “Todo mundo está falando!”. Se essa cartada não funcionou ainda resta a aliança com aquele que você sabe tem sido parte dos maiores problemas da vida do seu “suposto” amigo. E ainda joga mais pesado, escondendo essa pessoa ao seu lado e quando a buscam com a cara mais deslavada responde: “ela não está aqui!”

Além do que, como não se valorizam como pessoa, supervalorizam essa amizade, o que cria mais uma vez um tipo de obrigação, que se encontra muito longe da generosidade. Estes ficam “passados” quando um outro alguém toma atitudes consideradas inaceitáveis, não sabendo que os mesmos já tomaram a mesma atitude em inúmeras outras situações. Para estes a amizade se constituem no quanto se pode dar!

Todas essas colocações acabam por criar um relacionamento doentio e neurotizando, haveria saída para o crescimento deste? Talvez, porque a partir de uma perspectiva humana em um momento ou outro todos possam se vendem como amigos. Porém o grande diferencial é a quantidade e o desespero inerente a esta venda, se em nenhuma das duas partes há uma profunda consciência de valor pessoal ou mesmo o nascimento, ainda tímido dessa, não há solução a amizade definha...

Do contrário, a tolerância com o outro, admitir minhas próprias falhas e, principalmente, de uma vez por todas encarar que não sou perfeito e que erro sim. Assim, poderá haver uma luz no fim do túnel, cuidado para que não seja um trem! Pois há que se esclarecer que diante de várias circunstâncias inusitadas que a vida impõe, o atordoamento gera comportamentos confusos, mas restabelecido o equilíbrio a disposição a seguir em frente prevalece. Resta saber se esse seguir em frente será sozinho ou poderá ser ao lado de um amigo de verdade.
Margareth Sales

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dia dos Professores


O que é o dia dos professores? É o momento que se lembram de dar presentes porque gostam daquele pessoa, a professora. Frio? Sim, na totalidade. Obviamente, que todo professor gosta dos presentes e de ser lembrado, mas... ser professor é muito mais amplo.

Ser professor não é montar continhas que você já usa há duas décadas de profissão, mas é ensinar que aquelas continhas servem para a superação dos que te dominam. E tanto faz se você decorar ou não a tabuada, porque primeiro em todo lugar para onde você olhar terá uma calculadora, mas e na hora da prova? É só provar que entendeu a matemática, perca alguns segundos e coloque com o lápis a tabuada para consultar, é só somar o número de vezes que você pretende descobrir do valor dado, afinal de contas, cobrar, principalmente do adulto que ele decore quando já há milhões de coisas a serem decoradas no dia-à-dia é contraproducente!

Ser professor, na verdade, é amar o conhecimento, é amar tanto o conhecimento, tanto o saber que você deseja transmitir esse para todos os que te cercam, você começa a querer ensinar e procura, sempre quem queira aprender. Além disso, ao procurar quem queira aprender procura também que essa mesma pessoa lhe ensine porque todos ensinam e todos aprendem. Nessa inter-relação o professor se torna educador.

Educador porque acima de tudo ama a leitura, porque aprendeu desde cedo que é a leitura que elucida questões a serem dirimidas. É o olhar interrogador para fora, para além de si mesmos que fornecem respostas para questões profundamente ontológicas. Esse processo de ler não se finda somente com esse movimento para fora, mas se fecha com o mesmo movimento para dentro, ou seja, a introspecção lendo o que seus próprios processos interiores dizem.

Lendo mais uma vez o professor educada, educa para a compreensão da leitura, para a paixão pela leitura que se faz condição sine qua non de mudanças. Mudanças forjadas na leitura do todo, do mundo, na apreensão cognitiva de pressupostos enraizados na reflexão, na crítica e na construção.

Leitura, conhecimento, professor, educador andam juntos, sempre, desbravando novos horizontes, curiosos de novidades, devorando tudo por meio da práxis da leitura. Desse modo, não deixando que o conhecimento passe despercebido, mas sempre vigiado, buscado, sentido o professor-educador passa seu dom de crescimento, de viver sempre nesse permanente devir em busca de um horizonte maior; para seu aluno, alvo de sua devoção, amor, paixão, solidariedade, companheirismo e alegria. Por isso, vamos aproveitar o hoje, 15 de Outubro, feriado para professores e alunos para esticar as pernas num local gostoso em frente a praia para bater um papo animado e estimulante, sobre conhecimento, leitura e escrita! Quem topa? Eu já estou dentro!
Margareth Sales